22 dezembro 2014

O Ciclo da Vida







Morte e renascimento: o Sol nasce toda manhã, mas à tarde morre me meio a tons de sangue. A Lua crescente se torna cheia e míngua para ser negra. A Terra brota em cores e aromas na primavera; verde, o verão se faz dourado e escorrega em tons alaranjados do outono até a alva desolação invernal. Mas Sol, Lua e Terra tornam a nascer e cumprem seu ciclo. A semente morre para dar lugar a uma nova planta e a árvore ao morrer, deixa no solo a semente. É assim que acontece o ciclo da vida, da morte e do renascimento.

Quando nascemos, inspiramos pela primeira vez e trazemos pra dentro de nós a atmosfera deste planeta que escolhemos para viver. Quando morremos, expiramos pela última vez e devolvemos ao planeta esta pequeníssima parte de sua atmosfera. A cada respiração, ao inspirar, reafirmamos nosso nascimento e, ao expirar, antecipamos nossa morte. O coração se contrai e impulsiona o sangue para a vida e se relaxa e recebe em si a morte. Pela manhã nascemos para um novo dia e à noite morremos em direção ao sono. A vida não é o contrário da morte: a vida é feita de diversos ciclos de nascimento e morte.

Quem nunca mudou com o tempo? Aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. A vida é um ciclo, os amigos de hoje não serão mais os amigos de amanhã. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Para o pensamento chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo; mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe: tudo no mundo muda, menos a mutação constante. Portanto, "I" em Chinês significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma "simplicidade" que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

O ciclo se faz representar pela Fênix, pássaro sagrado da Mitologia Grega que, quando morre, entra em autocombustão e, passado algum tempo, renasce de suas próprias cinzas. Grande ave de fogo, possui penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas, é símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual e, mais uma vez, a imortalidade reside na aceitação da própria morte, que conduz ao renascimento. No Egito, similarmente, havia a ave Bennu, quando a ave sentia a morte se aproximar, construía uma pira de ramos de canela, sálvia e mirra em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas erguia-se então uma nova ave, que colocava piedosamente os restos da sua progenitora num ovo de mirra e voava com ele até Heliópolis, onde o colocava no Altar do Sol. Também na Índia, aparece uma versão local do mito da Fênix: trata-se de uma ave que, ao atingir a idade de 500 anos, realiza uma autoimolação às vésperas da Primavera em um altar, que foi especialmente preparado para esse fim por um sacerdote. Porém, é a própria ave que acende o fogo. No dia seguinte, dentre as cinzas, surge uma larva que logo se transforma em um pequeno filhote de uma ave. Em seguida, quando ela cresce, todos reconhecem nela a forma, o brilho e a beleza característicos da eterna Fênix. Porém, vê-se algo distinto em seus olhos e no brilho de suas penas: a Fênix ressuscitou mais bela, mais poderosa e mais grandiosa. Na China antiga a Fênix foi representada como uma ave maravilhosa e transformada em símbolo da felicidade, da virtude, da força, da liberdade, e da inteligência. Na sua plumagem, brilham as cinco cores sagradas: púrpura, azul, vermelho, branco e dourado, representado os cinco elementos.

A Fênix é, assim, um símbolo para toda forma de vida que, igual à ave mitológica, tem um princípio e um fim para depois recomeçar e terminar novamente, sucessivas vezes; isso acontece para os éons que duram as vidas de galáxias e universos, da mesma forma que para a efêmera existência de humanos. Na Alquimia, em sua etapa denominada Calcinatio, quando a matéria-prima com que o alquimista está trabalhando chega ao seu ponto máximo de putrefação e, aparentemente, não teria mais utilidade; nessa fase a matéria-prima é queimada, ou calcinada (ou ainda, sacrificada) e com suas cinzas o opus alquímico entra em uma nova etapa.

Que a todo fim, se siga um novo princípio! Feliz Ano Novo!


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