17 Setembro 2009

A Terceira Lâmina


Zé Ramalho



É aquela que fere
Que virá mais tranqüila
Com a fome do povo
Com pedaços da vida
Como a dura semente
Que se prende no fogo
De toda multidão
Acho bem mais
Do que pedras na mão...


Dos que vivem calados
Pendurados no tempo
Esquecendo os momentos
Na fundura do poço
Na garganta do fosso
Na voz de um cantador...


E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar...


Acho que os anos
Irão se passar
Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a idéia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador...

30 Agosto 2009

A Idade do Ego

Bernardo de Gregorio
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta



No Século XX Andy Warhol disse que todo mundo teria seus quinze minutos de fama. De fato todos tiveram. O problema é que parecem ter gostado da tal fama e agora, no Século XXI, agem como se ainda vivessem estes tais quinze minutos. As pessoas se embriagam de si mesmas, numa “ego trip” surreal e a Internet colabora em muito para isto, possibilitando que você “broadcast yourself”, blogando sua vida no Twitter em tempo real, tornando-se astro instantâneo de si mesmo. Tudo bem que isto é a democratização dos meios, mas está havendo algum exagero nisso, ou sou apenas eu que noto?

É impressionante como hoje em dia as pessoas se dão o direito de baixarem decretos por sua própria conta e risco e imaginam que pelo simples fato de terem solenemente declarado “eu não gosto disto” ou “eu acho isso”, pronto! A realidade e todos os seres do mundo se dobram frente sua nobilíssima opinião. Ninguém, precisa mais embasar sua fala em argumentos, autoridade ou conhecimento. Basta falar e já está. Vivemos a idade do “achismo”.

“Quem sou eu?”, “até onde vai o que eu sou e onde começa o outro?”. Na atualidade, estas perguntas que sempre afligiram a Humanidade foram todas resumidas num simples “e interessa?”. Nossa sociedade consumista é egocêntrica, egodirigida e egocrática. O que há é que todos têm muito medo de se relacionar e se escondem em seus mundinhos herméticos e individuais. O egocêntrico procura se isolar do mundo através de um universo próprio onde geralmente está cuidando de um problema psicológico interno muito mais importante do que as agruras da Humanidade. Como “Narciso acha feio o que não é espelho”, a regra é “concorde ou será excluído”.

Narciso era uma criança tão bela que fez com que sua mãe se preocupasse. Sim, porque na Grécia Antiga a beleza não era considerada uma virtude, mas uma espécie de maldição. Por mais belo que alguém possa ser, esta é obrigatoriamente uma beleza mortal, passageira e funciona sempre como uma afronta à beleza eterna dos deuses. Em sua preocupação, a mãe de Narciso procurou o oráculo que revelou um futuro ambíguo para a criança: se ele jamais visse sua própria imagem, seria feliz. Narciso então cresceu sem nunca saber de sua impressionante beleza.

Apesar dos inúmeros assédios (como se pode imaginar), Narciso era solitário e tristonho e não conseguia se relacionar. Um dia, tendo ido pegar água numa fonte, ao debruçar-se, viu seu reflexo pela primeira vez. Deslumbrado com tamanha beleza que se descortinava, largou se cântaro e ficou observando por horas, sem nem desconfiar de que se tratava de sua própria imagem refletida.

Naquela fonte habitava uma ninfa de nome Eco. Eco havia sido amaldiçoada pelos deuses em outro episódio e desde então não podia mais falar espontaneamente: apenas repetia as últimas palavras que lhe foram ditas. Eco vê Narciso ali embevecido com as águas da fonte e se interessa por aquela bela figura. Tenta chamar-lhe a atenção sem sucesso. “Saia daqui! Não lhe quero”, disse Narciso; a que Eco respondeu: “...lhe quero, ...lhe quero”. O triste Narciso, sem nunca notar que na realidade estava apaixonado por si mesmo, num impulso atirou-se n’água tentando alcançar a bela imagem e morreu afogado. Eco desapareceu no ar de tristeza e hoje em dia, quem passa por aquela fonte ainda pode ouvir a pobre Eco repetindo as últimas palavras que foram ditas.

Inspirado neste mito, foi criado o termo “reverberação narcísica” para descrever um estado psicológico peculiar e doentio de uma pessoa embriagada de si mesma. Não se trata aqui do narcisismo comum, quando alguém vive do auto-elogio, mas sim de alguém triste e solitário que nem ao menos sabe que está apaixonado por sua própria imagem: uma ilusão, uma miragem. Seus relacionamentos se resumem a pessoas que são ecos de si e repetem sempre as últimas palavras que são ditas.

É neste estado de reverberação narcísica que nossa sociedade se encontra: alguns somos Narcisos, outros somos Ecos, todos somos infelizes e solitários. Solitários acompanhados, é certo. Solitários na multidão, mas inevitavelmente solitários. O homem contemporâneo sofre de solidão crônica. O universo gira em torno de nossos umbigos. Os medos crescem e tomam conta da totalidade de nossas vidas. Pânico, depressão, angústia. Somos personagens sufocadas por papéis sociais, pela moral, pelo trabalho, pelo vazio, acima de tudo, pelos nossos próprios egos.

O homem atual, apesar de toda tecnologia, apesar dos avançados científicos, apesar do progresso, sofre de falta de calor. Falta-lhe o calor do contato humano, o calor da afetividade real, o calor da espiritualidade verdadeira. O Super-Homem é um esfomeado. Tenta, em vão, aplacar sua fome com uma profusão de estímulo absolutamente ineficazes: o álcool, as drogas, a comida, o consumismo, o excesso de trabalho, o status social, o sexo, a internet. O Super-Homem é um Tântalo moderno, que já não possui a capacidade de se saciar.

João Carlos Antunes em sua “Metafísica do Património” nos diz que “o património tem que ver com o terreno, e, por consequência, com essa irrevogável transitoriedade de tudo o que se concretiza em matéria: ‘tu vens do pó e em pó te tornarás!’. Considerado enquanto conjunto de bens terrenos, isto é, ‘ligados à terra’, existe sempre subjacente, uma infra-estrutura relacional de causa e efeito entre poder e ser em todas as suas vertentes e combinações imagináveis. Atribuímos frequentemente uma importância decisiva ao nosso conceito de posse enquanto extensão consequente de vida; mas também dela subsequente, enquanto faces de uma mesma moeda, numa inextricável promiscuidade do poder e do ter, do possuir para ser. Diremos então que neste domínio, inseparável da vida é a posse, porque na afirmação da vida terrena existe a ansiedade da morte, a ansiedade do limite para além do qual é o caos, o nada, a astenia. Mas também, por paradoxo, porque é justamente neste limite, ou seja adentro deste limite, que nos confirmamos enquanto indivíduos, ainda que por vezes de forma equívoca, narcísica, nebulosa, turbilhonante, é certo, mas ainda e assim mesmo, é adentro dele e nele que nos conseguimos consubstanciar. Temos portanto o limite como nosso reflector, como nossa referência, reverberação de nós mesmos, enquanto outros, e dos outros enquanto nós”.

Podemos deduzir que é através da reverberação narcísica que se dá a valorização da posse e, portanto, abre-se uma brecha para aumentar o consumo. Desta forma se soluciona o mistério: eis porque nossa sociedade valoriza e incentiva tanto a reverberação narcísica. A conta é simples: reforce o ego de uma pessoa e ela precisará de mais reforço para sentir-se bem. Associe este reforço ao patrimônio e ela se tornará materialista. Direcione este materialismo para bens de consumo e ela comprará mais.

Um desejo é algo desvinculado da realidade, sem maiores implicações; uma necessidade, justo ao contrário, é uma urgência imperiosa que se impõe como condição de sobrevivência a um indivíduo e uma vontade, típica do Ser Humano, é a livre expressão deliberada na realidade concreta da alma de um indivíduo autoconsciente. Porém, atualmente, é dificultoso que se saiba quais destes desejos, destas necessidades e destas vontades são genuínos e quais foram simplesmente implantados em nossa mente através de um sutil mecanismo subliminar de pura e simples propaganda. Isso mesmo: um “desejo”, uma “necessidade” ou uma “vontade” totalmente fictícios podem ser implantados em nossa mente, sem que ao menos tenhamos consciência de que isso ocorreu.

Precisamos de água, comida, abrigo e pouco mais. Porém, será que um Ser Humano pode se contentar com a satisfação dessas necessidades? Também não fazem parte destas mesmas necessidades básicas humanas o contato interpessoal, por exemplo, ou uma noção de Espiritualidade ou ainda a possibilidade da expressão? Valendo-se desta área nebulosa que existe na alma humana, o assim chamado Marketing pode criar “necessidades” que antes não existiam ou transformar necessidades reais em necessidades absolutamente fictícias. Igualmente a Propaganda é capaz de direcionar estas pseudo-necessidades e ao redor delas produzir desejos que por fim geram “vontades” que em última análise não refletem a Vontade do próprio indivíduo, mas refletem a vontade de um sistema que as implantou em sua alma.

Valendo-se então deste jogo psicológico muitíssimo eficaz, porém discreto, a Propaganda e o Marketing fazem com que as rodas da sociedade de consumo do Século XXI continuem rodando e fazendo funcionar esta máquina desgovernada que se alimenta de carne humana. Tal qual um Mefisto contemporâneo, o consumismo troca prazeres fictícios pela posse de nossa alma imortal. Lestrigões, banqueteai-vos enquanto há tempo! Chafurdai nas excrescências da sociedade humana e saciai vossa sede de sangue hoje, pois talvez amanhã Nêmesis já terá vos levado a todos para uma existência menos abundante num local onde as vítimas sejam menos ingênuas.

Se ao menos por um único instante pudéssemos perceber que a felicidade está dentro de nós e não naquilo que elegemos como objetivo de vida. Se pudéssemos resgatar este centro divino, o verdadeiramente humano, este calor. Se pudéssemos, abriríamos mão de bom grado de todo o avanço tecnológico, de toda sociedade e suas estruturas morais , todo o conhecimento contemporâneo, e seriamos felizes, ao sermos criativos, lúdicos e espontâneos. Crianças. Humanos que humanizam seres humanos e o mundo à sua volta. As atividades humanas só são validas quando feitas com calor humano. Se compreendêssemos isso, aí sim, este seria um admirável mundo novo e não estaríamos errantes e a ponto de nos destruir e ao planeta que habitamos. Se compreendêssemos...



13 Junho 2009

Quantum


Quantum: um salto para a evolução

Por Bernardo de Gregorio



A nossa consciência tem maior peso sobre nós mesmos do que a opinião do mundo inteiro. O meio externo em que vivemos, sem sobra de dúvida, é um fator de grande influência, mas nosso meio interno pode e deve ser o elemento de maior peso. Sob este prisma, a questão não é “salvar a natureza”, pois a Natureza é a essência constante que define a existência do nosso sitema particular. A questão não é “o que podemos fazer pelo planeta”, pois o planeta é uma entidade auto-existente que cumpre sua trajetória no espaço-tempo, independentemente da ação humana. A questão não é “preservar o meio ambiente”, pois o meio ambiente, amigável ou hostil, sempre seguirá existindo. A questão não é “economizar energia”, porque a Lei da Conservação de Energia estabelece que a quantidade total de energia em um sistema isolado permanece constante e tal energia apenas pode mudar de forma. A questão não é “que mundo deixaremos para nossos filhos”, mas sim “existirão nossos netos neste mundo?”. A questão é pois: “o que deve ser mudado em nossa consciência para que passemos a agir de forma a propiciar nossa própria evolução e não nosso auto-aniquilamento?”.

Exatamente: a questão ecológica é muito mais uma questão existencial humana e muito menos um problema global. Lembrem-se: a Terra sobreviveu à extinção dos dinossauros e antes disto já havia sobrevivido a outras tantas extinções em massa. Isto quer dizer que pode sobreviver tranquilamente a mais uma “fase crítica”. A Humanidade é que se encontra num limiar delicado para sua própria sobrevivência e a resposta às questões sobre o destino da Humanidade encontram-se numa possível transformação, de dentro para fora, desta mesma Humanidade. A grande pergunta é então “de que natureza deve ser esta mudança específica para que seja efetiva?”. A resposta possível me parece uma só: de natureza espiritual.

A Espiritualidade é uma dimensão da pessoa humana que traduz o modo de viver característico que busca alcançar a plenitude da sua relação com o Transcendente. Segundo George Brown, a Espiritualidade “traduz uma dimensão do Ser Humano que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração”. Espiritualidade é um estado de consciência; é reconhecer em si a Vida, e a mesma Vida em tudo e em todos. É consciência não-condicionada pela mente. É consciência livre da mente, para ser o que é: não aquilo que pensamentos e crenças dizem ser. As palavras em um ensinamento espiritual apenas apontam para o estado de consciência essencial do ser humano. Alcançado esse estado de consciência, o Ser Humano vive a vida na Terra a partir dessa liberdade, expansividade e maestria sobre a realidade interna e externa, pois está alinhado com a essência daquilo que o criou: a vasta inteligência criativa que permeia e dá Vida a todo o Universo. Refiro-me a esta natureza espiritual.

Nossa sociedade está desesperadamente em busca de sua própria natureza espiritual e não sabe nem ao menos que é exatamente isto que lhe falta. Devaneia em busca de uma resposta exterior que lhe supra as necessidades. Arrogante, imagina que seu problema particular se estende a todo o planeta e diz: ”salvemos a natureza!”. A poluição atmosférica não é problema. O problema é a poluição do Pensar que gera o modo de vida que causa o efeito estufa. A escacez de alimento não é problema. O problema é a represssão psíquica individual, a “fome” do Sentir que se reflete na estruturação injusta da nossa sociedade e nos impede de reconhecer nosso semelhante como tal e que causa a fome no mundo. O lixo não é problema. O problema é o descontrole infantil e absurdo do Querer que nos leva ao consumo e ao descarte, excrescências da atividade humana e estas, à degradação do meio ambiente. Como se resolvem estes problemas? Pensando, sentindo e querendo adequada e equilibradamente.

Tendo testemunhado o crescente uso de tranquilizantes e álcool no século XX, Bernard Lievegoed em seu livro “O Homem no Limiar” faz uma ampla exposição a respeito do "cruzamento do limiar", vivido pela humanidade contemporânea. Que limiar é esse? Nada mais, nada menos do que as duas realidades inacessíveis aos sentidos humanos comuns: a essência das coisas exteriores e o âmago do próprio ser. A transposição consciente das barreiras que aí se impõem, confere a segurança necessária a essa decisiva travessia. Sem drogas, sem gurus, sem artifícios de qualquer espécie - eis como o homem de hoje deve defrontar-se com esses instigantes portais.

“O uso de reagentes bioquímicos ou de drogas tornaria possível aos seres humanos provarem o sabor da experiência mística? Nada pode ser mais errado nem estar mais distante da resposta verdadeira”, diz-nos o sábio indiano Gopi Krishna em seu livro “O Despertar da Kundalini”. E continua: “não há dúvida de que a experiência mística implica essencialmente numa transformação biológica do cérebro, mas essa transformação é do mesmo tipo da concepção e do crescimento de um embrião. (...) O estado místico autêntico assinala uma mudança na profundidade e toda a personalidade humana e o desenvolvimento de uma nova percepção. (...) Acreditar que métodos superficiais, tais como drogas, hipnose, meditação orientada, mantras ou estados mentais passivos e sonolentos possam levar à iluminação é ter um conhecimento superficial da experiência mística. A experiência mística, mesmo quando esporádica, denota um salto para uma dimensão mais ampla da consciência que é o alvo da evolução humana”.

“A inextinguível centelha da indagação no ser humano jamais terá repouso feliz enquanto não encontrar a resposta para seus próprios problemas”, continua Gopi Krishna. “Tal resposta jamais poderá vir do intelecto, que já está cambaleando sob o peso dos conhecimentos que reuniu até momento presente. Mas sim virá através de um canal superior de percepção mística, canal que a humanidade deve desenvolver para realizar seu destino”. Diz ele ainda em outra parte: “toda a trama da vida humana, suas estruturas sociais, políticas, religiosas e educacionais, terá de ser remodelada para se adaptar a esta necessidade. O cultivo da mente e o rearmamento moral são os dois ingredientes mais essenciais para esse inevitável reajustamento. A humanidade encontra-se agora frente a frente com a situação mais crítica de sua carreia evolutiva: uma situação que pede reflexão, calma, estudo e pesquisa e não expedientes aleatórios que estamos adotando no momento”.

Este “despertar” a que Gopi Krishna e Bernard Lievegoed se referem, faz-se “à moda quântica”. Quantum, do Latim (plural: quanta), "quantidade”, é termo genérico que significa uma quantidade, usualmente elementar, unitária, de algo de natureza qualquer, abstrata ou concreta. Na Mecânica Quântica, esta palavra refere-se a uma unidade indivisível que a Teoria Quântica atribui a certas quantidades físicas, como a energia de um elétron ligado a um átomo em repouso, por exemplo. A descoberta de que as ondas eletromagnéticas podem ser explicadas como uma emissão de “pacotes de energia” chamados quanta (estas unidades descontínuas) conduziu ao ramo da Física que lida com sistemas atômicos e subatômicos. Este ramo da Física é chamado hoje Mecânica Quântica. Segundo esta visão, em determinados sitemas, como por exemplo o elétron girando ao redor do núcleo de um átomo, a energia não se troca de modo contínuo, mas sim de modo descontínuo, em “saltos”, em transições cujas energias podem ou não ser iguais umas às outras. Por analogia, podemos dizer que o “despertar” da consciência humana, se possível, apresentar-se-á num “salto quântico”.

A questão agora é então: “onde está a chave, qual este quantum, que é capaz de proceder à transformação necessária?”. Existe uma idéia muito difundida por aí de que se um certo número de pessoas, uma quantidade padrão chamada de “massa crítica”, adquire um conhecimento ou hábito, então toda a Humanidade vai adquirir também. A lenda afirma que se um número suficiente de pessoas pensar qualquer coisa, então um "campo mental" formado pelos pensamentos de todas essas pessoas será tão grande que contagiará todas as outras pessoas. Algo como se fosse uma “osmose mental”. Não é a isto que me refiro. Refiro-me a um salto quântico da consciência pessoal, individual. Tal salto ocorre em cada indivíduo, de forma absoltamente independente dos demais. Evidentemente é a somatória destes saltos isolados de consciência que significará a evolução da Humanidade no coletivo. Evidente também é que há uma influência direta sobre o comportamento das massas proveniente do comportamento de determinadas pessoas-chave, “formadores de opinião”, e do da maioria da população sobre minorias “resistentes”. Mas a mudança essencial não ocorrerá por mágica: é necessário que a cultivemos em nós, cada qual dentro de si mesmo. No caso, a mudança ocorrerá ao trabalharmos sobre a qualidade da nossa própria consciência, para, através dela, transformarmos nossos atos e, através deles, o mundo.

Mesmo com a confissão do criador desta idéia de “massa crítica” de que a história toda foi inventada, muitos preferem acreditar no eufemismo de que podemos mudar o mundo sentados em nossa casa pensando coisas boas, ao invés de "botar a mão na massa" e agirmos pela melhoria da realidade. Para piorar a tendência à inércia, há também o mito de que no ano de 2012, segundo o Calendário Maia e profecias afins, uma grande transformação resgatará a Terra (ou a Humanidade). Eu até concordo que por volta desta data estaremos sim provavelmente enfrentando uma grande quantidade de “catástrofes”, que nada mais serão do que as consequências de nosso descaso para com a Humanidade e seu destino. Catástrofes estas que serão, pois, fruto do nosso egoísmo, de nossos delírios infantis de poder e auto-afirmação, de nossa cegueira para com nossa verdadeira essência espiritual. Porém, que isto per se leve à elevação quântica da consciência humana, eu duvido muito. As catástrofes nos levam à destruição e não à evolução como espécie. A Lei da Seleção Natural obriga que os menos adaptados pereçam e apenas os adaptados sobrevivam. Na atualidade a espécie deste planeta que se apresenta mais adaptada e, portanto, fadada à sobrevivência, são as baratas!

É preciso processar esta mudança qualitativa no cerne de nossa consciência individual o mais rapidamente possível e de uma vez por todas. O processo evolutivo tem um movimento constante e no plano cósmico tem uma velocidade uniforme. Porém apresenta-se de modo diferente no plano individual, pois depende do estado de ampliação da consciência espiritual de cada indivíduo, a qual se reflete na capacidade de pensar, sentir e agir, ou seja, no nosso livre-arbítrio. “É certo”, diz-nos Ramacháraca em seu livro “Catorze Lições de Filosofia Iogue”, “que em muitos homens e mulheres, a mente espiritual se revela lenta e gradualmente, e ainda que a pessoa possa sentir um constante aumento de conhecimento e consciência espiritual, pode não haver experimentado uma notada e repentina mudança. Outros têm tido momentos do que é conhecido como iluminação, nos quais se acreditavam elevados quase fora do seu estado normal, e lhes parecia passar a um plano de existência ou de consciência mais elevado. Estas experiências pessoais os deixavam mais ‘adiantados’ do que antes, ainda que não pudessem trazer à sua consciência uma clara recordação do que haviam experimentado, enquanto se encontravam nesse exaltado estado da mente. Esses fenômenos, por assim dizer, espirituais têm-se dado com muitas pessoas, em diferentes formas e graus, de todas as crenças religiosas, e têm sido geralmente associadas a algum aspecto da crença religiosa particular, professada pela pessoa que experimenta a iluminação. Mas muitos reconhecem todas essas experiências como diferentes formas de uma só e mesma coisa - o amanhecer da consciência espiritual - o desenvolvimento da mente espiritual”.

“Alguns escritores têm chamado a esta experiência consciência cósmica”, continua Ramacháraca, “nome muito apropriado, pois a iluminação - pelo menos em seus aspectos mais elevados - põe o indivíduo em contato com a totalidade da Vida, fazendo sentir uma sensação de parentesco com toda a Vida, alta ou baixa, grande ou pequena, boa ou má”. É exatamente esta noção cósmica que arrebata o centro da consciência do ego e de suas distorções, para uma visão ampliada e generalista que tende a harmonizar o indivíduo e o Universo: a essência das coisas exteriores e o âmago do próprio ser. “A alguns, essas experiências chegaram como um profundo sentimento de reverência que tomou completa posse deles, por alguns momentos ou mais tempo, enquanto que a outros se afigurava que se achavam num sonho e chegaram a ser conscientes de uma exaltação espiritual, acompanhada de uma sensação de estar circundando os compenetrados por uma luz brilhante. Essas experiências produzem uma mudança na mente daquele que passa por elas e que depois nunca torna a ser o mesmo que de antes”. Eis a chave quântica para a transformação necessária.

Diz a tradição hinduísta que o processo evolutivo de cada indivíduo está (ou deveria estar) baseado nos princípios dos Purusharthas: Dharma (ética e dever), Artha (conquista da matéria), Kama (conquista emocional) e Moksha (libertação em vida). É dito que todos os homens seguem o Kama (prazer, físico ou emocional) e Artha (poder, fama e riqueza), mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes desejos, com o Dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O objetivo maior é infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, Moksha, ou liberação do ciclo da vida, morte, e da existência dual.

Desta feita, sugiro ao leitor que gaste um pouco de seu tempo e que se faça as seguintes perguntas, procurando em si mesmo respostas tão francas e honestas quanto permitir sua própria consciência. Medite sobre o resultado deste exercício.
  • Que parte de mim eu desconheço?
  • Que parte de mim sente-se constantemente sufocada, angustiada e constrita?

  • Que parte de mim eu evito encarar quando evito me envolver emocionalmente com o sofrimento de meu semelhante?

  • Que parte de mim é esmagada por minhas constantes auto-críticas e culpas?

  • Que parte de mim é egoísta demais para perceber a existência dos demais seres à minha volta?

  • Que parte de mim é contida pelo medo que gela minha alma?

  • Que parte de mim eu procuro reprimir quando me entrego a intermináveis rituais de luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e soberba?

  • Que parte de mim guarda em si a chave quântica que pode mudar minha consciência?

  • Que parte de mim é eterna?

24 Maio 2009

Kymatica




Kymatica 2: http://www.youtube.com/watch?v=crBgsNawq3U&feature=related
Kymatica 3: http://www.youtube.com/watch?v=Czc5EZSGBZA&feature=related
Kymatica 4: http://www.youtube.com/watch?v=KNtDDhJgcuM&feature=related
Kymatica 5: http://www.youtube.com/watch?v=qcyvGQD1VHc&feature=related
Kymatica 6: http://www.youtube.com/watch?v=8PdrjnOjOSE&feature=related
Kymatica 7: http://www.youtube.com/watch?v=hZmtlOikdGE&feature=related
Kymatica 8: http://www.youtube.com/watch?v=m87P2es5-Yg&feature=related
Kymatica 9: http://www.youtube.com/watch?v=PhN6Q5o_K0Y&feature=related

21 Abril 2009

22 de Abril: DIA DA TERRA



Terra, Terra...
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria


















































O caminho que pode ser seguido
Não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No principio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.





26 Março 2009

Nefertite


por José Félix



Nefertite repousa nos meus olhos...
Ao leve toque dos papiros no jardim
mantém a beleza que Tutmósis realçou
para que vivesse trinta e quatro séculos,
honra dada por Áton a quem serviu.

Ptah em Mênfis terá enviado o boi Ápis
a Tel-el-Amarna para que fizesse eterna
a beleza polícroma da mulher de Icunáton
nos sinais efêmeros, olhar longo.

A serenidade interior do rosto de Nefertite
que o artesão amarniano prolongou
faz mais simples a pressa da existência.
O que fica são os lábios no início do sorriso...

Por enquanto Nefertite é que lembra
Icunáton no governo do povo do Egito.
Após outro olhar pelo jardim palimpsesto
saberei se a rainha sobreviveria sem Icunáton e a protecção de Áton.

Ambos foram levados por Anúbis
para a eternidade das sombras.


21 Março 2009

O que é afinal Ayahuasca

Por Bernardo de Gregorio
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta





Ayahuasca, nome quíchua de origem inca que significa "cipó dos espíritos" ou “vinho das almas”, refere-se a uma bebida sacramental produzida a partir da decocção de duas plantas nativas da floresta amazônica: o cipó Banisteriopsis caapi (caapi ou douradinho) e folhas do arbusto Psychotria viridis (chacrona). Utilizada pelos incas e também por pelo menos setenta e duas tribos indígenas diferentes da Amazônia, o ayahusca é empregado extensamente no Peru, Equador, Colômbia, Bolívia e Brasil. Seu uso está se expandindo pela América do Sul e outras partes do mundo com o crescimento de movimentos religiosos organizados, sendo os mais significativos o Santo Daime, A Barquinha, União do Vegetal e Irmandade Natureza Divina, além de dissidências destas e grupos (núcleos ou igrejas) independentes que o consagram como sacramento de seus rituais.

Segundo algumas correntes de defensores do seu uso religioso e ritualístico, a ayahuasca não seria um alucinógeno, preferindo eles utilizar o termo “enteógeno” (do Grego: en- = dentro/interno, -theo- = deus/divindade, -genos = gerador), ou "gerador da divindade interna", uma vez que seu uso se dá em contextos ritualísticos específicos. No entanto, a opção sócio-cultural do usuário ou a tolerância religiosa de alguns países ao seu princípio ativo, o N,N-dimetiltriptamina (DMT), não altera sua classificação, uma vez que o objetivo continua sendo o de induzir visões pessoais e estados alterados de consciência por meio da ingestão de uma substância.

O DMT é metabolizado pelo organismo por meio da enzima monoamina-oxidase (MAO), e não tem efeitos psicoativos quando administrado por via oral. No entanto, o caapi possui alcalóides capazes de inibir os efeitos da MAO: harmina e harmalina (antigamente conhecida como telepatina), principalmente. Desse modo, o DMT fica ativo quando administrado por via oral e tem sua ação intensificada e prolongada, acarretando um aumento nos níveis de serotonina, efeito psicobiológico similar ao chamado “ekstasy” (MDMA). Não há evidências de dependência física, por não haver síndrome de abstinência conhecida, apesar de terem sido registrados episódios depressivos na abstinência. Porém, a necessidade intrínseca do uso da planta em todos os ritos para se atingir estados alterados pode ser entendida como manifestação de uma dependência psíquica bastante estimulada pelo contexto religioso e social. É sabido também que há uma tendência dos adeptos em aumentar a aciduidade aos rituais, seja por uma dependência químico-psíquica, seja pela adesão religiosa ao culto.

Não há dados científicos que indiquem riscos em relação à saúde física, havendo alguns estudos preliminares que apontam para a não-toxicidade. Porém, há constantes relatos de vômitos, diarréias e sudorese em alto percentual dos que a experimentam, o que sugere tentativas do corpo em expelir a substância. O uso contínuo parece favorecer uma tolerância química ao princípio ativo e conseqüente diminuição da intensidade dos sintomas. Em alguns casos, a ingestão pode levar a sensação de medo e perda do controle, levando a reações de pânico. Na maior parte das vezes tais reações passam junto com o efeito da bebida, sem necessidade de atendimento médico, mas foram descritos casos de intoxicação mais grave com síndrome de pânico e psicose induzida.

O consumo da bebida pode desencadear quadros psicóticos em pessoas predispostas a essas doenças, ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas tais como transtorno bipolar e esquizofrenia. Há significativo risco de surtos psicóticos em indivíduos com predisposição genética. Pode ainda ocorrer persecutoriedade, fuga da realidade e alienação, além de dependência psíquica de moderada a grave. Foram descritas interações medicamentosas importantes com anti-depressivos, anti-histamínicos e benzodiazepínicos. Por causa da inibição da MAO causada pelo caapi, o uso de ayahuasca concomitante com a ingestão de produtos com elevadas concentrações de tiramina (uma amina metabolizada pela MAO), tais como banana ou queijos curados pode ser muito peigosa, levando a uma reação de intolerância ou a crises hipertensivas, dores de cabeça e até mesmo hemorragias cerebrais.

Por incrível que pareça, após 18 anos de estudos, o CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) do Brasil, retirou o ayahuasca da lista de drogas alucinógenas conforme portaria publicada no Diário Oficial da União em 10/11/2004 e a ONU emitiu um parecer favorável recomendando a flexibilização das leis em todos os países do mundo no que se refere ao ayahuasca; apesar da substância DMT – N,N dimetiltriptamina ou (3 [2-(dimetilamino)etil] ndol), ser um potente alucinógeno integrante da Lista I - Substâncias Proibidas, da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 e da Lista F2 – Substâncias de Uso Proscrito - Psicotrópicas, da Portaria SVS/MS nº 344/98. Esta substância é considerada psicoativa da classe das idolalquilaminas (e.g psicocilibina, psilocina, dietiltriptamina e LSD), podendo causar efeitos alucinógenos. Paradoxalmente as plantas em questão não constam em tratados internacionais e nem na Lista E – Lista de Plantas que podem originar Substâncias Entorpecentes e/ou Psicotrópicas, da Portaria SVS/MS nº 344/98.

O CONAD é órgão da SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas, entes que delineiam a política brasileira referente às drogas, definem o que é substância entorpecente para fins de persecução penal e representam o Brasil junto à comunidade internacional nos foros deliberativos acerca de drogas (prevenção, tráfico, repressão, consumo, etc). É destes órgãos a decisão de permitir o uso religioso da substância psicoativa conhecida, genericamente, como ayahuasca (mariri, yagé, caapi, natema, daime, vegetal, etc) em rituais religiosos a partir da verificação de que este uso: i) é expressão de religião ancestral, de origem indígena e anterior à formação da cultura ocidental judaico-cristã; ii) não há abuso nem dano à saúde mental e física em decorrência de seu uso religioso; iii) contribui para a afirmação da identidade cultural brasileira e, em especial, da Amazônia. No entanto, o uso urbano do ayahuasca é cada vez maior, em contextos que nada tem a ver com a “expressão de religião ancestral”. Muito pelo contrário: a maioria das religiões e seitas utilizam o ayahuasca em sincretismos que associam as tradições amazônicas a conceitos judaico-cristãos, africanos e até mesmo “new age”, incluindo culto a extra-terrestres!

"Ainda que exista uma tradição de consumo do ayahuasca em vários países da América do Sul, apenas no Brasil se desenvolveram religiões de populações não-indígenas que usam esta bebida. Religiões que usam esta beberagem reelaborando antigas tradições dos sistemas locais a partir de uma leitura influenciada pelo cristianismo", observa a antropóloga da Unicamp Beatriz Labate. O daime, para Mestre Irineu, ligava-se diretamente ao sacramento cristão, considerado como o sangue de Cristo. "O Santo Daime preserva o caráter sagrado de festa, dança e música, por meio dos hinos que os daimistas cantam no rito, do catolicismo popular. No seu panteão juntam-se santos católicos, figuras do universo afro-brasileiro e seres da natureza, como estrelas, o sol, a lua. Tudo misturado com doses de kardecismo, dentro de um espírito militar, de ordem e disciplina, que exige o uso de uniformes etc.", conta Beatriz. De início restritas à região amazônica, as religiões ayahuasqueiras hoje estão em todo o Brasil e em 20 países do globo, com direito a dissidências, como o Alto Santo e o Cefluris, ambas nascidas do Santo Daime, após a morte de Mestre Irineu. O Cefluris tem a particularidade de associar, ao daime, o uso da Cannabis sativa (maconha), levada pelos hippies nos anos 1970 ao culto e associada à Virgem Maria. "Inovações" como estas foram responsáveis pela ruptura entre os vários cultos que, apesar de comungarem dos mesmos credos e ritos, pretendem se diferenciar uns dos outros pelo ataque a supostas "impurezas" que seus diferenciais teriam no preparo ou no uso, não ritualístico, do ayahuasca.

Ao nosso ver, dois são os principais problemas no uso do ayahuasca: o primeiro deles é o caráter evidentemente psicotrópico alucinógeno da mistura das duas plantas que pode desencadear doenças psíquicas graves como surtos psicóticos esquizóides ou maníacos em pessoas predispostas ou levar ao abuso ou à dependência da substância. O segundo problema é criado pela alegada “cura” de determinadas doenças que os rituais se arvoram, o que pode não apenas ser enganoso, mas também retardar ou impedir que tratamentos efetivos possam ser instituídos. Tendo em vista estes dois problemas, o incentivo ao uso deste chá, com ou sem fins religiosos, é bastante perigoso e a divulgação de material, como abundantemente se encontra na Internet, que afirma a “inocuidade” das substâncias do ayahuasca deveria ser criminosa!

Na Carta de Princípios das entidades religiosas usuárias do chá hoasca as ditas entidades se comprometem incondicionalmente em não comercializar o chá, mesmo a seus adeptos. No entanto, na prática, o que ocorre é rotineiramente há a cobrança de uma “taxa” para a participação de um destes rituais com uso de ayahuasca. Sendo prática proibida pela legislação brasileira (artigo 284 do Código Penal brasileiro), o curandeirismo - prática de prescrever, ministrar ou aplicar, habitualmente, qualquer substância, bem como usar gestos, palavras ou qualquer outro meio (não inserido na prática médica) para cura ou fazer diagnósticos sem ter habilitação médica - deve ser evitado pelas entidades religiosas signatárias. O chá hoasca deve ser utilizado nos termos do que está exposto nesta Carta de Princípios, sendo os benefícios daí advindos tratados exclusivamente do ponto de vista espiritual, sem alardes publicitários que induzam a opinião pública e as autoridades a equívocos. Mais uma vez, não é isso que ocorre na prática: a divulgação de efeitos de “cura” do ayahuasca é notória! Diz a lei que “exercer o curandeirismo: i) prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância; ii) usando gestos, palavras ou qualquer outro meio; iii) fazendo diagnósticos, pode levar a pena de detenção de seis meses a dois anos e se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à multa”.

A mesma carta ainda grifa que “grande parte das controvérsias e contratempos em torno do uso do chá hoasca - inclusive junto às autoridades constituídas - decorre dos equívocos difundidos pelos veículos de comunicação. Isso impõe, da parte das entidades usuárias, especial zelo no trato das informações em torno do chá hoasca, aí incluídos rituais, preparos e doutrinas”.

Outra grande controvérsia são os efeitos da hoasca na gestação. Com o objetivo de investigar os efeitos do chá na gestação e no desenvolvimento de crianças nascidas de mães que o utilizaram durante a gravidez, um grupo de profissionais de saúde da UDV ligados ao Demec realizou na cidade de Fortaleza, Ceará, um estudo piloto retrospectivo, mas os resultados obtidos ainda necessitam de avaliação metodológica crítica e tratamento estatístico adequado para serem publicados.

Segundo os relatos dos usuários, a ayahuasca produz uma ampliação da percepção que faz com que se veja nitidamente a imaginação e acesse níveis psíquicos subconscientes e outras percepções da realidade, estando sempre consciente do que acontece - as chamadas mirações. Os adeptos consideram esse estado como supramental "desalucinado" e de "hiperlucidez". Caberia ainda finalmente a questão: de fato é necessário o uso de uma substância psicoativa para que o ser humano atinja a divindade? Não poderíamos nós, apenas contando com nosso organismo inalterado, desenvolver estes níveis superiores de consciência? Na verdade há diversas outras religiões e filosofias que afirmam que sim, como por exemplo todas as que se valem da prática do Yôga, em diversos estilos, e da Meditação Transcedental. Não são estes caminhos no mínimo mais confiáveis, mais sudáveis e mais naturais?

01 Março 2009




Você caminha pelo caminho dos grandes espíritos? Você consegue ser suas vozes? Você conta suas histórias? Suas peregrinações através do tempo e do espaço os conduzem até aqui, onde você está agora. Você vive suas idéias? Cada uma de suas respirações provém de outros mundos. Cada respiração une os mundos nos quais você esteve, está e estará e lhe reunifica com o aqui e com o agora, no momento em que você retém o ar.


Eu sou agora o grato acolhedor das décimas notas da fonte. A vocação está agora realizada. Eu sou agora a manifestação da minha vocação.


Eu estou agora silenciosamente observando minha fala, inspirada através do grande espírito, que a tudo interpassa e liga. A inspiração fala através de meus dons, unindo o céu e a terra. Eu sou o elemento que conecta e é desta forma que fala o Uno através de mim.

11 Janeiro 2009

Os Novos Caminhos da Dança


Por Bernardo de Gregório *


* Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiano formado pela em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (UniFeSP), Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP) e Expressão Cosporal pelo Instituto Euthonus de Psicologia, Educação e Arte. Professor e Orientador de grupos em Filosofia e Mitologia Gregas e Antroposofia. Dramaturgo, Diretor Teatral e Diretor de Arte para Espetáculos Culturais. Dirigiu os espetáculos: “Brasil 500 anos” (2000) da pianista Christina Myoen, “Eu, Medeia” (2004) do grupo de Dança-Teatro Evolución, “Concerto para um Amigunho” (2005) da pianista Christina Myoen, “Asas da Mente” de Deborah Schcolnic (2006), “Confissões” de Márcia Gorenzvaig (2007) e “1 Minuto”, adaptação sua do original “Valsa No.6” de Nelson Rodrigues e do original “Daimon” de sua autoria (2008).






Quando se fala em Dança logo vêm à cabeça bailarinas de “tutu” dançando “O Lago dos Cisnes” com aquelas poses forçadas em cima de pontas de sapatilhas. Nada contra o Ballet Clássico (pelo contrário), mas será possível que em séculos de evolução a Dança não progrediu nada desde “O Quebra-Nozes”? Na verdade a Dança encontrou sim novos caminhos, por vezes bastante surpreendentes para os mais desavisados.

O raciocínio é o seguinte: um balé se propõe a apresentar uma história, passar um conteúdo, tal qual uma ópera ou uma peça de teatro. Não é assim com “O Lago dos Cisnes” ou com “O Quebra-Nozes”? Quando há uma bela cena de amor parece lógico que os movimentos sejam suaves e muito belos. Porém, quando há uma cena de tristeza ou raiva ou outro sentimento forte, por que os movimentos continuam os mesmos? Não deveriam se tornar sombrios, angustiados, horrorosos e assim por diante? Bem, foi este tipo de questionamento que uma coreógrafa alemã chamada Pina Bausch se fez. Em 1976 ela rompeu com as formas tradicionais, utilizando-se de ações paralelas, contraposições estéticas, repetições propositais e uma linguagem corporal incomum para a época.


Pina Bausch


Um novo movimento chamado Tanztheater (Dança-Teatro) já vinha surgindo na Alemanha. A história da Dança-Teatro alemã pode ser traçada a partir dos trabalhos de Rudolf von Laban e seus discípulos Mary Wigman e Kurt Jooss, nos anos 20 e 30. O termo era usado para descrever dança como uma forma de arte independente de qualquer outra, baseada em correspondências harmoniosas entre qualidades dinâmicas de movimento e percursos no espaço. Ainda que considerando a dança como uma arte independente, Laban desenvolveu seu sistema de movimento a partir de improvisações de Tanz-Ton-Wort (Dança-Tom-Palavra), nas quais os estudantes usavam a voz, criavam pequenos poemas, ou dançavam em silêncio. As peças de dança então criadas incorporavam movimento cotidiano, bem como movimento abstrato ou puro, em uma forma narrativa, cômica, ou mais abstrata.

Wigman fundou a Ausdruckstanz (Dança da Expressão). Ausdruckstanz foi uma rebelião contra o Ballet Clássico, buscando uma expressão individual ligada a lutas e necessidades humanas universais. Apareceu então o termo “Expressionismo Alemão”, baseado na idéia da Dança não como estética pura e irreal, mas como Expressão Corporal: o próprio corpo do bailarino é que vai nos contar a história, passar o conteúdo emocional em questão e não um libreto entregue na entrada do teatro. Já a Dança-Teatro de Jooss desenvolvia temas sócio-políticos através da ação dramática de grupo e da precisão da estrutura formal e de produção. O treinamento de dançarinos sob sua direção na Escola Folkwang, em Essen, Alemanha, combinava música, educação da fala, e dança, usando elementos do Ballet Clássico e as teorias de Laban de harmonia espacial e qualidades dinâmicas de movimento.

As teorias e práticas teatrais de Bertold Brecht, e seus temas sócio-políticos, são também relevantes à história da Dança-Teatro alemã. O Teatro Épico criou conceitos como os de gestus, o efeito de distanciamento, a técnica da montagem, e momentos cômicos inesperados. O conceito brechtiniano de Gestus ou Gebärde (gesto) enfatizava uma combinação de ações corporais e palavras como um gesto socialmente significante, não ilustrativo ou expressivo. Através de tais efeitos, o Teatro Épico de Brecht instigava o reconhecimento de situações cotidianas pelo espectador, e sua ação e tomada de decisão para mudá-las.



E foi na Folkwang School em Essen, com o diretor e coreógrafo Kurt Jooss, que Pina Bausch iniciou seus estudos de dança aos 15 anos. Com todo este back ground e tendo também bebido na fonte do Novo Mundo na Juilliard School e na Metropolitan Opera House de Nova York é que Pina Bausch assumiu a direção da Tanztheater Wuppertal. Essa mulher virou todo o mundo da Dança de pernas para o alto em seus 40 anos de trabalho. Ela se refere a uma "abordagem psicológica individual". Cada peça é um novo apelo para que o espectador "confie em si mesmo, se enxergue e se sinta".

Os dançarinos em cena não dançam: correm, gritam e riem, contam piadas. Alguém derrama água e joga terra no chão do palco. Piruetas velozes e pernas esticadas para o alto são coisas inexistentes numa encenação dessas. Mas seres humanos – pessoas vivas com medos, amor, tristeza e fúria. "O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move”, resume Pina Bausch o propósito de seu trabalho. A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa chocou inicialmente grande parte do público. O que ocorria no palco muitas vezes não era aquilo que constava do programa impresso. Os bailarinos não necessariamente dançavam, mas, no mais, pareciam fazer de tudo... O público expressava sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto, sem esquecer de bater a porta. Até telefonemas anônimos com ameaças ela chegou a receber.

Com uma montagem de Brecht e Weill, Pina Bausch rompeu definitivamente com todas as formas tradicionais do teatro-dança em 1976. Ela se voltou para uma dança cênica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado. Colagens de música popular, clássica, Free Jazz e enredos fragmentários culminaram numa nova forma de encenação. "Cada peça é diferente, mas profundamente ligada a mim", descreve Pina Bausch sua acepção de Dança-Teatro. Seu trabalho combina tristeza e desespero calado com "a expressão calorosa do amor à vida", descreveu uma crítica. "Os temas permanecem os mesmos; o que muda são as cores", explica a coreógrafa. Ao narrar, ela se mantém fiel a determinados princípios: ações simultâneas, marcação das diagonais do palco, repetições propositais e suspense dramático por meio de contraposições e progressões.


O uso de materiais reais e muitas vezes orgânicos sobre o chão do palco, como água, terra, cravos, ou sal, assemelha-se aos trabalhos interativos dos anos 60, mas em uma maior escala de produção. Diferente daqueles trabalhos interativos, as obras de Bausch não parecem buscar uma quebra da barreira entre a representação cênica e a vida. Pelo contrário, seus trabalhos incorporam movimentos e elementos da vida diária justamente para demonstrar que são tão artificiais quanto a apresentação cênica. E esta demonstração, como será visto posteriormente, é feita através da repetição de ambos os movimentos e palavras. Espontaneidade é uma experiência inesperada, imprevisível, que pode acontecer apenas através de tais repetições. Os elegantes trajes de noite e a maquiagem de seus dançarinos completam o grandioso quadro cênico. Em vez de vestirem simples roupas cotidianas, como nos trabalhos interativos dos anos 60, ou malhas sem distinção de gênero, como na dança abstrata, os dançarinos de Bausch vestem-se como que para um grande evento social. Seus figurinos e maquiagem determinam seus papéis sociais e sexuais, instigando a expectativa de um grande evento. Mas por muitas cenas, dançarinos apenas caminham, conversam, dançam pequenos movimentos, falam com a platéia, olham para nós, quebrando nossas expectativas e despertando nosso desejo por movimentos de dança.
Gestos são movimentos corporais realizados na vida diária ou no palco. No cotidiano, gestos são parte de uma linguagem do dia-a-dia associada à determinadas atividades e funções. No palco, gestos ganham uma função estética; eles tornam-se estilizados e tecnicamente estruturados, dentro de vocabulários específicos, como Ballet ou Dança Moderna Norte-Americana. Bausch utiliza ambos tipos de gestos — cotidiano e técnico. Em muitos casos, porém, gestos cotidianos são trazidos ao palco e, através da repetição, tornam-se abstratos, não necessariamente conectados com suas funções diárias. Quando um gesto é feito pela primeira vez no palco, ele pode ser (mal) interpretado como uma expressão espontânea. Mas quando o mesmo gesto é repetido várias vezes, ele é claramente exposto como um elemento estético. Nas primeiras repetições, o gesto gradualmente se mostra dissociado de uma fonte emocional espontânea. Eventualmente, as exaustivas repetições provocam sentimentos e experiências em ambos dançarino e platéia. Significados são transitórios, emergindo, dissolvendo, e sofrendo mutações em meio a repetições. Estas provocam uma constante transformação da dança teatro dentro da linguagem simbólica.

E não pára por ai: por que não quebrarmos paradigmas profundamente enraizados no público pelo Ballet? Por que a bailarina tem que ser aquela figura esbelta, longilínea e flutuante? Vamos colocar em cena bailarinas “gordinhas”, por que não? Bailarinos da terceira idade. Bailarinos com deficiência física! Bailarinos com aparências surreais, abstratas e que causem estranhamento. Neste sentido muito me impressionou uma apresentação de dança em que a bailarina não possuía ambas as pernas e do joelho para baixo usava botas de acrílico que estranhamente não possuíam conteúdo.

Sílvia Malena em “Eu, Medeia”

Talvez seja por tudo isso que um amigo meu define Dança-Teatro como “aquele negócio que a mulher convulsiona e a gente não entende nada”. Esta frase é para mim um pesadelo: qual o sentido de uma expressão Corporal que na prática não expressa nada e passa esta idéia bizarra para o público? É por causa deste temor em relação ao hermetismo enigmático que ronda a Dança-Teatro que toda vez que me proponho a dirigir um novo espetáculo de dança eu me desespero com a idéia de realmente expressar algo para o público. Foi por isso que quando a platéia se contorcia em suas poltronas enquanto soavam fortes os tapas que a bailarina se dava no rosto e no corpo na cena solo de “Eu, Medeia” que representava a loucura, eu me rejubilava no meu cantinho escuro lá no fundo. Se as pessoas podiam sentir toda a tensão da loucura e recebiam esta carga em cada tapa que ecoava, meu objetivo havia sido atingido!

Márcia Gorenzvaig em “Eu, Medéia”
Uniram-se a tudo isso, vários outros vieses pelos quais a Dança hoje caminha: a percussão corporal, as artes circenses (incluindo o Clown), atividades de ginástica e acrobacia, influências orientais do Yôga e da dança indiana e muito mais. A Dança, com isto tornou-se um infinito campo de pesquisa, ousando ir muito além dos passos com nomes em Francês. A Dança é um laboratório de pesquisas e serve como argamassa para fusão de todas as artes. Pude fazer experiências com o uso das plásticas no espetáculo “Confissões” em que Márcia Gorenzvaig dançava literalmente dentro de pinturas de Gustav Klimt que eram projetados no palco. Em “Asas da Mente”, a insistência sobre o tema “loucura” nos levou à dança da fala, à poesia e à fusão da música clássica ao Techno-Pop. Os vídeos e a trilha sonora nesta peça ajudam muito a compor o clima do espetáculo ou talvez sejam praticamente uma das personagens da peça: em algumas cenas, criam uma ambientação e, em outras, contracenam com os atores. No meu próximo trabalho pretendo unir o Canto Gregoriano à música eletrônica com gestos e formas do Oriente Médio e das Artes Marciais do Extremo Oriente. Tudo é possível e isto me parece ótimo. Mais que isto: extremamente saboroso!
Nilton Santos, Alex Lorenzo, e Nilson Santos em "Asas da Mente"


“Asas da Mente”





Luiz Ângelo Pizzonia e Patrícia Rizzo em “1 Minuto”

Márcia Gorenzvaig em “Confissões
Referências:


“Pina Bausch: Tudo é Dança”. Deutsche Welle.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1682335,00.html

A Dança-Teatro de Pina Bausch: redançando a história corporal”. Ciane Fernandes.
http://www.unirio.br/opercevejoonline/7/artigos/4/artigo4.htm

“Confissões”. Márcia Gorenzvaig.
http://espetaculoconfissoes.blogspot.com/

31 Outubro 2008

Samhain





Samhain (pronuncia-se Sou-ein), festejado em 31 de outubro , é o Ano-Novo dos Bruxos. Esse dia sagrado é conhecido por inúmeros nomes. Para muitos, talvez, o mais conhecido seja Halloween. O Samhain é a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já tenham partido para o País de Verão. Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também o momento tradicional para celebrar a última das colheitas e se preparar para o Verão. O poder de magia pode ser sentido no ar, nessa noite. O Outro Mundo se coaduna com o nosso conforme a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. Os espíritos daqueles que já partiram para o outro plano são mais acessíveis durante a noite de Samhain.
Samhain ocorre no pico do Outono (Hemisfério Norte). É o tempo do ano em que o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol está enfraquecendo cada vez mais rapidamente, a sombra cresce e as folhas das árvores estão caindo, numa preparação ao Inverno que chegará. Essa é a última colheita, o tempo em que os antigos povos da Europa sacrificavam o gado e preservavam sua carne para o Inverno, pois esses animais não podiam sobreviver em grande escala nesse período do ano devido ao frio vindouro. Só uma pequena parte, os mais viris e fortes, era mantida para o ano seguinte.

Samhain é a noite em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda, razão pela qual os Celtas escolheram esse Sabbat, em vez de Yule, para representar o Ano-Novo. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado dividida o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta e o Inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.
É o dia ideal para honrar os mortos, pois nele os véus que separam os mundos estão mais finos. Aqueles que morreram no ano passado e aqueles que estão reencarnando passam através dos véus e portais nesse dia. Os Portões das Sidhe estão abertos e nem humanos nem fadas precisam de senhas para entrar e sair. Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras.
Samhain é um festival do fogo e é a entrada para a parte sombria e fria da Roda do Ano. É em Samhain que as fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (País de Verão).

Samhain é o tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família, ou grupo, se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbat se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes à ceia. Para aqueles que não têm família para festejar e celebrar seus ancestrais, alimentos geralmente são deixados do lado de fora de casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados. É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.

Sem sombra de dúvida a prática mais famosa do Samhain é o Jack O'Lantern (máscaras de abóboras), que sobrevive até hoje nas modernas celebrações do Halloween. Vários historiadores atribuem suas origens aos escoceses, enquanto outros lhe conferem origem irlandesa. As máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain. As sombras provocadas pela face esculpida na abóbora tinham a virtude de afastar os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Máscaras de abóboras também eram colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.













Cores: preto e laranja
Nomes Alternativos: Festa de Todos os Santos, All Hallows, Mischief Night, Hallowmas, Noite de Saman, Samaine, Halloween, All Hallows Eve.
Deuses: Deuses Anciãos, a Deusa na sua face da Anciã, o Deus como o Senhor das Sombras.
Ervas: nós-moscada, sálvia, menta, mirra, patchuli, artemísia, alecrim, musgo, calêndula, louro, mandrágora.
Pedras: obsidiana, floco de neve, ônix, cornalina, turmalina negra, âmbar, granada, hematita.






Queima de Pedidos

A Queima de pedidos é um dos rituais tradicionais de Samhain. Nele banimos tudo o que tivemos de negativo e pedimos o que queremos atrair de positivo para o ano mágico que se inicia.

Para isso você vai precisar de:

Dois pedaços de papel em branco;
Um lápis;
Álcool de cereais;
Folhas de louro;
Seu Caldeirão.

Num dos papéis escreva tudo aquilo que você quer afastar de sua vida: obstáculos, doenças, pessoas indesejadas, dificuldades, etc.

No outro escreva tudo aquilo que você quer atrair para a sua vida: saúde, prosperidade, amor, sucesso, etc.

Seja bem específico em seus pedidos e não se esqueça de no final assinar e colocar a seguinte frase: Que tudo isso seja correto e para o bem de todos.

Coloque um pouco de álcool no seu Caldeirão, acenda-o e jogue o primeiro papel, aquele que contém as coisas que você quer afastar, no fogo. Enquanto o papel queima, mentalize o mal sendo afastado. Peça à Deusa e ao Deus que todas as forças negativas sejam anuladas e que o mal seja banido.

Espere o fogo acabar, então coloque um pouco mais de álcool no Caldeirão, tomando o devido cuidado, pois o álcool quando colocado em um recipiente quente evapora e pode entrar em combustão espontaneamente. Jogue então o segundo papel, aquele que contém as coisas que você quer atrair para a sua vida, no fogo. Coloque as folhas de louro nas chamas, sempre mentalizando as boas coisas que você quer atrair para a sua vida.
Quando o fogo acabar, concentre-se na fumaça, provocada pelas folhas, subindo os céus, e peça que seus pedidos se elevem ao mundo dos Deuses.