04 agosto 2016

Tudo sobre as OLIMPÍADAS







As Origens

A origem das Olimpíadas data de há aproximadamente dois mil e quinhentos anos. Pouco se sabe sobre seu começo, envolto na aura de lenda que sempre cerca os grandes acontecimentos ou façanhas de seus heróis. A mais famosa tem Hércules como personagem principal. Hércules foi um dos heróis da mitologia grega, cujo deus supremo, Zeus, era justamente seu pai. Sendo seu filho, ele nasceu com muita força e muitos poderes. Hércules, num acesso de loucura, acabou por assassinar sua própria esposa e seus filhos. Para expiar seus pecados, o herói foi obrigado a executar 12 trabalhos tidos como impossíveis. Depois de muitas aventuras o herói conseguiu concluir todas as suas tarefas, e insatisfeito com as recompensas que recebera, resolveu criar os Jogos Olímpicos para homenagear Zeus e a si mesmo.

Outro belíssimo mito que nos fala das razões para que os Jogos Olímpicos ocorressem é o mito de Apolo e Dafne. Apolo, o orgulhoso e pomposo deus do sol, certa vez estava treinando o arco com suas flechas douradas que simbolizam os raios solares. Por ali perto passava Eros, o deus do amor, trazendo também

seu arco e suas flechas. Apolo, muito arrogante, disse a Eros que o melhor seria qu Eros desistisse de usar o arco, pois todos sabiam que o melhor arqueiro do Olimpo era ele mesmo: o próprio Apolo. Bastante chateado com a provocação, Eros nem se deu ao trabalho de responder, mas subiu até o alto de uma colina e de lá mirou bem o corção de Apolo, flechando-o com uma flechas da paixão. Como passava ao largo uma bela ninfa chamada Dafne, Apolo por ela imediatamente se apaixonou. Porém, o ardiloso Eros tomou o cuidado de flechar o coração de Dafne com a flecha da indiferença. Apolo, vendo-se então rejeitado pela ninfa, passou a persegui-la por toda a Grécia. Cansada e desesperada com tamanho assédio, Dafne pede à deusa da Justiça para que pusesse um fim ao seu suplício. Penalizada, a Justiça transformou Dafne em uma bela árvore: o loureiro (“dafne” em grego significa “loureiro”). Vendo sua amada irremediavelmente afastada de sua paixão, o grande Apolo sentou-se à sombra do loureiro e chorou, curvando-se ao poder do amor. Mais tarde, Apolo colheu algumas folhas de louro e faz para si uma coroa trançada para levar sempre consigo uma lembrança de Dafne. Ainda ordenou aos mortais que naquele local, ao redor do loureiro, fossem realizados, a cada quatro anos, jogos desportivos em honra de Dafne, como era costume que se fizesse na Grécia Antiga para celebrar os mortos. Aquele local era a cidade de Olímpia e os jogos a Dafne ficaram conhecidos como Olimpíadas. Os maiores heróis da Grécia antiga sempre rumaram para Olímpia a fim de testar suas habilidades esportivas e competir. Aos vencedores era oferecida uma coroa de louros, os louros da vitória, como símbolo do reconhecimento do deus Apolo.


A História

Existem indícios de que, durante muito tempo, os Jogos Olímpicos deixaram de ser disputados. Conta-se que, no ano 884 a.C., algo muito grave ocorreu na região grega de Élida: uma peste assolou toda a área. Desesperado com o que estava acontecendo, o rei Ífito foi consultar a sacerdotisa Pítia e foi nesse ponto que a lenda novamente se confundiu com a história: os deuses só fariam cessar a peste se voltassem os Jogos Olímpicos. Assim, os jogos retornaram e passaram a ser realizados regularmente, de quatro em quatro anos. Oficialmente, porém, as provas se contaram a partir de 776 a.C., quando se iniciou o registro dos nomes dos campeões.

Quando se fala em Jogos Olímpicos, é preciso deixar claro que as competições atuais, com o mesmo nome e realizadas a cada quatro anos, guardam determinadas semelhanças e diferentes com os eventos gregos de 2.500 anos antes. No primeiro caso, pelo sistema grego de divisão de tempo, o espaço no calendário entre os jogos era de quatro anos. Este método de contar o tempo tornou-se comum por volta de 300 a.C. Todos os eventos eram datados a partir de 776 a.C., o início da primeira olimpíada conhecida. Por volta de 775 a.C., os reis de Pisa, Esparta e Ilía firmaram um tratado de paz (o Ekeheiria). Esse acordo foi consagrado meses depois em Olímpia, quando se reuniram os principais atletas dos três feudos. Num disco de pedra, foram inscritas as regras básicas desse acordo, com a assinatura dos três reis. E é nessa pedra que é encontrada a frase: “Jogos Olímpicos de Ekeheiria”. A partir desta data, os demais feudos começaram a organizar atividades internas, para selecionar seus melhores atletas. Em 724 a. C., foi programado então, além da corrida a pé, uma prova em dois estádios, ou seja, duas voltas na pista. Mais tarde, foi organizada uma prova de resistência, com 24 voltas. Em 708 a. C, o Pentatlo era disputado, consistindo de uma corrida de velocidade, duas disputas de arremesso de dardo e disco, salto em distância e uma luta. Em seguida, esses jogos começaram a atrair atletas de outras colônias da Grécia, da África e das costas do mar Mediterrâneo. Foi quando os jogos passaram a contar com um programa e conceitos rigorosos.




Assim, eles passaram a ter uma cerimônia de abertura, com o juramento dos atletas sobre o sangue do sacrifício de animais. No segundo dia, eram disputados o Pentatlo, as corridas de charretes de quatro rodas (puxadas por dois ou quatro cavalos). No terceiro dia, era a vez das corridas. No quatro, as lutas livres ou com punho. No quinto, a distribuição dos prêmios durante um banquete.

Inicialmente, as competições eram estritamente masculinas, mas acabou-se permitindo que as mulheres passassem a organizar um torneio paralelo, chamado de Heraea, na metade de cada intervalo de quatro anos. A primeira participação das mulheres em competições ocorreu em 750 a. C., durante uma festa de casamento. Seis anos depois, essas mulheres conseguiram autorização para participação integral nos jogos. Como a participação nos jogos era considerada uma homenagem monumental, só podiam se inscrever nas provas atletas de passado limpo e de caráter inabalado. Os escravos e aqueles que tinham uma "marca" negativa em seu currículo eram impedidos de participar das competições. Os prêmios para os vencedores eram uma folha de palmeira e uma coroa de ramos trançados de oliveira: os famosos louros da vitória.

Em 456 a. C., Roma invadiu a Grécia, que perdeu sua independência, mas os romanos procuraram manter viva a tradição dos jogos e passaram a estimular seus jovens a desafiarem os helênicos.  Foi quando os Jogos da Paz acabaram se transformando em jogos da discórdia e da corrupção. Para superar os helênicos, Roma profissionalizou seus atletas e, quando estes não conseguiam vencer os gregos nas disputas, procuravam subornar seus adversários. A influência do dinheiro aumentou então a ira entre invasores e dominados. Em 17 a.C. o imperador Tibério e seu sobrinho Germânicus não pouparam esforços (inclusive a sedução) para vencerem a quadriga dupla. Em 67 a.C., o louco imperador Nero ganhou o prêmio da quadriga, depois de ter ameaçado seus adversários. Ele ainda exigiu ganhar o prêmio de poesia. Com isso, os jogos perderam todo o conceito que tinham de ética e moral.

No século 6, um terremoto arrasou parte de Olímpia e seu estádio. Depois, uma avalanche, seguida de inundação, atolou as ruínas embaixo de seis metros de terra e pedras. Por muitos anos, Olímpia ficou esquecida.

As Olimpíadas Modernas



Em 23 de junho de 1894, foi criado em Paris o COI (Comitê Olímpico Internacional). Seu objetivo: reviver as competições da Antigüidade. O principal fator deste renascimento foram as escavações, em 1852, das ruínas do templo de Olímpia onde aconteciam os Jogos nos tempos ancestrais. A redescoberta da história das olimpíadas provocou um renascimento dos valores esportivos do gregos antigos. A iniciativa partira do historiador francês Charles Louis de Feddy, Barão Pierre de Coubertin. Dois anos depois, 295 atletas de 13 nações disputavam em Atenas os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna. Tratava-se de uma mistura de amadores, esportistas de segunda categoria e equipes improvisadas - sem mulheres. Inicialmente, os Jogos Olímpicos da Era Moderna não foram levados a sério pelas entidades esportivas nacionais. Mas os jogos seguintes, em Paris e, sobretudo os de Londres, em 1908, ajudaram a consolidar a competição. A competição havia sido idealizada anos antes, mas foi necessário transpor uma série de obstáculos.

Coubertin por pensar numa medição de força corporal no estilo da Olimpíada grega, ele era ridicularizado e, na maioria da vezes, ignorado. O jovem barão era um patriota profundamente preocupado com a situação de sua "grande nação". Na sua opinião, a França, no final do século 19, estava enfraquecida pelas constantes trocas de governo e derrotas militares. Seu objetivo, portanto, era "arrancar os jovens indolentes dos botecos e torná-los pessoas de caráter e fisicamente em forma". Ele almejava um equilíbrio entre treino corporal e formação intelectual. Para concretizar suas idéias, o Barão de Coubertin criou um Comitê de Propagação dos Exercícios Físicos na Educação. Ele procurou patrocinadores, sob o argumento de que o futuro da França estava em jogo. Para o historiador, o cenário ideal para incentivar o fisiculturismo seria uma competição à moda dos Jogos Olímpicos, que já não eram mais realizados há 1500 anos. Longe dos nacionalismos mesquinhos, os povos deveriam participar de uma competição pacífica, como na Grécia Antiga. É daí que vem a máxima "o importante é competir", ou seja, o importante é que países que se odeiam, raças que se discriminam, aceitem os mesmos critérios de excelência física, de rivalidade corporal. A Bandeira Olímpica, desenhada pelo Barão de Coubertin em 1913, com os cinco círculos coloridos entrelaçados, simboliza os cinco continentes em uma harmonia global: o azul representa a Europa, o amarelo Ásia, o preto a África, o verde a América e o vermelho a Oceania. O fundo branco, bem como o símbolo da pomba, representam a paz.

O poder do esporte e, principalmente, das Olimpíadas foi logo reconhecido pelos nazistas. Os Jogos de 1936, em Berlim, transformaram-se em instrumento de propaganda. Nos anos seguintes, passaram a ser meio de pressão política. Hoje o espetáculo conserva apenas tênues lembranças da filosofia olímpica original, de confraternização entre os povos. Em 1896, pensou-se que guerras, conflitos, rivalidades e uso da violência seriam deixados de lado durante as Olimpíadas. Imaginava-se que, durante a competição, reinariam o entendimento, a cooperação, o conhecimento mútuo e a solidariedade. Justo ao contrário do imaginado, foram os Jogos Olímpicos que foram cancelados por 3 vezes, devido aos acontecimentos da Primeira e da Segunda Grandes Guerras. Igualmente lastimável e anti-olímpica foi a iniciativa dos Estados Unidos de boicotar os Jogos de Moscou em 1980.

O mercantilismo, como sempre, tomou conta dos Jogos Olímpicos, que se tornaram um negócio multimilionário: a publicidade dos acessórios esportivos transformam os atletas em homens-sanduíche, cobertos por anúncios. O marketing associa, descaradamente, o consumo de certos produtos aos Jogos. O olimpismo era sinônimo de amadorismo, uma espécie de amor pelo esporte. Contudo, o profissionalismo dos competidores virou regra geral. As "fraudes" contra o amadorismo remontam aos tempos da Guerra Fria. No bloco soviético, os atletas eram funcionários do Estado. Do lado americano, o atleta recebia uma bolsa de uma universidade qualquer e também se dedicava integralmente ao esporte. O idealismo e a pureza que o Barão de Coubertin desejava imprimir à competição, no mesmo espírito da Olimpíada grega que, além do caráter competitivo, possuía também um significado religioso, mas a ideia morreu ao longo dos anos.

Oficialmente a partir de 5 de Agosto de 2016 estão abertos os 31º Jogos Olímpicos da Era Moderna no Rio de Janeiro, Brasil. Os próximos Jogos Olímpicos ocorrerão em Tóquio, Japão, em 2020. Os Jogos Paralímpicos envolvendo pessoas com deficiência, incluem atletas com deficiências físicas (de mobilidade, amputações, cegueira ou paralisia cerebral), além de deficientes mentais. Realizados pela primeira vez em 1960 em Roma, Itália, têm sua origem em Stoke Mandeville, na Inglaterra, onde ocorreram as primeiras competições esportivas para deficientes físicos, como forma de reabilitar militares feridos na Segunda Guerra Mundial. Atualmente ocorrem em seguida aos Jogos Olímpicos e sua 15ª edição terá início em 7 de Setembro, no Rio de Janeiro, Brasil. Os Jogos Olímpicos de inverno são também disputados a cada quatro anos desde 1924 e os próximos a se realizarem, serão os 23º Jogos Olímpicos de inverno em Pyeongchang, Coréia do Sul, em 2018. As Paralimpíadas de Inverno de 2018 serão celebradas no mesmo local.



23 junho 2016

Androginia




"Inventemos um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as sutilezas femininas e de todas as forças de estruração masculinas. Realizemos Apolo espiritualmente. Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão" .



Fernando Pessoa






O termo "androginia" vem do grego "andros", homem, masculino e "gimnos", mulher, feminino e foi pela primeira vez utilizado, que se tenha notícia, por Platão no texto "O Banquete". Lá nos conta Platão, através do discurso de Aristóphanes, que o Ser Humano possuía originalmente três sexos e não dois como hoje em dia. Isso era assim, pois os deuses o criaram inspirando-se na Lua, criando os seres femininos, no Sol, criando os seres masculinos e na Terra, criando os seres andróginos. Temeroso de que o Ser Humano pudesse vir a destronar os deuses, Zeus ordenou a Hefésto e a Apolo para que descessem e cortassem os humanos na metade, para que assim eles passassem o resto da eternidade procurando suas metades perdidas e não se lembrassem de tomar o poder do universo das mãos dos deuses. Desta forma, foram criados homens e mulheres e aquelas mulheres que são oriundas de cortes de seres lunares, passam a vida a buscar a completude em outras mulheres, bem como os homens que são oriundos de cortes de seres solares, buscam completarem-se em outros homens. Os que foram um dia parte de um andrógino, buscam completarem-se no sexo oposto e, tal como a Terra, ao unirem-se conseguem criar uma nova vida.



Esta idéia de que os deuses têm medo de que um dia o Ser Humano possa lhes destronar é arquetípica e pode ser facilmente encontrada em todas as religiões. Na Bíblia, no Gênesis Yehovah teme que Adão e Eva venham a se tornarem deuses e os proíbe de comer do fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal. Porém, tentados por Lúcifer, Adão e Eva acabam lançando mão do fruto proibido e seus olhos se abriram e eles viram. “eis ai que está feito, Adão como um de nós, conhecedor do Bem e do Mal”. Para ter certeza de que o Ser Humano também não lançaria mão do fruto da Árvore da Vida e adquirisse a Vida Eterna, tornando-se definitivamente um deus, Yehovah expulsou então ambos do paraíso e colocou à sua porta um querubim com uma espada flamejante para impedir o seu retorno. Da mesma maneira e compartilhando do mesmo medo, a Mitologia Suméria nos mostra os Anunnaki: estes deuses, também têm muito medo de que o Ser Humano pudesse vir a se independizar e a tornar-se livre de seu jugo.

Uma grande exceção no que diz respeito a este medo arquetípico da divindade em relação a uma possível independização humana é a postura cristã. Cristo se apresenta como o Salvador (“Sóter”), como o segundo Adão que vem redimir a queda da Humanidade, trazendo o caminho para a Vida Eterna, sendo ele mesmo o fruto da Árvore da Vida, transformando a existência mortal em uma existência divina. Cristo é então o redentor, aquele que apresenta um Deus superior, feito de perdão e amor e não mais de ódio, vingança e egoísmo. Cristo aceita a todos no mundo do Pai (“Abbah”), cada qual como é, sem exigências, sem regras e funda uma religião universal (“Katholike Eklesia”) que se coloca acima das nações e dos povos, dos interesses políticos e econômicos.

Deste ponto de vista, superando-se então uma visão sexista embutida nas religiões patriarcais, entende-se a imagem de Deus (Imago Dei) como uma figura andrógina por excelência. Na tradição hebraica Deus tem um lado masculino, Yehovah e outro feminino: Sheknah. Evidentemente o lado masculino acabou sobrepujando o lado feminino, como reflexo da postura machista da própria religião judaica. Com reflexo da Imagem de Deus, os anjos são igualmente andróginos e por isso costuma-se dizer que os anjos não têm sexo. Na verdade os anjos têm os dois sexos! No Cristianismo o famoso “Deus Pai” seria originalmente “Deus Pai-Mãe”, um deus-deusa, superior a esta divisão sexista. No Budismo se há o Buddha, há também Cannon, seu lado feminino. Se há um deus do céu, há sempre uma deusa da Terra. Deus seria, portanto, andrógino. Mesmo na Biologia e na teoria da Evolução das Espécies admite-se que a origem de toda a vida provém de seres unicelulares andróginos que se reproduziam (e ainda se reproduzem) de forma assexuada.


Na Babilônia, o deus Lua Sinn era invocado como “Ó, Mãe-Útero, geradora de todas as coisas, Ó, Piedoso Pai que tomou sob seus cuidados o mundo todo”. Assim como T’ai Yuan, mulher sagrada de antigos mitos chineses, conjugava Yang (o princípio masculino) e Yin (o princípio feminino). No taoísmo, os princípios se unem para formar o Tao manifesto. No hinduísmo, Shiva e Shakti, os primeiros deuses de certas versões da cosmogênese hindu, formavam, no início, um só corpo, na manifestação chamada Ardhanarisha, o “Senhor Meio Mulher”. Entre os antigos persas, Meshia e Neshiane formavam um só indivíduo. “Ensinavam também que o homem era produto da Árvore da Vida e crescia em pares andróginos, até que estes pares foram separados devido a uma subsequente modificação da forma humana”. No Talmud e no Zohar a androginia também está explícita: O nome Adão foi compreendido como englobando macho e fêmea (Adam Kadmon). “A fêmea estava atada ao lado do macho e Deus mergulhou o macho em um profundo torpor e ele ficou estendido sobre o terreno do Templo. Então Deus separou-a dele e paramentou-a como uma noiva”. No Gênesis, aparece de forma mais implícita: “E Deus criou o homem à sua imagem, na Divina imagem Ele os criou; macho e fêmea os criou”. A mais respeitável obra judaica sobre a interpretação do Gênesis, o Midrash Rabbah, diz textualmente: “Quando o Sagrado, Abençoado seja Ele, criou o primeiro homem, Ele o criou andrógino”.


Seguindo-se o mesmo raciocínio, sabe-se que o Espírito Humano é igualmente andrógino. Todos nós temos em nós nossa porção masculina e nossa porção feminina. Carl Gustav Jung percebeu isso e denominou Ânima a porção feminina que os homens guardam no profundo de seu Inconsciente e Ânimus a porção masculina das mulheres, igualmente guardada no fundo do Inconsciente. O estudo que Jung fez sobre Alquimia revelou que esta antiga tradição já há muito compreendia a verdadeira natureza andrógina do Ser Humano e preconizava que a transmutação dos metais e a descoberta da Pedra Filosofal se fizesse necessariamente através de uma fase que se conhece como União dos Opostos (Mysterium Conjuctionis), onde o masculino se funde ao feminino, seja nos metais (o chumbo se une à prata, o estanho ao mercúrio, o ferro ao cobre), seja no Ser Humano (o Andrógino Alquímico) seja no Universo (Ouroborus). 


Na “Antropogênese”, terceiro volume de “A Doutrina Secreta”, Helena Blavatsky, após várias explanações e citações de antigos textos, diz que “o ponto em que insistimos no momento é que, seja qual for a origem atribuída ao homem, a sua evolução se processou na seguinte ordem: 1º ele foi sem sexo, como o são todas as formas primitivas; 2º depois, por uma transição natural, converteu-se em um ‘hermafrodita solitário’, um ser bissexual; e 3º deu-se finalmente a separação e ele se tornou o que hoje é”. Como em toda a grande obra exposta por Blavatsky, as considerações são sempre seguidas de comparações entre as diversas filosofias, religiões e ciências, mostrando que, ainda que de forma diferente, elas sempre têm a mesma base e, portanto, chegam à mesma conclusão. “A Ciência ensina que todas as formas primitivas, embora sem sexo, ‘possuem, contudo, a faculdade de passar pelo processo de uma multiplicação assexual’”, e indaga, “por que então seria excluído o homem dessa lei da Natureza”? Rudolf Steiner também percebeu esta androginia do Espírito Humano e afirmou que para mantermos um equilíbrio entre nossas porções masculina e feminina, alternamos nosso sexo físico ao longo das encarnações.

Sendo então o Espírito Humano andrógino por natureza e em sua essência e origem e a separação dos sexos apenas uma ilusão criada pela materialidade e pela existência do corpo físico, com o processo evolutivo da Humanidade, no qual mais e mais do Espírito vai-se aos poucos conseguindo trazer para a existência, seria (e é) inevitável que uma consciência desta androginia mais cedo ou mais tarde aparecesse. Pois é exatamente isso que vem acontecendo na Humanidade. Até há alguns anos a definição de gênero era uma definição simples e dualista: homens e mulheres compunham a espécie humana. Os papéis e as posturas sociais de cada gênero eram muitíssimo claras e definidas. Com o avançar do Século XX e, mais ainda, com o início do Século XXI, uma nova visão sobre os gêneros e a sexualidade humana aflorou e veio confrontar a instituição moral vigente na sociedade. Os gêneros humanos se multiplicaram, frutos de uma nova consciência sobre a própria sexualidade e frutos da tecnologia aplicada. As formas de relacionamento assumiram facetas plurais e fluidas. Como resultado desta mudança, emergiu o conceito da “pansexualidade”, múltipla e mutável e, em última análise, tão diversa quanto diversos são os indivíduos humanos.

Vivemos uma era pós penicilina, pós pílula, pós liberação da mulher, pós liberação gay, pós AIDS e pós Viagra. Todos os tabus possíveis de serem superados em relação ao sexo já o foram ou têm possibilidade de o serem. Isso quer dizer que cada qual pode, se quiser, viver plenamente sua própria sexualidade seja ela qual for e se não o faz, está apenas perdendo seu tempo. No entanto, vivemos igualmente uma época em que há uma superestimação sexual que nos é imposta pelos meios de comunicação e pelas campanhas de marketing. O Marketing usa atualmente o desejo pela realização sexual para impulsionar suas vendas e desta forma é a única força que atrapalha a plena realização da mesma. Se por um lado a monogamia heterossexual nos é apresentada em todos os filmes, em todas as novelas e em todas as campanhas publicitárias como sendo a forma “normal” e “correta” de relacionar-se, por outro lado, somos bombardeados com infinitos apelos sexuais que nos lembram das possibilidades inúmeras de realizações alternativas. Este parece ser o paradoxo da sexualidade deste início do Século XXI.

Mesmo se analisarmos os relacionamentos na questão de escolha de sexos, veremos que há uma variação enorme de condições sexuais humanas, tendo em vista que a homossexualidade tem conseguido um espaço crescente na luta por sua aceitação na sociedade. Há autores que chegam a afirmar que atualmente os gêneros humanos giram em torno do número de doze opções/condições sexuais possíveis. Sendo assim, teríamos os “tradicionais” gêneros masculino e feminino heterossexuais; os já usuais gêneros homossexuais masculinos e femininos (indivíduos que preferem o sexo com parceiros de seu mesmo sexo); os bissexuais masculinos e femininos (indivíduos que praticam sexo com ambos os sexos, indiferentemente), os transgêneros masculinos e femininos (pessoas com definições de gênero intermediárias entre os sexos, desde de transformistas e travestis, até transexuais que realizam a mudança completa de sexo); os inovadores FTMs (do Inglês: “female to male”, ou seja, mulheres que trocam seus sexos para se tornarem homens homossexuais) e MTFs (do Inglês “male to female”, ou seja, homens que trocam de sexo para se tornarem mulheres homossexuais), que apesar de transgêneros apresentam um comportamento totalmente diferente dos demais e, finalmente, os hermafroditas de ambos os sexos, que apresentam gônadas ambíguas ou híbridas (hermafroditas verdadeiros) e/ou genitália ambígua (pseudo-hermafroditas). Apesar dos sexos biológicos continuarem a ser somente dois (ou quase isto), cada uma destas categorias inclui indivíduos com características físicas e psíquicas totalmente diversas das dos que se incluem nas demais categorias e, mesmo assim, há diferenças por vezes grandes entre um indivíduo e outro da mesma categoria, constituindo propriamente gêneros diferentes e não apenas variações de gênero. Frente a uma descrição deste tipo, onde vão parar os gêneros humanos duais? Se a essas variáveis de relacionamento e gêneros, somarmos as variáveis em relação aos estilos de relacionamento, levando em consideração preferências tais como práticas sexuais não genitais, o sadomasoquismo, o fetichismo, o sexo tântrico, o onanismo, o voyeurismo/exibicionismo, o sexo virtual, o sexo cibernético e robótico e tantas outras possibilidades de relacionamento sexual inter-humano, chegaremos a uma variedade enorme de possibilidades de expressão sexual, criando uma situação que nos aproximará da pansexualidade. Pensando-se assim, podemos chegar a compreender que as expressões sexuais são tantas quantos são os indivíduos humanos estudos.

Porém, a verdadeira androginia está muito além da pansexualidade: a verdadeira androginia é muito mais espiritual do que física e consiste em descobrir dentro de cada um de nós nossas verdadeiras essências masculina e feminina de forma clara, precisa e profunda, a ponto de podermos realizarmos no em nosso Inconsciente o Casamento Sagrado (“Hierogamos”), e, ao recriarmos em nós o Andrógino Primordial, (Adam Kadmon), percebendo que sempre esteve conosco a “metade perdida”, possamos nos lembrar de que somos na verdade deuses. Finalmente assim, e somente assim, se dará a tão esperada libertação dos “deuses” Anunnaki e o Ser Humano poderá ser verdadeiramente Humano, provando do fruto da Árvore da Vida, como nos oferece o Salvador.

01 junho 2016

Palestra sobre o filme "Matrix", produção cinematográfica americana e australiana de 1999, dos gêneros ação e ficção científica, dirigido pelos irmãos Wachowski e protagonizado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne.




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01 novembro 2015

O Dia de Todos os Santos


Os MESTRES ASCENCIONADOS são seres que alcançaram uma evolução espiritual tal que chegaram a um nível de consciência superior, equivalente à Décima Hierarquia Angélica: os Espíritos da Liberdade. No entanto, não podem permanecer nesta esfera elevada, porque, impulsionados pela compaixão que marca todo ser espiritual evoluído, se veem obrigados a retornar ao mundo, para colaborar com a evolução dos demais humanos. 

O termo surgiu no século XIX, em 1877, nas obras da esoterista russa, Helena Blavatsky, referindo-se ao que também se conhece por "Mahatmas", "Espíritos de Luz" ou "Mestres de Sabedoria". São chamados de mestres porque orientam espiritualmente os seres que estão em busca de evolução espiritual na Terra; e ascencionados porque já encarnaram e evoluíram hierarquicamente, afastando-se das limitações do plano terreno em direção à Luz, à ascensão espiritual. A ascensão diz respeito à busca de um Amor incondicional pela vida e o trabalho dos mestres é o de despertar a consciência crística, o Cristo na consciência de cada um.

O trabalho dos mestres diz respeito ainda ao auxílio na libertação da Roda das Samsaras ou do ciclo de reencarnações, no qual a humanidade estaria aprisionada. Os mestres orientam a humanidade na busca de evolução espiritual e de conscientização da necessidade dessa transcendência. 

Estes Mestres Ascencionados também são conhecidos comumente pelo nome de "santos". Hoje é o dia deles.


09 julho 2015

Entrevista com Bernardo de Gregorio






·         O que o surgimento da Filosofia representou para a vida das antigas civilizações?


A grande "virada" que ocorreu com o surgimento da Filosofia foi o aparecimento do pensamento laico. Até então, o pensar humano sempre esteve atrelado à religião e, por ser sagrado, era fixo e havia muito pouco espaço para o debate. A partir da laicização do pensar, a discussão passa a ser o centro da atividade intelectual e futuramente iria dar origem à noção de política, com o debate aberto sobre as leis e os costumes e a reflexão do pensar sobre si mesmo, na Filosofia propriamente dita.

Com o passar do tempo, a racionalidade grega foi superando a noção de religião e tornando-se de sacra em laica. Pela primeira vez na História apareceu na Grécia Antiga, na região da Jônia (atual Turquia) um pensamento laico puramente lógico e desvinculado totalmente da ideia do sagrado. Estes primeiros filósofos jônicos (pré-socráticos) nada mais fizeram do que transpor ipsis literi a Mitologia Grega em Filosofia. Mais tarde Aristóteles de Atenas explicaria a gênese do pensamento filosófico da mesma maneira como se explica a gênese do pensamento mitológico: "é através do espanto que os homens começam a filosofar"(1). Os filósofos sempre tentaram explicar a Natureza e seus fenômenos, caindo inevitavelmente em contradição com as ideias de seus companheiros de profissão. A Filosofia expandiu e acabou englobando áreas para muito além da descrição da natureza e seus fenômenos, incluindo em si o estudo do ser humano e todos os fenômenos relacionados a ele e ao seu pensamento. No entanto, as contradições entre os filósofos continuariam a afligir o espírito humano por séculos, quer em relação aos métodos, quer em relação às teorias, quer em relação aos fenômenos. A Filosofia incumbiu-se finalmente de "assassinar" os deuses de onde havia nascido, afirmando que os deuses não passavam de alegorias místicas para as forças da natureza que requeriam uma explicação lógica e jamais religiosa. Se os deuses existissem, eles seriam, tal qual os mortais, constituídos por átomos e submetidos às implacáveis e imutáveis leis naturais.


·         Você acredita que o surgimento da Filosofia rompeu com o mito? Ou você acha que ela representou uma continuidade?

São possíveis ambas as afirmações, dependendo da maneira como se aborda o fato. Há quem considere o povo grego como que um gênio que realizou o milagre do nascimento da Razão. Há quem pense, no entanto, que não há mais que um eterno retomar, sempre fundamentado na origem ocidental. Há quem considere que deste gênio, simplista, harmônico e luminoso, emergiu a Filosofia, como culminância de um povo. Há, no entanto, quem imagine que os gregos sempre estiveram imersos em guerras contínuas e em desespero, “dilaceramento trágico e desmedido, de tal forma que a Filosofia exprime a obscuridade do gênio helênico” (1).

O que ocorreu é que a Mitologia deu origem à Filosofia, cambiando o sacro pelo laico, o que, evidentemente, alterou radicalmente o processo do pensar. Sobre o tema, introduz-nos Pessanha: “durante muito tempo o problema do começo histórico da Filosofia e da Ciência Teórica foi colocado em termos de relação Oriente versus Grécia. Desde a própria antiguidade, confrontaram-se duas linhas de interpretação: a dos orientalistas, que reivindicaram para as antigas civilizações orientais a criação de uma sabedoria que os gregos teriam depois apenas herdado e desenvolvido; e a dos ocidentalistas, que viam na Grécia o berço da Filosofia e da Ciência Teórica (2). Quando Hesíodo descreve os persas, há a descrição da cultura oriental com fatos tais como o estudo dos astros pelos babilônicos, o da matemática pelos egípcios, o dos céus pelos caldeus ou a criação da moeda pelos fenícios. Platão e Aristóteles insistem que tais ideias foram apropriadas pelos gregos, porém isto não quer necessariamente dizer que a Filosofia é oriental. O primeiro motivo é a ideia de que o Oriente é um lugar mítico e especial, por ter sido lá que o ser humano apareceu, como criação direta dos deuses, na metáfora da idade do ouro. O segundo, é que o pensamento filosófico é perturbador por questionar os deuses e as instituições; assim, uma ideia de tradição, funciona como uma espécie de salvaguarda contra possíveis ataques. As cosmogonias orientais são então, retomadas pelas cosmologias gregas.


·         Quais os motivos da mitologia causar tamanho interesse hoje, como vemos em livros, filmes e séries de TV?

O ser humano sempre necessitou de um ambiente projetivo onde pudesse ver-se e antes de tudo reconhecer-se ao observar fora si os arquétipos atemporais de sua mente em funcionamento. Este espelho sempre foi-nos apresentado pelas artes. Na Pré-História reuníamo-nos em torno do fogo em contávamos histórias com encenações dramáticas e desenhos nas paredes das cavernas. Na Grécia Antiga os aedos, menestréis ambulantes, cantavam os feitos dos heróis e dos deuses. Na Idade Média, os bardos cantavam os feitos dos reis e os padres contavam sobre a vida dos santos. A Literatura ocupou-se da tarefa de manter vivas todas estas histórias, desde contos de fadas seculares para as crianças, até deuses e heróis para jovens. O cinema e a TV hoje em dia são responsáveis por levar ao grande público estes temas eternos e de despertar a curiosidade sobre a Mitologia. No entanto, noto quer muitas vezes há uma deturpação muito grande feita em nome de uma suposta maior aceitação das plateias e, particularmente, entendo esta deturpação como um grande desserviço: uma pessoa vai ao cinema e espera conhecer, ainda que superficialmente, a história de Perseu e na verdade recebe uma narrativa completamente modificada, onde apenas o nome "Perseu" foi mentido. Claro que desde sempre "quem conta um conto aumenta um ponto" e que novas versões devem ter espaço para modernizarem o mito; mas deve haver um certo respeito para com o centro do mito e suas características básicas e noto que muitas vezes este respeito não existe. No teatro, eu mesmo tive a oportunidade de participar de várias adaptações de mitos que receberam roupagens contemporâneas e novos ressignificações, mas a essência do tema central e os valores psíquicos intrínsecos foram preservados.

·         Ainda é possível perceber algum legado da mitologia em nossos hábitos?

No Renascimento, Galileu Galilei foi o primeiro a levantar a necessidade de que se provassem as teorias filosóficas através da experimentação. A Filosofia então passaria lentamente a tornar-se obsoleta e cederia seu lugar à Ciência. René Descartes rompe com o passado e inaugura sua visão de mundo em que as tradições filosóficas já não mais queriam dizer nada. O Ser Humano passou a procurar desesperadamente provas concretas e experienciáveis (reprodutíveis) de que suas teorias são de fato. Nasceu o Método Científico e com ele um importante passo em direção à laicização do pensamento foi dado. Atualmente a Ciência é bastante confiável e goza de largo crédito junto ao público especializado e leigo, ao passo que as explicações filosóficas estão, digamos, um tanto "fora de moda". Quando se diz hoje em dia que algo é "científico", a maior parte das pessoas entende que se trata da mais pura e irrefutável verdade;  quando, de fato, deveria entender que se trata de um resultado obtido através do Método Científico, ou seja: da tentativa e do erro e da experimentação. Se já existem "narizes torcidos" para as ideias filosóficas quando confrontadas às ideias científicas, as ideias mitológicas como explicações para os fenômenos naturais estão totalmente fora de cogitação hoje em dia e beiram o absurdo. A laicização do pensamento é tal que há quem diga que os mitos formam um conjunto que deveria receber o nome de "MINTOlogia".

Existe então uma espécie de preconceito generalizado contra os pensamentos não-científicos, especialmente contra os métodos filosóficos especulativos e o pensamento mítico. Porém, o estudo da Mitologia não pode ser visto com um interesse meramente histórico. Além de ser a chave para o entendimento de grande parte da produção artística de todos os séculos, uma vez que pintores, escritores, dramaturgos e compositores sempre basearam suas obras em mitos, especialmente gregos; a Mitologia Grega é a também a base do pensamento ocidental e guarda em si a chave para o entendimento de nosso mundo, de nossa mente analítica e de nossa psicologia. Ao se comparar a Mitologia Grega com as demais mitologias (africanas, indígenas, pré-colombianas, orientais, etc) descobre-se que há entre todas elas um denominador comum. Algumas vezes estaremos frente aos exatos mesmos deuses, apenas com nomes diferentes, sem que exista nenhuma relação histórica ou geográfica entre eles. Este material comum a todas as mitologias foi descoberto pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e foi por ele denominado de "Inconsciente Coletivo". O estudo deste material revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Os mitos são atemporais e eternos e estão presentes na vida de cada ser humano, não importa em que tempo ou em que local.

O estudo da Mitologia torna-se então essencial a todo aquele que pretende entender profundamente o ser humano e sua maneira de ver o mundo. Os deuses tornam-se forças primordiais da natureza psíquica humana e readquirem vida e poder. Nota-se a sua utilização no cotidiano em cada pequeno detalhe. A existência real dos deuses mitológicos antigos em todas as suas roupagens étnicas reafirma em última instância a ideia de divindade em si: através dos deuses encontra-se a "ideia de Deus" e, através dela, Deus em toda sua misteriosa ambiguidade. A Mitologia transfere o conhecimento humano de um plano meramente materialista (científico) para um plano psíquico vivo (Inconsciente Coletivo) e deste, para um derradeiro plano espiritual. O desafio está em realizar a verdadeira "religião": a "religação" do mundo externo ao mundo interno, do concreto ao abstrato, do material ao espiritual, do mortal ao imortal e eterno.

·         Qual a sua sugestão de leitura para quem se interessa por esse temática?

Em qualquer livraria encontram-se facilmente inúmeros livros sobre mitologias de todas as origens; no entanto, nem sempre se pode confiar em qualquer livro que, apesar de bem intencionados, por vezes apresentam discrepâncias importantes ou trazem discussões superficiais ou nenhuma discussão. Num âmbito nacional, eu entendo que Junito de Souza Brandão seja uma referência bastante segura e ampla sobre a Mitologia Grega e seus campos de debate e recomendo a leitura de sua coleção em três volumes "Mitologia Grega" (3). Deste mesmo autor, costuma ser bastante útil o "Dicionário Mítico-Etimológico Da Mitologia Grega" (4). Na Internet igualmente há muitos sites sobre o assunto e que, igualmente, nem sempre são confiáveis. Um extremamente bem feito e que está cima de qualquer suspeita é o do Prof. Wilson A. Ribeiro, chamado "greciantiga.org" (5).






Referências:

1.            Vernant, J.P.;  Mito e Pensamento entre os Gregos”,
                Cap. VII Difusão Européia do Livro,
                Ed. Da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1973

2.            Pessanha, J. A. M.et cols.;
                História das Grandes Ideia do Mundo Ocidental,
                Introdução; in Os Pensadores, vol. I.
                Ed. Abril Cultural, São Paulo, 1972.

3.            Brandão, J. S.;
                Mitologia Grega, vols 1, 2 e 3.
                Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1986

4.            Brandão, J. S.;
                Dicionário Mítico-Etimológico Da Mitologia Grega, vols 1, 2 e 3.
                Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 2008

5.            http://greciantiga.org/


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