21 novembro 2006

Palavras Maduras
na Boca do Ator

Poema de Ailson Leite






Primeiro Ato

Primeiro Movimento


Palavras.
Dançando vazias, plenas,
Procurando poesia em si ,
Por si e para si.
Palavras que na boca têm o som do que foi dito,
Apenas, sujas palavras.
Mas não apenas isso:
Porque na boca a palavra soa,
Quando bem dita,
Como a memória da alma,
Para além do escrito.
Está dito.
Mas nem tudo está dito:
Eis o infinito.


Segundo Movimento

Ah seu eu tivesse a arte
E se ela me fosse generosa e viesse morar comigo,
Eu diria a ela, me ensina!
Curta. Objetiva. Gaga. Epilética gramática machadiana.
E de Drummond, oh mon Dieu, na letra exata.
A cara da forma e da palavra descarada,
Escancarada.


Mas como fazê-lo se nem estabelecido se está
Na casa da palavra?
Quando se mora na rua solitária, a rua é só,
A palavra é só. Só para ler. Só para ver. Só para ser,
Solidão.

Na rua a solidão é praça.
A palavra é rodovia que atravessa o país.
Na rua, a palavra é curta.
A praça é curta.
A rua é longa,
A vida é longa
E a lida é dura,
A palavra lida, dura de ouvir
Dura vida.
Pedra de quintal no mato
Pedra de querer...

Na rua a palavra é arma apontada pra cabeça.
E é preciso descer do pedestal,
Andar e crescer.
É preciso, insistir!

2 comentários:

Fernanda disse...

Vc conhece Ailson Leite?

Bernardo de Gregorio disse...

Olá FERNANDA!

Sim, eu conheço o Ailson leite. Quero dizer: conheço virtualmente!

Bernardo.