04 dezembro 2010

Qual é o seu TEMPERAMENTO?



A teoria dos TEMPERAMENTOS foi formulada por Hipócrates, o pai da medicina, no Século VI aC, baseando na teoria dos quatro elementos de Empédocles. O sábio médico grego classificava as pessoas em quatro tipos, cada um dos quais apresentava um desenvolvimento mais acentuado de um sistema ou função, definindo assim estados fisiológicos, personalidade e comportamento.

SANGUÍNEO

Também chamada "Hemático", este temperamento está ligado ao Elemento AR. Expansivo, otimista, mas irritável e impulsivo, o SANGUÍNEO costuma ser volúvel e é frequentemente levado pelos seus sentidos. Há quem o compare a uma borboleta, que flutua em direção sempre a um novo aroma, uma nova flor colorida. Fisicamente o SANGUÍNEO tende para o atlético: aspecto corado e saudável, ombro quadrado, nariz grande, peito amplo, pescoço forte, rosto largo, olhos vivos e olhar direto.

Aquele que possui o temperamento SANGUÍNEO como dominante, é uma pessoa marcante e que não passa desapercebida. Seu espírito é jovial, apaixonado, alegre e sociável. É ágil e rápido, tem muita vitalidade, sempre animado, gosta do contato com a natureza, tem amigos em todas as partes. Seu ritmo é rápido, entusiasta, os movimentos são amplos, dinâmicos e expansivos. Eloqüente, gosta de auditório, de freqüentar a sociedade, ávido por projeção social. Carinhoso, otimista, bondoso, muito emotivo, tem facilidade de expressão, imaginação, suporta mal a monotonia, precisa de movimento, de viagens, de esportes, de ar.



FLEUGMÁTICO


Também chamada "Linfático", este temperamento está ligado ao Elemento ÁGUA. Sonhador, pacífico e dócil, preso aos hábitos e distante das paixões, o FLEUGMÁTICO costuma ser desligado e um pouco confuso, principalmente para expressar seus sentimentos. Tipicamente é aquele sujeito que vive "no mundo da lua" e ao mesmo tempo que é capaz de ser genial, pode ser extremamente ingênuo ou pouco perspicaz. Fisicamente o FLEUGMÁTICO caracteriza-se por um perfil curvilíneo, composto de segmentos circulares, amplas bochechas, frente pequena, tórax estreito.

Aquele que possui o temperamento FLEUGMÁTICO como dominante, é uma pessoa mais calma, tranqüila, prudente e autocontrolada. Gosta de rotina e atua em conformidade com normas e regras estabelecidas, por isso sente-se bem quando está acompanhada de pessoas mais ativas e dinâmicas. Decide sem pressão e freqüentemente com bom senso. É flexível, seu caráter e ritmo são constantes e disciplinados, pessoa paciente, observador, passivo e tem boa memória. Representa uma força passiva que não deve ser desprezada. Tem uma calma, sangue frio e uma tenacidade, às vezes surpreendente frente à brutalidade dos violentos, ao entusiasmo exagerado dos sangüíneos ou a exaltação dos nervosos, pois nunca se apavora numa catástrofe.


COLÉRICO


Também chamada "Bilioso", este temperamento está ligado ao Elemento FOGO. Ambicioso e dominador, com propensão a reações abruptas e explosivas, o COLÉRICO costuma manifestar sua grande energia por resoluções inquebrantáveis, sempre rápido nas decisões, perseverante. De sua vontade tenaz resultam dois sentimentos: a dignidade e o desprezo pelos que fracassam. É exigente com os demais porque o é consigo mesmo. É de caráter sério, sóbrio, concentrado, reflexivo e raciocinador. Fisicamente o COLÉRICO caracteriza-se por corpo forte, tronco atarracado e robusto, rosto retangular com traços duros e bem marcados, aparência talvez rude, olhos severos, olhar expressivo e penetrante.

Aquele que possui o temperamento COLÉRICO como dominante, é uma pessoa com vitalidade é forte, competitiva, podendo chegar a ser agressiva e indomável. A questão principal, de qualquer modo, é que o colérico precisa de atividades que envolvam o dispêndio de energia. Sente-se facilmente estimulado quando necessita trabalhar como as mãos ou com as pernas. Tem tendência a descarregar as suas emoções em atos, palavras e manifestações grandiosas e expressivas.Sua facilidade de contato lhe proporciona amigos em todas as partes. Sua simpatia e agradável trato com aqueles de quem gosta o fazem uma pessoa atrativa, mas ao mesmo tempo temida. Necessidade ser aclamado e sentir-se importante em todos os lugares que transita.



MELANCÓLICO

Também chamada "Nervoso", este temperamento está ligado ao Elemento TERRA. Como o nome indica, nervoso e excitável, tendendo ao pessimismo, ao rancor e à solidão, o MELANCÓLICO caracteriza-se pelo comportamento irritável, impressionável, receptivo e subjetivo, além de versátil. É curioso e indagador, mas inconstante em suas ações. Denota-se facilmente em pessoas assim o peso da gravidade causado pelo Elemento TERRA, tanto no corpo, quanto na alma. Fisicamente o MELANCÓLICO caracteriza-se pelo rosto do anguloso com certa finura de traços e um perfil com sinuosidades abundante. Orelhas grandes e descoladas, pescoço comprido e fino,

quase sempre seu rosto é pequeno, nariz estreito, lábios bem finos e voltados para dentro. São propensos a tiques e possuem o tórax estreito.

A rapidez em seus movimentos, a agudeza de espírito, a sensibilidade alerta, a inquietação, uma curiosidade ativa e um modo de realizar com tendência a improvisação são as marcas daqueles que possuem um temperamento MELANCÓLICO como dominante. Tranca-se em si por medo, e normalmente prefere receber a doar. Podem ser propensos à inveja e ao ciúme. Sua manifestação da sensualidade pode ser reprimida ou recalcada. Possui uma inteligência viva, tem imaginação criativa, espírito complicado, é confuso no plano emocional e sujeito a excessos. É bravo, emotivo, inconstante, caprichoso, desconfiado e tímido. Exagera nas manifestações afetivas, e sua força e vontade oscila entre altos e baixos, muitas vezes começa e não termina as tarefas. É inquieto, irritável, crítico. Tem dificuldade para perdoar as ofensas, podendo ser vingativo e rancoroso. Não tolera críticas e tem freqüente sentimento de inferioridade. Procura impressionar com notícias inesperadas, para chamar a atenção.






11 outubro 2010

O Cubo de Metatron





No judaísmo místico, especialmente na Kabbalah, Metatron é o anjo supremo, mais poderoso até mesmo do que Miguel. Seu nome significa "Mais Próximo do Trono", conhecido como o "Príncipe do Rosto Divino", o "Anjo do Pacto", o "Rei dos Anjos" e o "Anjo da Morte", devido a sua a pesada responsabilidade de ser encarregado da "sustentação da existência do mundo".
A etimologia da palavra "Metraton" é muito incerta. Dentre as várias hipóteses que têm sido propostas a esse respeito, uma das mais interessantes é a que a faz derivar do Caldaico "mitra", que significa "chuva". Pela raiz da palavra "mitra", mantém também certa relação com a "luz". A propósito, assinalemos que a doutrina hebraica fala de um "orvalho de luz" emanado da "Árvore da Vida" pelo qual se deve operar a ressurreição dos mortos, bem como de uma "efusão de orvalho" que representa a influência celeste a comunicar-se a todos os mundos. Tudo isso lembra singularmente o simbolismo alquímico e o Rosacruciano. Sendo assim, é possível que se creia que a semelhança com o deus "Mitra" citado no Hinduismo e no Zoroastrismo constitua uma um empréstimo do Judaísmo a doutrinas estrangeiras. É possível também ressaltar o papel atribuído à chuva em quase todas as tradições, enquanto símbolo da descida das "influências espirituais" do Céu sobre a Terra.

Alguns dizem que Metraton foi "originado" de Enoch, pai de Matusalém, um personagem bíblico, nascido na sétima geração após Adão. De acordo com o relato de Gênesis (capítulo 5, versos 22-24): “E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”. Este pequeno trecho sugere que Deus o transformou em Metraton. Sobre este personagem bíblico existem também os livros apócrifos pseudoepígrafos: "Livro de Enoch I" e o "Livro de Enoch II", que fazem parte do cânone de alguns grupos religiosos, principalmente dos cristãos da Etiópia, mas que foram rejeitados pelos cristãos e hebreus, por serem particularmente incômodos para os clérigos do ponto de vista político. Todavia, a epístola de Judas, no Novo Testamento bíblico, faz uma menção expressa ao Livro de Enoch, fazendo uma breve citação nos versos 14 e 15 de seu único capítulo.

É preciso notar que "Melek", "rei" e "Maleak", "anjo" ou "enviado" não são na realidade senão duas formas de uma mesma palavra A frase o anjo no qual é Deus” (“Maleak ha-Elohim”) forma o anagrama de "Mikael". Convém acrecentar que, se Mikael se identifica com Metraton como acaba de se ver, no entanto, ele não representa senão um aspecto: o luminoso. Ao lado da face luminosa, há uma face obscura, e esta é representada por Samael, que é também chamado "Sâr haôlam", isto é, Satã. Segundo Santo Hipólito, “o Messias e o Anticristo têm ambos por emblema o leão”, que também é um símbolo solar: e a mesma observação podia ser feita para a serpente e para muitos outros símbolos.

De toda forma, pelo nome "Cubo de Metraton" é conhecida uma figura geométrica no mínimo curiosa. Esta figura contém em a si a projeção bidimensional de todos os corpos platônicos. Estes sólidos são, por sua vez, poliedros regulares convexos, ou seja: figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantém um valor constante e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as aristas em seu centro e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro. Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro.





Os 5 Corpos Platônicos e o Merkabah inseridos no Cubo de Metraton.

Platão concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos. Assim, o cubo corresponde à Terra; o tetraedro, associa-se ao Fogo; o octaedro foi associado ao Ar e o icosaedro à Água. O quinto sólido, o dodecaedro, foi considerado por Platão como o símbolo do Universo, relacionando-se ao chamo Éter.

O Cubo de Metraton se constrói tomando como base o chamado "Fruto da Vida", ou seja: 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas. Pode-se notar facilmente que a imagem da "Árvore da Vida" da Kabbalah está contida neste conjunto de esferas. Igualmente se vê a "Estrela de David" (as diagonais do hexágono) e a "Estrela de Kepler" (ou "Merkabah", forma estelar do icosaedro, versão tridimensionalda "Estrela de David").










A "Flor da Vida" é uma figura geométrica composta de círculos múltiplos espaçados uniformemente, em sobreposição, que estão dispostos de modo que formam uma flor, com um padrão de simetria multiplicada por seis, como um hexágono. Em outras palavras, seis círculos com o mesmo diâmetro se interceptam no centro de cada circulo. O Templo de Osíris em Abidos, Egito, tem o exemplar mais antigo até hoje, está talhada em granito e poderia representar o "Olho de Rá", um símbolo de autoridade do faraó. Outros exemplos se podem encontrar na arte fenícia, assíria, hindu, no médio oriente e medieval. O padrão da Flor da Vida pode ser construído com lápis, um compasso e papel mediante a criação de várias séries de círculos interconectados. O padrão da Flor da Vida é a base do Fruto da Vida e, portanto, do Cubo de Metraton.









Uma simplificação da Flor da Vida é um símbolo muito antigo, encontrado nos Vedas e também na civilização celta. Os celtas o utilizaram muito como elemento decorativo, presente nos frisos e demais obras de arte. O círculo simboliza o universo imanente. Símbolos como o que encontra-se no centro são chamados de "triquetras", que em Latim quer dizer "3 esquinas". Alguns referem-se a este símbolo como sendo um símbolo de Jesus: o peixe formado por duas linhas curvas também era um símbolo dos cristão. A triquetra é formada por 3 destes "peixes", portanto. Outro aspecto interessante é que a triquetra é um símbolo unicursal ou seja, traçado continuamente, representado assim a eternidade. Os Vedas falam de três mundos: o mundo material, o espiritual e o átmico. Na principal oração (mantra) das doutrinas védicas são cantados no início do "Gayatri" significando respectivamente os três mundos (Bhur, Bhuvah e Svahah). A Filosofia Celta referencia 3 níveis distintos de existência, mas interconectados e interpenetrados: o físico, o mental e o espiritual. Quando o Cristianismo "chegou aos Celtas", este símbolo foi utilizado para simbolizar a Trindade Cristã: Pai, Filho e Espírito Santo.

Há u
ma tradição mística da Kabbalah que retrata o "Merkabah" (ou "Trono de Deus" ou "Carro de Deus", ou "Carruagem de Fogo") como um veículo que podia subir ou descer através de diferentes câmaras ou palácios celestiais, conhecidos como "Hekhalot". Durante o período do Segundo Templo, a visão de Ezequiel foi interpretada com um vôo místico para o céu, e os místicos cabalistas desenvolveram uma técnica para usar o símbolo do Merkabah como ponto focal da meditação. O místico faria uma viagem interior para os sete palácios e usaria os nomes mágicos secretos para garantir uma passagem segura por cada um deles. Até bem recentemente, esses procedimentos e fórmulas místicas só eram conhecidos pelos estudiosos da Kabbalah. O Merkabah é então um veículo de luz que transporta o espírito, a mente e o corpo, para acessar e experimentar outros planos, realidades e potenciais de vida mais elevados. Podemos classifica-lo como sendo um veículo interdimensional. Este carro de fogo é também citado na Bíblia quando o profeta Elias foi arrebatado por um destes veículos e levado aos céus para não mais voltar.

De acordo com os versos de Ezequiel, o Merkabah seria uma carruagem composta por 4 anjos. Estes anjos são querubins e são chamados de "Chayot" e são descritos como tendo forma humana, mas com faces diversas: uma de touro, outra de leão, outra ainda de águia e uma última humana propriamente. Há ainda anjos com forma circular, descritos como "rodas dentro de rodas" e que se chamam "Ophanim". Estes anjos são responsáveis pelo movimento do carro nas quatro direções. Por fim, descreve-se a participação de serafins que são vistos como clarões de luz que funcionam como fonte de energia. Estes clarões de luz piscam com rapidez e estes serafins controlam todo o conjunto. Uma descrição bem parecida se encontra na tradição cristã, no Apocalipse de João, quando se descreve o Trono do Cordeiro, cercado pelos mesmos seres alados: touro, leão, águia e homem.
A forma descrita do Merkabah é bastante discutível, mas é comumente aceito que se trate de um duplo tetraedro, um com vértice para cima e outro, para baixo, que giram em sentidos opostos. Este conjunto forma então uma estrela tetraédrica que se inscreve nos vértices de um icosaedro.



De um ponto de vista astrológico, a divisão do zodíaco em doze partes, permite o entendimento do processo da vida organizando-o em 12 signos estelares e 12 casas, localizando neles os 9 astros. Esta divisão pode ser descoberta também no Cubo de Metraton. Aqui então se encontra uma relação simbóloca com as chamadas "Forças Querubínicas" e prática, com as horas do dia. Estas 12 entidades querubínicas derivam das quatro primordiais que são: o Touro alado, o Leão alado, a Águia (Escorpião) e o Homem alado (Aquário).




Leonardo daVinci resumiu todo o simbolismo do Cubo de Metraton em seu famoso desenho "Homem Vitruviano". Este desenho famoso acompanhava as notas que Leonardo daVinci fez ao redor do ano 1490 num dos seus diários. Descreve uma figura masculina simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado. O Homem Vitruviano é baseado numa famosa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio (donde o nome "vitruviano") na sua série de dez livros intitulados de "De Architectura", onde são descritas as proporções do corpo humano. O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano no século XV por Leonardo e os outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano. Das relações matemáticas encontradas na Proporção Áurea, que também podem ser observadas no mesmo desenho de daVinci, emerge mais uma vez a Flor da Vida.







No Cubo de Metraton ainda é possível que se veja a projeção bidimensional de um tesseract (ou hipercubo). Um tesseract é uma figura tetradimensional regular composta por 8 cubos montados em 4 dimensões.


Tesseract "aberto" em 3D e o mesmo tesseract "montado" em 4D








Esquema de tesseract e tesseract inscrito no Cubo de Matraton

Círculos nas plantações
(ou "crop circles" em inglês) são conjuntos de figuras geométricas desenhadas amassando campos de trigo, cevada, centeio, milho ou canola. Estas figuras são melhor observadas de um ponto mais alto, fazendo pouco sentido quando são observadas no nível do chão. A aparência geométrica e influnciada por fractais. A origem destes círculos é desconhecida e controversa. O fenômeno já foi observado em vários países em todo o mundo, começando pela Inglaterra na década de 1970. No Brasil, tal fenômeno vem acontecendo principalmente no interior dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Foram sugeridas várias explicações que envolvem causas discrepantes como acontecimentos naturais, fraude e visitas de extra-terrestres, mas não se chegou a nenhuma conclusão. O fato é que a maioria destes círculos acaba repetindo padrões que nos remetem mais uma vez ao Cubo de Metraton.







Atualmente muitos artistas têm se inspirado no Cubo de Metraton e suas variações e criado belas obras de arte sobre seu simbolismo.






28 setembro 2010

Êxtase ou Enganação?


"Jogos eletrônicos não afetam as crianças.
Se o 'Pacman', por exemplo, tivesse afetado nossa geração,
hoje nós ficaríamos rodando loucamente em lugares escuros,
mastigando pílulas de energia e ouvindo músicas eletrônicas repetitivas".






Quem já não observou a alegria e o entusiasmo com que os jovens se entregam a longas "baladas" com muita dança e música eletrônica? Muitas vezes os "já não tão jovens" apresentam a mesma vitalidade e conseguem impressionantemente encarar noitadas que se prolongam até mesmo quando o sol já vai alto. E há casos em que a música e a dança se prolongam ininterruptamente por dias! Como há tanta energia para manter esta performance? Na verdade não há. É humanamente impossível que alguém agüente uma "balada" destas de forma freqüente. A única explicação é o uso de drogas "psicodélicas" para impulsionar artificialmente este "pique".
O termo "psicodélico" tem origem grega e quer dizer "o que faz brilhar a alma". Este termo foi criado e muitíssimo usado nos anos '60, com o aparecimento do LSD (ácido lisérgico) e a difusão do uso de outras drogas psicoativas como fonte de prazer. O milenar uso da Cannabis sativa (cânhamo indiano ou maconha) conheceu seu apogeu e se consagrou como droga psicodélica mais utilizada no mundo. A cocaína, super-extrato da Erythroxylon coca (coca) sintetizada pela Bayer no século XIX, também passou à moda, conhecendo um uso crescente. Igualmente o antiqüíssimo ópio, extraído da Papavere somnifera (papoula), levou à síntese de alcalóides muito mais potentes, dentre os quais o grande destaque é a heroína, ao lado de suas "primas": morfina, metadona e codeína. Desde esta época, novas drogas apareceram e muitas outras tiveram seu uso amplamente difundido. Outra substância muito popular foi introduzida na humanidade nos anos '80: a droga MDMA (metil-metilenodioxiamfetamina) criada em 1913 pela Merck e que acabou ficando conhecida como XTC (ecstasy ou êxtase). Finalmente, ao lado destas drogas, apareceu o uso psicodélico da quetamina (Ketalar® ou spacial K) e do GHB (gama-hidroxibutirato). Há uma grande diferença entre elas, mas uma coisa há em comum: sempre o que é prometido é o prazer artificialmente produzido através da manipulação bioquímica do cérebro.
O uso crônico de qualquer destas substâncias sabidamente pode provocar danos irreversíveis e graves ao organismo, em maior ou menor grau, bem como leva invariavelmente à dependência química, mais cedo ou mais tarde. Do ponto de vista da saúde pública as dependências químicas representam um flagelo médico-social importante em nossos dias que deixa milhares de jovens em idade produtiva ou em idade de formação à margem da sociedade, levando ao gasto de muito dinheiro para as tentativas de sua difícil recuperação. O quadro revela-se bastante triste e avassalador na sociedade ocidental contemporânea. Muitos esforços estão sendo feitos por parte das autoridades em todo o mundo para por fim ao tráfico e ao uso de drogas psicotrópicas, mas o uso de substâncias psicodélicas é cada vez maior, atingindo um número enorme de novos usuários, em idades cada vez mais precoces. A maconha é de longe a droga ilegal mais utilizada, porém seu uso não parece ser tão preocupante, por causar menos seqüelas em seu uso crônico e levar à dependência de forma mais moderada, existindo até quem defenda sua descriminalização e sua liberação total ou parcial. Nas classes sociais mais altas de nosso país as drogas ditas "pesadas" mais comumente usadas entre os jovens são a cocaína e o ecstasy, associadas ou não ao álcool e a demais drogas. Em classes sociais mais baixas o crack (extrato purificado de cocaína) e drogas solventes voláteis ("cola de sapateiro").
É evidente que a humanidade sempre fez uso de diversas substâncias psicoativas de diferentes espécies ao longo de toda sua existência de forma muitíssimo variável. A mais tradicional droga psicoativa que se conhece em todo o mundo é o álcool em todas as suas apresentações (destilados e fermentados). O uso do álcool está intimamente incorporado à sociedade ocidental, indo desde seu uso hedonístico eventual, até o uso religioso ritual (como o vinho na Missa, por exemplo), passando pelos horrores da dependência química e o flagelo do alcoolismo. Também parte inseparável de nossa cultura está o uso da cafeína (café, chá preto, refrigerantes, etc), substância psicoestimulante de uso legal e totalmente corriqueiro. O tabaco (Nicotiana tabacco), sob forma de cigarros, charutos ou fumo, é igualmente substância largamente difundida e que tem sido alvo de diversas ações governamentais de saúde pública devido aos altos índices de lesões irreversíveis e graves de múltipla ordem (respiratórias, cardiovasculares, cerebrais, cancerígenas, etc.). Mas nenhuma outra substância criou alterações sociais tão grandes em tão pouco tempo de uso em larga escala quanto o ecstasy. Toda uma cultura "neo-psicodélica" foi criada em torno desta droga. A transformação nos hábitos sociais e nos valores adotados pelos jovens de nossa sociedade é apenas comparável ao "boom" psicodélico dos anos '60, mesmo assim, guardando, ao meu ver, um impacto mais contundente sobre os rumos da juventude.

Desde o filme "Barbarella" de Roger Vadim em 1968, onde Jane Fonda aparece no esplendor de sua juventude usando uma pequena pílula que a leva imediatamente ao êxtase, que a idéia de uma "pílula do amor" habita o imaginário humano. Com o aparecimento da MDMA, seu efeito foi imediatamente associado à idéia de "pílula do amor" e foi batizada pelo nome XTC (em inglês lê-se "ecs-ti-ci"). O ecstasy promete alterações da sensopercepção, euforia prolongada, sociabilidade, extroversão e diversão por períodos de 8 horas, o que acaba seduzindo milhares de jovens alucinados, cujo slogan é "set U free" ("liberta você"). Porém, após algum tempo de super-estimulação pela droga, o estoque de serotonina (5-HT, um neurotransmissor cerebral) vai acabando e a biossíntese não atende a demanda. Chega-se ao estado de depressão e esgotamento, que ocorre entre 6 a 8 horas após a ingestão da droga e o que era para ser pura alegria e diversão se torna um pesadelo que pode durar alguns dias. Este efeito ficou conhecido como "blue monday" (segunda-feira depressiva) em virtude do freqüente uso de ecstasy durante os finais de semana. Igualmente, a longo prazo e com o uso freqüente, há a necessidade de uma dose progressivamente maior de MDMA para que se consiga os mesmos efeitos que inicialmente eram obtidos. Isto é chamado de "tolerância" e significa que o organismo reage à presença constante desta substância com diminuição do sistema neuronal conhecido como serotoninérgico, que pode ser químico e reversível ou pode ocorrer com destruição irreversível destes neurônios. A destruição em massa de neurônios serotoninérgicos leva a pessoa a um estado constante de depressão resistente ao uso de qualquer medicação conhecida.
A sensação de euforia e prazer criada artificialmente pelo ecstasy passa a ser ao usuário incomparável a qualquer sensação de euforia que ocorra naturalmente e muito rapidamente a palavra "diversão" passa a ser sinônimo de ecstasy para aqueles que, sem perceberem, já desenvolveram um nível considerável de dependência. Entretanto, um dos piores e mais perigosos efeitos colaterais causados pelo ecstasy é a súbita elevação da temperatura corpórea (o MDMA provoca hipertermia). Isto pode causar uma desidratação profunda e, em muitos casos, levar à morte. Os usuários costumam ingerir litros d'água, tentando resfriar e hidratar o corpo. Embora não muito prejudicial a curto prazo, o MDMA apresenta sérias injúrias a longo prazo. Uma delas é a diminuição do peso do usuário, uma vez que o MDMA inibe o apetite e provoca um grande desgaste calórico. Existem vários artigos que evidenciam, também, a relação entre o uso do MDMA e distúrbios cardio-vasculares.

Toda uma cultura foi criada em torno do ecstasy. Conhece-se a "e-music", que tanto pode ser sigla para eletronic music, quanto para ecstasy music. Ritmos específicos como o Trance (transe) e o Psy (psicodélico) foram criados para aumentar a sensação provocada pelo ecstasy. A decoração de ambientes onde o uso de psicodélicos é incentivado sempre traz um excesso de estímulos visuais (luzes psicodélicas e fluorescentes), sonoros (som eletrônico altíssimo e repetitivo) e táteis (paredes revestidas com diferentes texturas, ambientes com divãs, camas e muitas almofadas), propiciando as alterações sensoperceptivas. Apesar de que a sociabilidade esteja aumentada e haja uma tendência à sensualidade, a sexualidade propriamente dita encontra-se diminuída com o uso do ecstasy e há uma espécie de alienação e desligamento do mundo. O resultado final desta combinação, sob um ponto de vista sociológico, é o aparecimento de uma sub-cultura característica chamada de cultura "Clubber". Os clubbers de maneira geral acabam desenvolvendo uma dependência química múltipla e tendo uma visão psicodélica do mundo, não percebendo a realidade como ela é. O consumismo é característica marcante deste grupo social, bem como um culto exagerado à estética, paradoxalmente acompanhada de uma deterioração na capacidade crítica e criativa relacionada às artes, uma vez que devido ao efeito psicodélico, qualquer estímulo possa ser entendido como prazeroso. Ocorre também uma espécie de segregação e preconceito contra qualquer proposta que fuja à proposta psicodélica, só interessando aos clubbers aquilo que é clubber ou correlato.
A Cultura Clubber aparece então como o movimento de contra-cultura do século XXI. Gerado pela frustração do pós-tudo (pós-moderno, pós-hippie, pós-punk, pós-dark, pós-AIDS), o impulso clubber é uma proposta sem proposta, uma pura e simples alienação do tempo e do espaço, impulsionado pelos psicodélicos. A fuga da realidade, o hedonismo exacerbado de um pensamento cape diem, o desdém pela cultura, pelos valores sociais e pelo conhecimento, a simples auto-anestesia como solução e o repúdio a tudo e a todos que os possam fazer acordar deste transe perpétuo são suas marcas registradas. Incrivelmente, a Cultura Clubber englobou em si elementos desconexos herdados de movimentos de contra-cultura anteriores, tais como o misticismo e a espiritualização hippies, a estética do modernismo, do psicodelismo e do Sci-Fi e a depressão e o tédio dark, usando estes atributos no entanto, de forma esvaziada de seus significados culturais originais. Em última análise, o movimento Clubber tenta desesperadamente resgatar o glamour próprio das gerações anteriores, perdendo-se cada vez mais em um mundo fictício e ilusório de prazeres artificiais e plásticos, apartando-se de si mesmo e alienando-se da vida. Estas características de nosso jovens é utilíssima à sociedade de consumo capitalista que se delas se vale para manter sua manipulação e seu controle sobre uma população que deveria ser caracteristicamente a fonte de críticas sociais e a origem das mudanças e transformações do status quo. Alguém precisaria despertá-los desta hipnose coletiva urgentemente!

20 agosto 2010

Crise? Que Crise?



Bernardo de Gregorio
Psiquiatra e Psicoterapeuta





Hoje uma pessoa me disse que estava realmente em crise, mas em uma crise saudável. “Como assim?”, perguntei. E ela respondeu: “começando a recomeçar, fazendo as coisas por mim, tomando atitudes, falando o que penso e o que realmente quero, me colocando perante a vida e aquilo que é melhor para mim agora”. E eu digo que ela está certíssima: este é o tipo de crise que todo mundo deveria ter. No Brasil nos acostumamos com a palavra “crise” sempre associada a uma situação crônica, arrastada e depressiva. Porém, a palavra "krísis" em Grego significa "a hora de mudar", "momento decisivo". Literalmente “krísis” é “discernimento”, “luta”, “decisão” e “resultado”. Ou seja: crise pode ser muita coisa, mas não é algo arrastado, penoso e depressivo.

A Medicina Grega também se valia da palavra “krísis”, com mais ou menos o mesmo significado. O médico recebia um doente e com ele procedia à “anamnesis” (ou seja: “rememorar”, “lembrar”, “anamnese”), quando se procurava entender o processo pelo qual o indivíduo perdeu se equilíbrio natural e tornou-se doente. Em seguida, era feito o “diagnostikon” (ou seja: “ ver através”, “perceber através”, “diagnóstico”), quando o desequilíbrio era localizado e compreendido. O médico aguardava então a evolução da doença, instituindo ou não algum tratamento que colaborasse com o transcorrer do processo (“pródromos”), até que o momento crítico se apresentasse: o momento decisivo (“krísis”). Na crise o médico procedia ao ato da cura que poderia ser o uso de uma substância química (“phármakon”, ou seja: tanto “veneno”, quanto “remédio”), um ato mecânico com as mãos (“kheirourgía”, ou seja: “cirurgia”) ou ainda ambos associados. Depois da crise, que é o desfecho, a doença estava superada e apenas restava uma longa e importantíssima fase de recuperação caracterizada pelo que se conhecia em Grego como “therapeia” (ou seja: “cuidar com carinho”, “terapia”). Neste período os médicos ouviam os sonhos de seus pacientes e acompanhavam a evolução através do significado oculto que percebiam neles, indicavam uma série de atividades físicas e orientações alimentares chamados “díaites” (ou seja: “dieta”) e incentivavam mudanças nos hábitos que levaram aquela pessoa ao desequilíbrio, a “metamorphosis” (“transformação”).

O Chinês se escreve não propriamente com letras, mas com pequenos desenhos simplificados que se chamam “ideogramas”. Há um ideograma chinês que significa “crise” e que é formado pela junção dos ideogramas que querem dizer “perigo” e “oportunidade”. Para quem souber inovar, há um oceano de oportunidades descortinado pela crise. O perigo ronda, faz parte do processo, é certo; mas não se deve parar frente ao perigo, comentam os chineses. Uma crise é então o “ponto de mutação” e o “Ponto de Transição” (ou o "Retorno") é também o nome de um dos hexagramas do I Ching. I Ching ou Livro das Mutações, é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo. É um dos mais antigos e um dos únicos textos chineses que chegaram até nossos dias. Para o pensameno chinês, não há o que mude, há apenas o mudar e a mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável: sempre existe. O I Ching é então composto por 8 trigramas (ou seja: “conjuntos de 3 linhas”) que se combinam 2 a 2 para formar 64 hexagramas (ou seja: “conjuntos de 6 linhas”). Um destes hexagramas é o “Ponto de Transição” (“Fu”). O hexagrama é formado apenas uma linha “yang” firme abaixo que se segue de 5 linhas “yin” maleáveis acima. O ponto de transição é sugerido pelo fato de que após as linhas obscuras expulsarem do hexagrama as linhas luminosas acima, uma outra linha luminosa surge novamente, embaixo. O tempo das trevas passou. O solstício de inverno traz a vitória da luz.

RETORNO.

Sucesso.
Saída e entrada sem erro. Amigos chegam sem culpa.
Para adiante e para trás segue o caminho.
Ao sétimo dia vem o retorno.
É favorável ter aonde ir.


Após uma época de decadência vem o ponto de transição. A luz poderosa que tinha sido banida retorna. Porém, este movimento não é provocado pela força. Com devoção, o movimento é natural e surge espontaneamente. Por isso a transformação do antigo também torna-se fácil. O velho é descartado e o novo, introduzido. Ambos os movimentos estão de acordo com as exigências do tempo e, portanto, não causam prejuízos. Formam-se associações de pessoas que têm os mesmos ideais. Como tal grupo se une em público e está em harmonia com o tempo, os propósitos particulares e egoístas estão ausentes, e assim erros são evitados. A idéia de retorno baseia-se no curso da natureza. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo. Por isso não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. Esse é o sentido do céu e da terra. Todos os movimentos se completam em seis etapas, e a sétima traz o retorno. Deste modo, o solstício de inverno, com o qual tem início o declínio do ano, ocorre no sétimo mês após o solstício de verão. Do mesmo modo, o nascer do sol ocorre após o crepúsculo. Assim, o estado de repouso dá lugar ao movimento. Na China, o solstício de inverno foi sempre celebrado como a época de repouso do ano, costume que se conserva até hoje, no período de descanso do ano novo. No inverno, a energia vital, simbolizada pelo trovão, "O Incitar", encontra-se ainda no interior da terra. O movimento está em seus primórdios e por isso deve-se fortalecê-lo através do repouso, para que não se dissipe num uso prematuro. Esse princípio básico, de fazer com que a energia nascente se fortifique através do repouso, aplica-se a todas as situações similares. A saúde que retorna após uma doença, o entendimento que ressurge após uma discórdia, enfim, tudo o que está recomeçando deve ser tratado com suavidade e cuidado, para que o retorno leve ao florescimento.

Estas épocas de "reencarnação" são fundamentais para nosso crescimento. Em Zoologia chama-se “ecdise” ou "muda" ao processo de mudança do exoesqueleto nos animais que apresentam este modo de crescimento. Animais como os besouros e os caranguejos, por exemplo, têm uma carapaça forte que envolve seus corpos, protegendo-os e propiciando movimento. As asas e outros apêndices dos artrópodes são formadas por expansões deste exoesqueleto. Apesar das vantagens, o exoesqueleto configura-se como fator limitante ao crescimento dos animais, que necessitam de realizar a ecdise, o processo no qual o animal deixa o seu exoesqueleto para aumentar de tamanho. A capacidade de mudar o exoesqueleto é uma estratégia evolutiva com várias vantagens, principalmente para animais pequenos que vivem na água ou que voam. Além de ser a única maneira possível para estes animais crescerem, a possibilidade de mudar a “pele” permite-lhes também mudarem de forma, as metamorfoses que permitem que o animal se adapte a novos ambientes. A seguir à muda, o animal apresenta um exoesqueleto mole durante algum tempo, sentindo-se frágil e exposto. Porém logo o novo esqueleto se torna firme e confortável. Nós humanos passamos pelo exato mesmo processo, porém em nossas almas e estas transformações apenas podem se dar nas crises.

Ivan Martins disse certa vez: “reencarnar é bom! Eu mesmo já fiz isso três vezes, na mesma vida“. Esta pessoa que hoje me falou de crise continuou: “reaprender a viver é mais difícil que aprender: os vícios de comportamento, a mudança de valores... Mas o importante é saber que estaremos mais felizes! O prazer que sentimos quando conseguimos vitórias é muito bom! Mesmo com choros, tristezas, frustrações... Quando coloco em palavras, parece tão fácil e com certeza não é! Mas quem falou que a vida era fácil?”.

16 julho 2010

O Efeito “Dark”

Bernardo Lynch de Gregório
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta


“If everybody knew what they wanted,
There'd be nothing, nothing left.
People would do what they wanted
And there'd be no government.

No government is an easy time.
No government is an exciting life.
We work for ourselves and we love for ourselves
And for government.

There'd be no suffering,
There'd be no government.
The people would see, and let them be
And we'd have no government”.

(Nicolette)








Se abrirmos o livro de Aristóteles, “Ética a Nicômaco” (livro i, 7, 1097b, 20), encontraremos que “a felicidade é algo absoluto e auto-suficiente, sendo também a finalidade da ação”. Sobre estas idéias a sociedade ocidental civilizada criou algo como um mito da felicidade e, por causa dele, temos a noção infantilóide e falsa de que um dia chegará em que conseguiremos realizar todos os nossos desejos e que neste dia somente considerar-nos-emos felizes. Hoje imagina-se que a humanidade poderá efetivamente dar as mãos e caminhar unida e fraterna em direção ao bem estar comum; há a falsa idéia de que existe esperança e de que há a possibilidade da paz; criou-se a ficção de que o ser humano vai chegar a compreender que a preservação da natureza é mais importante do que ganhar dinheiro a qualquer custo. Por causa ainda deste mito, saímos pela vida a classificar as coisas entre boas ou más e os momentos entre felizes e infelizes. Tudo não me parece mais que ilusão, porque a vida é tão-somente a vida e realmente não se importa com a tal da felicidade aristotélica, nem com o que você gosta ou não gosta.


Ao observamos os animais e a natureza, notamos que não há, nem pode haver, uma distinção nítida entre o que pode ser a felicidade e o que consideramos infelicidade, há a vida e fatos que lhe são peculiares: nascimento e morte, prazer e dor, contentamento e ansiedade. A natureza assume orgulhosamente a autoria de tempestades e belas auroras, de terremotos e jardins idílicos, de vulcões ou furacões e a beleza delicada do vôo das libélulas ou do canto dos pássaros. Escreve Paul Veyne (“O Preço de ser Feliz”, artigo para “Libération”): “e a natureza se contenta com um pedaço de pão e água que nos oferecem em qualquer lugar”. Jean-Jacques Rousseau defendeu com unhas e dentes a idéia do naturismo e sistematicamente execrou qualquer tipo de progresso, cultura ou sociedade, pois fazem com que reine a desigualdade entre os homens. Falando sobre o homem natural (3o Discurso, 1ª parte), Rousseau conta-nos que “despojando esse ser (o homem), (...) considerando-o, numa palavra, tal como deve ter saído das mãos da Natureza, vejo um animal menos forte do que uns, menos ágil do que outros, mas, em conjunto, organizado de modo mais vantajoso do que todos os demais. Vejo-o fartando-se sob um carvalho, refrigerando-se no primeiro riacho, encontrando seu leito ao pé da mesma árvore que lhe forneceu o repasto e, assim, satisfazendo todas as suas necessidades. Mas os humanos se desligaram destas idéias naturais e instituíram que pode haver coisas boas ou ruins e, por isso, perseguem uma idéia absurda de felicidade”.


Mesmo quando se tenta localizar a tal felicidade no tempo, percebemos que a raça humana não parece ter sido feita para conhecê-la, nem à vida em seu sentido mais ingênuo e puro, como a dos animais ou dos homens naturais. Desafio a qualquer um a me mostrar um período sequer, registrado na História Ocidental, mesmo que um espaço de tempo limitado em um único dia, em que a humanidade tenha sido de fato feliz e tenha se considerado como tal. Não existe nem um único dia nos cinco mil anos que se tem noticia, que tenha havido boa vontade entre os humanos, boas ações ou momentos felizes para todo o conjunto de um povo! O que a História relata são apenas guerras, matanças, escravizações, abusos, invejas, traições, assassinatos, estupros, sadismos e maldades. Onde está a felicidade, absoluta e auto-suficiente? Será que realmente é a felicidade a finalidade da ação? Parece-me que mais próximo da realidade está Thomas Hobbes, quando afirma que “o que há é uma necessidade absurda de satisfação do amor próprio a qualquer preço e que, sem um controle rígido e totalitário, a humanidade está condenada a uma guerra de todos contra todos, porque o homem é o lobo do homem” (“Leviatã” e “De Cive”, respectivamente).


Com que então esta tal raça humana não passa de uma turba enfurecida e feroz, maligna e traiçoeira, a mais agressiva das raças que foi criada? Com que então a humanidade é por natureza vil e ignóbil, nada digna de nenhuma confiança e menos ainda de alguma esperança? Mas por que então, quando se fala em um ato humanitário, pensa-se em uma ação caridosa e bem intencionada? Dever-se-ia imediatamente supor que um ato humanitário seria uma série de torturas ou matanças, assim como a “Santa Inquisição” ou como os campos de concentração e extermínio da Segunda Guerra Mundial; afinal, assim é a humanidade e assim são os atos humanitários. E se por acaso alguém ousar falar algo em contrário, tentar mostrar a estes humanos que é importante o respeito mútuo e a cooperação entre as pessoas e os povos, provavelmente este indivíduo será tachado de reacionário e será crucificado, envenenado com cicuta, morto a flechadas, decapitado, queimado vivo ou enforcado sumariamente; como já ocorreu diversas vezes no passado com gente que apenas tentou melhorar um pouco a índole agressiva da raça humana.


Pensando-se desta forma, se lembrarmos que estamos rodeados por esses seres extremamente agressivos e egoístas (os humanos), começaremos a entender que não devemos esperar nada além do mal, por parte deles. Sobreviver ao convívio com outros seres humanos, já parece mais do que o suficiente para que nos demos por contentes e a idéia da felicidade já está de nós muito distante e utópica, com este confronto com os fatos reais objetivos. Isto quer dizer que se ao cruzar com alguém na rua, esta pessoa passar simplesmente por mim e resistir à sua índole humana o bastante para não me assaltar, não me esfaquear pelas costas e não me fazer calar sob ameaças; já devo me dar por feliz. Da mesma forma, ao final de cada dia, se me der conta de que outras vinte e quatro horas se passaram e que eu, ente e representante da raça humana, consegui superar meus impulsos ferozes e não causei mal a ninguém (ou não causei muito mal a ninguém), também eu já me devo ter como uma boa pessoa, quase um santo. Não me parece necessário que ninguém tenha nem mesmo a vontade de fazer o bem, ou pensar na felicidade alheia: evitar o mal, viver e deixar viver, já seria muito mais do que se poderia esperar da humanidade. Já imaginaram o que aconteceria se por um único dia somente, todas as pessoas do mundo apenas vivessem suas vidas, sem se incomodarem em nada com as vidas alheias? Já imaginaram como a paz e a felicidade reinariam? Teríamos paz sobre a terra se as pessoas tomassem o cuidado de não causar o mal umas às outras. Realmente a idéia de querer o bem do outro e ter boas intenções é supérflua, ou ao menos poder-se-ia dizer que esperar algo dessa natureza seria pedir demais para seres tão perversos quanto os humanos.


Quando pudermos realmente compreender este raciocínio, o qual chamei de efeito “dark”, em homenagem aos movimentos de contra-cultura pessimistas e desesperançosos do final do século XX (“Dark”, “Punk”, “Gótico”, “Trash”, etc.); compreenderemos que a verdadeira felicidade está em conseguir sobreviver à natureza humana e à sua agressividade, representada por nossos próprios atos e pelos atos de nossos próximos e que, como verdadeiros milagres e manifestações de santidade, cada pequeno gesto afetivo e cordial representa o bem mais precioso que se pode obter. Um “bom dia”, um “muito obrigado”, um afago ou simples suportar-se em silêncio passam a ser o máximo da vitória humana sobre sua própria natureza e a gente passa a valorizá-los ao extremo e a observar como, contrariamente a todas as expectativas, a humanidade continua existindo e de uma maneira até que espantosamente boa, quando comparada à sua índole.


No entanto, é importante que nada se espere de ninguém, nem de nós mesmos, nem dos outros; porque qualquer mínima esperança será invariavelmente recompensada com a frustração e a tristeza. É importante que se saiba todo o tempo que se está lidando com humanos e o que isto realmente significa: traição, destruição e morte. É importante que se veja o futuro tão negro quanto foi o passado e que se abra mão de qualquer pequena ilusão de felicidade. Somente assim, tão pessimistas e desesperados assim, poderemos ter uma pequeníssima chance de descobrirmo-nos real e efetivamente felizes, aqui e agora, sem as sombras de utopia insana ou do mito da felicidade, que tanta tristeza nos traz.

24 março 2010

A Vida é...


Não se pode ajudar uma pessoa que não permite ser ajudada. Cada um tem um nível evolutivo diferente e traça sua vida de acordo com as necessidades que este nível evolutivo impõe. Dentro destas metas traçadas antes mesmo do nascimento, colocamos em nossas próprias vidas desafios maiores ou menores, dons e deficiências, facilidades e dificuldades de todo nível. A vida de cada um se cumpre de acordo com estes parâmetros cármicos e de acordo com nosso livre arbítrio. Ninguém tem o direito de querer interferir com as escolhas pessoais de cada um. O que podemos fazer é ajudar a ampliar a consciência e aumentar o leque de opções que um indivíduo vê à sua frente. Talvez com mais opções e com mais consciência, a pessoa opte por caminhos mais suaves rumo à evolução. Se uma pessoa opta por ficar estagnada, só nos resta observar a vida tomando procedimentos para obrigar esta pessoa a se mover, e a vida nem sempre é suave...

Frente às decisões tomadas por pessoas à nossa volta temos que livremente tomar nossas próprias decisões. Tanto mais sábias serão nossas decisões, quanto menos calcadas no ego e no astral elas forem. Se conseguíssemos tomar todas nossas decisões baseados no Espírito e na clara racionalidade, descompromissados e abnegados, nossa vida teria um rumo correto e forte. Todas as vezes que vacilamos por interferência do astral e do ego, desviamos nosso rumo e precisamos e impulsos internos e externos para nos recolocar no rumo original. Os impulsos internos geralmente vêm em forma de doenças; algumas vezes, de sonhos e insights. Os impulsos externos vêm em forma de acidentes, confrontos e atritos; algumas vezes, de conselhos e sincronicidades. Assim caminhamos.

Quando uma pessoa se desloca de forma irrecuperável de seu caminho previamente traçado, seu Espírito se incumbe de "abortar" aquela existência. Este processo pode ocorrer de dentro para fora, como uma doença terminal, ou de fora para dentro, como um acidente fatal. Muitas vezes, porém, assume a forma de um "abondono" do Espírito, que se retira da existência, deixando para trás uma "casca" onde só habitam o ego, o astral e miasmas. Um lento processo de decomposição em vida se inicia e leva inexoravelmente para a morte. Infelizmente é comum que a morte tarde...

21 janeiro 2010

Dicas de Saúde



A prática frequente de atividades físicas pode ser muito útil também do ponto de vista psicológico. Uma atividade física bem conduzida pode causar a liberação progressiva de endorfinas. Estas substâncias são neurotransmissores que mediam a atividade neuronal, ou seja, atuam na “comunicação” do sistema nervoso. As endorfinas são então responsáveis cerebrais por sensações prazerosas de euforia e bem-estar. Por esta razão, a atividade física deve fazer parte de qualquer tratamento psíquico e esta ajuda já é conhecida desde a Grécia Antiga.

Estudos recentes apontam que a endorfina pode um efeito sobre áreas cerebrais responsáveis pela modulação da dor, do humor, depressão, ansiedade e ainda atuar sobre o sistema nervoso simpático, responsável pela modulação de diversos órgão. Elas podem também regular a liberação de outros hormônios. Estas substâncias ajudam a memória, melhoram o estado de espírito, aumentam a resistência, aumentam a disposição física e mental, melhoram o nosso sistema imunológico, bloqueiam as lesões dos vasos sanguíneos, têm efeito antioxidante, retardando o envelhecimento e ainda aliviam dores.

Provavelmente parte da capacidade da acupuntura em aliviar a dor seja devida ao estímulo da liberação de endorfinas. Uma vez estimulados pelas agulhas, os terminais nervosos ocasionam a liberação deses neurotransmissores no complexo supressor de dor, ou seja, é produzido o efeito analgésico na região cerebral. O consumo de chocolate também estimula a produção de endorfina, o que explicaria a compulsão dos chocólatras. Só para se ter uma idéia, endorfinas são normalmente liberadas durante o orgasmo.

Porém, todas estas maravilhas só ocorrem com uma prática esportiva constante e regrada. Imagina-se que haja uma ativação plena dos neurônios que utilizam endorfina em nosso sistema nervoso central, após seis meses de uma atividade física de no mínimo meia hora, numa frequência de pelo menso três vezes por semana. Isto significa que aquelas pessoas que são “fogo de palha” e não mantêm uma constância na prática de atividade física, não chegam a sentir os efeitos psíquicos positivos que o esperte pode proporcionar.

Quando se começa uma atividade física, o corpo que estava sedentário e pouco acostumado a ser estimulado, sente-se dolorido e cansado. Para que se consiga reverter o processo e começar a liberar endorfinas, é preciso superar esta primeira fase de inércia e resistir bravamente à tendência de voltar à inatividade. Depois, com o tempo, a dor muscular e a sensação de cansaço vão dando lugar à euforia e ao bem-estar. Estas sensações são o que os pesquisadores demonstram ser o maior benefício trazido pelos exercícios em relação ao humor e estresse.

Estes efeitos causados pelas endorfinas são tão bons, que é muito comum que as pessoas se tornem “viciadas” em esportes. Aquele que supera estes seis meses iniciais, muito provavelmente vai tender a se manter ativo por toda a vida e este “vício” é com certeza o mais saudável dos vícios. Mas cuidado: a atividade física deve ser sempre bem orientada e dosada, de forma a evitar lesões. Exageros podem desgastar o indivíduo tanto física, quanto psiquicamente e o que deveria ser uma válvula de escape para o estresse, torna-se fator estressante por si mesmo. Lembre-se: o importante é a qualidade da atividade física praticada e não a quantidade!

08 janeiro 2010

Diga NÃO à vacina contra a Gripe Suína !!!


Fatos não divulgados sobre a Influenza A (H1N1) que você precisa saber antes de resolver se vacinar:

* A Gripe Suína tem uma taxa de mortalidade MENOR do que a gripe comum. Isto significa que oferece MENOR risco do que a gripe convencional, tanto na virose em si, quanto na possibilidade de gerar complicações (pneumonites, pneumonias, etc).
* A vacina contra a gripe comum NÃO protege contra a Gripe Suína.

* A vacina contra a Influenza A (H1N1) NÃO se apresenta totalmente eficaz.

* Muitas empresas estão ganhando milhões de dólares com a venda em massa de vacinas contra a Influenza A (H1N1) e não têm interesse em divulgar o lado negativo das campanhas de vacinação.

* A vacina contra a Influenza A (H1N1) ainda NÃO foi suficientemente testada e pode oferecer muitos riscos à saúde. A saber:


1) Reações de hipersensibilidade: reações alérgicas várias, desde leves reações cutâneas até choque anafilático e morte. Estas reações são comuns em pessoas com alergia a ovo.

2) Reações auto-imunes: reações imunológicas que podem destruir partes diversas do corpo em graus desde leve até grave, incluindo destruição reversível ou NÃO de neurônios (desmielinização).

3) Desencadeamento de virose. Em pessoas com deficiências imunológicas, em crianças, em idosos e em gestantes, a vacina contra a Influenza A (H1N1) pode facilmente causar a mesma doença que procura evitar. Isto ocorre por ser uma vacina feita com vírus vivo atenuado.

4) O processo que foi usado para criar a vacina contra a Influenza A (H1N1) deixa traços de mercúrio, metal pesado e altamente tóxico, que tem efeito acumulativo no organismo. Há estudos que apontam uma relação entre o mercúrio e o desenvolvimento de autismo em crianças pequenas vacinadas.