04 junho 2011

Alguma coisa se perdeu com o fim do Século XX...


“O ecstasy, lent
amente, passava de acessório a protagonista das baladas”.

(André Meyer em “Lindo de Doer”)


Eu sempre digo que não gosto do Século XXI e ainda bem que só faltam 90 anos para ele acabar! Digo isso, porque uma transformação estranha, sinuosa e maligna deu-se no fim do século passado, início deste. Sempre tive dúvidas, como bom libriano, se esta noção se dava por causa de mudanças pessoais ou se houve de fato uma mudança geral na virada do século. Foi com isto em mente que comecei a leitura do recém lançado livro autobiográfico de André Meyer, “Lindo de Doer”. A comparação entre os pontos de vista de pessoas com trajetórias de vida tão diversas como eu e André, mas que por algum tempo gravitaram um mesmo universo, poderia me dar uma noção da resposta que procurava.

Pioneiro dos piercings no Brasil, André viajou o mundo em busca de referências em arte corporal. Na década de ‘90, sentiu na pele a contracultura londrina, morou em Goa, na Índia, visitou retiros hindus, conviveu com índios no Xingu, participou de festivais religiosos às margens do Ganges e pagãos no deserto de Black Rock, Estados Unidos. Em suas viagens, suspendeu-se por ganchos cravados na pele, recebeu pragas e bênçãos de homens santos, quase morreu de fome, de intoxicações alimentares e de quedas de moto. Experimentou substâncias entorpecentes, descobriu o Yoga e tornou-se vegetariano. Como diz o subtítulo, “Lindo de Doer” são mesmo piercings, viagens estéticas, eróticas e esotéricas.

Em seu livro, André escreve: “a música eletrônica passou a ser cada vez mais associada à venda e ao consumo de drogas. Coisas bizarras começaram a acontecer. Lembro de uma noite, no Hell’s, quando, no meio da balada, o som parou, acenderam-se todas as luzes e de uma hora para outra o lugar estava cheio de policiais, esquadrão de elite, com máscaras ninja e metralhadora em punho. Entraram apavorando”. Acontece que eu estava neste mesmo local em São Paulo, nesta mesma noite. Quer dizer: “noite” é a forma como o André se refere, mas na verdade a festa chamada “Hell’s” ocorria nas manhãs de domingo, famoso espaço after hours. E foi esta diferença de conceito que fez toda a diferença: eu devo ter chegado por lá por volta das 5 manhã, fiquei um pouco e me senti cansado, estranho, com um sentimento de urgência. Fiquei no máximo uma meia hora e fui embora dormir, sob os protestos de alguns amigos. Foi depois que eu sai, que toda a ação policial se desenrolou.

No livro, André continua: “nas festas também era cada vez mais comum aparecerem policiais à paisana prendendo a molecada ou pedindo uma grana de propina p’ra que a balada pudesse continuar”. Este tipo de ação e reação continuou a acontecer amiúde, isto é: uma liberação muito maior dos costumes que causou uma abertura psíquica, ideológica e cultural que, por sua vez, abriu espaço para a infiltração de exageros e interpretações dúbias de todas propostas, base moral para “justificar” uma reação repressiva em série por parte dos conservadores, culminando com a típica corrupção de certas autoridades.

Por exemplo, uma invasão policial se deu em São Paulo na boate GLS SoGo, na noite de 1º de junho de 2000, seguindo os mesmos moldes. Eis o depoimento indignado de uma testemunha da invasão da boate: “na noite de quinta-feira, presenciei uma cena típica da época do auge da ditadura militar: a invasão por policiais civis da boate SoGo, na região dos Jardins, em São Paulo. Como justificativa para o comportamento hostil e intimidatório, alegaram que a casa seria ‘lugar de prostituição e drogas’. A partir de tal presunção, arrogaram a si a prerrogativa de cercar o prédio com três viaturas, invadi-lo aos berros, humilhando freqüentadores e funcionários. Além da arrogância e da prepotência, demonstraram preconceito por se tratar de uma casa noturna GLS, embora freqüentada igualmente por moças e casais héteros, pretenderam ver ali um ‘antro de pouca-vergonha e indecência’”.

Fica claro o embate entre forças antagônicas, não? Uma força libertária e uma força repressora se enfrentam mais uma vez, tal como ocorreu ao longo de toda História. As turbulências que observamos em todos os setores sociais e a turbulência que experimentamos internamente, psicologicamente, são os frutos deste confronto. Porém aqui, percebem-se nuances ambíguas de ambos os lados. A reboque com a idéia liberal, infiltram-se forças escusas, disfarçadas, lobos em forma de cordeiros. Diz André: “quando ficou claro que as raves podiam render realmente muito dinheiro, surgiu uma porção de aproveitadores em busca de lucro (...). Assim, aos poucos, o objetivo das raves foi deixando de ser a diversão e a confraternização para se tornar um negócio, apenas business e salve-se quem poder!”. Esses interesses vão desde empresários ambiciosos desprovidos de preocupação cultural, passando pelo tráfico de drogas descarado, até o útil efeito colateral de “zumbização” de uma boa parcela social que se coloca dócil frente às manipulações políticas e econômicas de eminências pardas.

A Cultura Clubber aparece então como o movimento de contra-cultura do século XXI. Gerado pela frustração do pós-tudo (pós-moderno, pós-hippie, pós-punk, pós-dark, pós-AIDS), o impulso clubber é uma proposta sem proposta, uma pura e simples alienação do tempo e do espaço, impulsionado pelos psicodélicos. A fuga da realidade, o hedonismo exacerbado de um pensamento cape diem, o desdém pela cultura, pelos valores sociais e pelo conhecimento, a simples auto-anestesia como solução e o repúdio a tudo e a todos que os possam fazer acordar deste transe perpétuo são suas marcas registradas. Incrivelmente, a Cultura Clubber englobou em si elementos desconexos herdados de movimentos de contra-cultura anteriores, tais como o misticismo e a espiritualização Hippie, a estética do modernismo, do psicodelismo do Sci-Fi e a depressão e o tédio Dark, a anarquia Punk. Atualmente, no entanto, estes atributos acabam sendo usados de forma esvaziada de seus significados culturais originais. E assim chegamos ao famoso Século XXI e assim passou a primeira década do famoso século. Famoso, porque muitas projeções e esperanças foram nele depositas, justamente por causa dos avanços cognitivos e tecnológicos. A Ficção Científica tornou-se um arauto da Nova Era e durante todo o Século XX anunciou este “admirável mundo novo” do porvir. Inacreditável (mesmo!).

Em 1999 tive a feliz oportunidade de assistir a apresentação integral de Fausto de Goethe, incluindo a primeira e a segunda partes. Esta apresentação dura 24 horas, divididas ao longo de uma semana e acrescentada de várias palestras e cursos paralelos e ocorre a cada 4 anos no Goetheanum, na cidade de Dornach, na Suiça. O tema “Fausto” me fez refletir sobre a questão contemporânea da humanidade: Mephisto abrindo as portas deste “admirável mundo novo” e minimizando ao máximo a morte da jovem Gretchen. Mas alguma coisa se perdeu! Gretchen foi sacrificada neste processo e Gretchen é a alma humana! Na monumental e absolutamente prospectiva obra de Goethe, Mefistófeles diz a Fausto: "com essa dose no corpo, logo vês Helena de Tróia em qualquer mulher". Mephisto 2000 diria o mesmo, mas referindo-se ao ecstasy. Segundo a Psicologia Analítica, teoria de Carl Gustav Jung, este efeito "Helena" refere-se à Ânima arquitípica, é a encarnação da Ânima Mundi. Porém aqui temos uma clara banalização, até mesmo uma profanação, pode-se dizer, desta que deveria ser a encarnação humana da Deusa, da Grande Mãe. Gretchen foi trocada por uma Helena lisérgica, artificial e plástica: silicone e alucinação.

Tal qual Fausto, nossa sociedade está desesperadamente em busca de sua própria natureza espiritual e não sabe nem ao menos que é exatamente isto que lhe falta. Devaneia em busca de uma resposta exterior que lhe supra as necessidades. Vivemos a era Pós-Tudo, onde tudo já foi feito, até mesmo no âmbito da religião e da Espiritualidade. Todos os paradigmas já foram devida e sistematicamente demolidos e o que resta hoje é uma profusão de doutrinas religiosas em constante conflito entre si e que nada mais provocam no Ser Humano do que angústia. Resumindo: o Ser Humano vive uma era sem sonhos, sem parâmetros e sem absolutamente nenhum referencial inquestionável. Na falta de um deus para reverenciar, o Inconsciente imediatamente procura qualquer ídolo que o substitua, nem sempre de forma adequada e coerente. Este processo recebe o nome de "idolatria”. É lógico que por trás disto há uma gigantesca mola propulsora, fruto de uma engrenagem social: o consumismo. Os mercados devem ser expandidos. Enquanto muitos partem nesta viagem alucinada, outros, materialistas, aproveitam-se da situação para lucrar a qualquer custo: dinheiro, poder, acúmulo. Uma das razões para a manutenção deste arrastado pesar, é a capacidade inescrupulosa que alguns poucos têm de ludibriar e iludir o semelhante com técnicas cada vez mais certeiras de usar nossa própria busca pela felicidade como isca para nos empurrar goela abaixo as mais estranhas idéias e crenças. Pobres almas essas que se iludem ao iludir... Não percebem que fazem com que se percam almas de semelhantes e, para tal, perdem-se suas próprias?



Coroando este panorama voltam, vindas diretamente da Idade das Trevas, forças repressoras e controladoras que querem limitar o Ser e sua liberdade. Aproveitam-se do momento delicado e atacam como nunca, como se estivessem, oportunistas, apenas esperando uma brecha. Sim: religiões rígidas e dogmáticas que se multiplicam, movimentos políticos totalitários, moralismos ressuscitados do inferno e a força bruta que se impõe por si mesma. Em nome da salvação estes “Novos Cruzados” avançam: reconquistarão as “Terras Santas”, expulsarão o inimigo, vingarão a destruição das cidades! Nada mais é seguro e ninguém mais é confiável: nada nem ninguém acima de qualquer suspeita e espiões eletrônicos estão por todos os lados! Tudo parece estar se encaminhando de uma maneira errada e os descaminhos não são apenas externos: algo de errado ocorre também dentro das pessoas. A materialização do pesadelo de Orwell na forma do Big Brother: câmeras espalhadas por todos os lugares, olhares fiscalizadores que nos acompanham, olhos no céu sob forma de satélites espiões, rastreamento eletrônico de cada transação monetária, de cada mensagem enviada e recebida, de cada imagem processada.

Então, alguma coisa se perdeu com o fim do Século XX e esta perda é simbolizada pela morte de Gretchen, pela perda da Ânima, pela desconexão do humano com sua alma. Se algo não for feito com urgência, esta alma pode ser perdida para sempre. O Terceiro Milênio nasce, portanto, com o destino da Humanidade envolto em um delicado limiar: por um lado toda a herança esquizofrênica, segregacionista e preconceituosa e, por outro, o alvorecer de uma Nova Era, onde é retomado o rumo à liberdade, à igualdade e à fraternidade. A via para se atingir este novo degrau evolutivo é a “empatia”: capacidade absolutamente humana de conseguir se colocar no lugar do Outro, a ponto de nos esquecermos por uns instantes de nós mesmos e conseguirmos sentir como o Outro percebe sua própria vida, a nós mesmos e a toda existência. Resumidamente, atingir a Alma da Consciência é exatamente “amar ao próximo como a si mesmo”. As transformações são lentas e graduais: ciclos dentro de ciclos. A resitência é ferrenha e violenta. O que pode advir deste período feito de ansiedade , somente o tempo dirá.






26 março 2011

Etiqueta Digital


A Revista Super Interessante publicou 24 regras de etiqueta da vida digital (http://super.abril.com.br/cultura/24-regras-etiqueta-vida-digital-623022.shtml) organizadas por Felipe Van Deursen e Bruno Garattoni a partir do artigo "The Essential Guide to Social Media" (Brian Solis, 2008.abr.io/NQR). No entanto, ouso questionar o viés enfocado. Todas as regras por lá parecem ter como objetivo principal um ganho pessoal imediato em relação à imagem perante amigos, colegas e (sobretudo) chefes, se tornando mais regras de self marketing, do que propriamente regras de etiqueta. Minha noção de etiqueta é bem outra: bem educada é qualquer pessoa que procure levar uma sensação de bem-estar e conforto àqueles com quem lida e não "levar vantagem em tudo", certo?



1. Amo meu smartphone. Mas ele é meio grande, aperta o bolso da minha calça - e não consigo ouvi-lo quando está dentro da minha mochila. Posso colocá-lo sobre a mesa do bar ou do restaurante?

É horrível colocar qualquer fone sobre a mesa, em qualquer situação. A mensagem ao se fazer isso é clara: "vocês que estão à mesa comigo são menos importantes do que as pessoas que estão longe". Permitir que a máquina infernal toque "música", vibre ou chame a atenção de qualquer forma, é pior ainda. Atender ou ficar vendo mensagens é o fim: rompimento de amizade por justa causa.


2. Liguei para uma pessoa e ela não atendeu. Deixo recado ou mando SMS?

Tudo depende do estilo da pessoa que está recebendo a chamada. Se sabidamente for uma pessoa que prefira mensagens, faça-o. Se for uma situação formal ou se houver dúvidas, sempre a mensagem de voz é mais elegante. Há pessoas, no entanto, que jamais resgatam mensagens falada e estas pessoas devem por força deixar um recado no telefone dizendo "não deixe recado, porque não costumo retirá-los".


3. Choque elétrico, arrancamento de unhas, afogamento simulado. Nenhuma dessas torturas se compara às reuniões da minha empresa: estou preso numa há 3 horas, e quero me matar. Posso buscar alegria no mundinho mágico do meu smartphone?

A questão é outra: se seu trabalho é assim tão terrível, considere seriamente a possibilidade de trocá-lo e não a possibilidade de usar o celular.


4. Ligam pra mim no meio dessa reunião super­legal. É impor­tante. O que faço?

Se de fato a tal ligação é muito importante, provavelmente já era uma ligação esperada. Neste caso, o correto seria avisar logo no início da reunião que você espera uma chamada. Feito isso, será natural atendê-la o mais discretamente possível, afastando-se para falar e retornando rapidamente.


5. Estou numa peça de teatro insuportável. Tudo bem passar o tempo respon­dendo umas mensagens no celular?

Nem pensar! No teatro, no cinema, na sala de palestras e locais afins, o celular ou qualquer outra máquina dos infernos deve estar irremediável e permanentemente desligada, como respeito ao espetáculo que está sendo apresentado e aos demais espectadores. Aliás, é regra explícita no início de qualquer apresentação.


6. Quero dar unfollow em alguém. Como fazer isso sem criar um clima ou ganhar um inimigo?

Há algumas pessoas que de fato se entristecem quando alguém os exclui de seu hall de amigos (ou seguidores). Infelizmente há ocasiões em que isso se impõe e vai ter que ser encarado. Procure não tomar isto como pessoa. Porém, na maioria das vezes é possível apenas ocultar os comentários da pessoa, sem causar maiores polêmicas. Lembre-se também de que é possível ocultar joguinhos e aplicativos específicos, sem precisar necessariamente ocultar a pessoa inteira!


7. Posso usar ringtones personalizados?

Pode, desde que você evite o ridículo do óbvio (ou o óbvio do ridículo) e nesta resposta eu mantive a resposta original deles na revista (ou parte dela).


8. Posso escutar música no trabalho como se não houvesse amanhã e o chefe estivesse em Aruba (mesmo ele estando do meu lado)?

Claro, se for permitido em seu local de trabalho e evidentemente com fones de ouvido.


9. Meu colega não tira os fones de ouvido. Só que eles vazam o som e sou obrigado a ouvir as músicas dele, na forma de chiadinho, o dia inteiro.

Descubra a data de aniversário da pessoa e presenteie-a com um fone do tipo in-ear - são aqueles modelos com ponta de borracha, que ficam enfiados no canal auditivo e por isso não deixam o som escapar. Custam em média R$60,oo. Esta também é a resposta original da revista (na íntegra!).


10. Assinei um plano de internet mega rápido. Posso compartilhar a conexão com o pessoal do meu prédio?

Isto é ilegal, os contratos dos serviços de banda larga proíbem o compartilhamento. Ser "ilegal", significa que você definitivamente não pode fazer, caso você seja daquelas pessoas que acreditam no "jeitinho".


11. Adoro encaminhar correntes de e-mail e arquivos de PowerPoint com mensagens edificantes. Posso?

Não, não pode!


12. Meu vizinho deixou A rede Wi-Fi aberta sem querer. Oba! Posso usar?

Se a sua vida depender disso... Mas não digite senhas de sites como Gmail, Twitter ou Facebook. E não baixe nada: fazendo downloads, você poderá estourar a cota de tráfego (limite imposto por serviços como o Vírtua) do vizinho. Olha: esta também é uma resposta original!


13. Como devo batizar a minha rede?

O nome da sua rede Wi-Fi pode ser visto por todo mundo num raio de até 100 metros. Não use seu próprio nome ou sobrenome, pois é exposição demais. E evite termos relacionados a futebol, pois eles podem atrair hackers que torçam para outros times (invadir uma rede Wi-Fi é muito mais fácil do que você imagina). Use um nome neutro, que não chame a atenção. Viu? Mais uma original! Afinal o artigo é ruim, mas nem tanto...


14. E a senha?

Um dia, as visitas vão querer usar o Wi-Fi na sua casa - e você terá de compartilhar a senha com elas. Não repita as senhas que você já utiliza para outros serviços, como Gmail e Facebook, e evite coisas que possam ser constrangedoras (na linha "rickfofucho33"). Outra original!


15. Escrevi uma grande besteira no Twitter. Apago ou ignoro?

Se você se der conta rapidamente, apague. Mas, se o tuit foi escrito há mais de 10 minutos (ou se você tem muitos seguidores), não adianta deletá-lo: com certeza alguém já viu. Assuma as consequências, peça desculpas, se for o caso ou simplesmente retrate-se.


16. DM or not DM?

"@rogério Vamos nos encontrar no bar hoje?" Twitter não é lugar de chat. Se você quer falar com uma só pessoa, use o recurso de Direct Message (ou serviços como o Twee.li, que adiciona um mensageiro instantâneo no Twitter). Não atormente seus seguidores com mensagens que não dizem respeito a eles. Mais uma em que eu estou totalmente de acordo e ainda completo que o mesmíssimo é válido para o FaceBook!


17. "Fulano convidou você para fazer parte do Sonico/Hi5/Quora (ou qualquer outra rede social que você não usa nem quer usar)". E agora?

Você não é obrigado a utilizar nenhuma rede que não queira. Se a pessoa for bastante próxima e íntima, compreenderá sem problemas. Se a pessoa for mais formal, mande uma mensagem explicando que não é de seu interesse. Se for uma pessoa distante ou desconhecida, simplesmente ignore.


18. Passei Photoshop na foto do meu perfil no Facebook. Pode?

Dar um tapa no contraste e nas cores não vai matar ninguém, mas não exagere, porque a idéia é mostrar como você é e não se trata de nenhum concurso de beleza.


19. Devo preencher campos como esportes, filosofia e religião no perfil do Facebook?

Uma escolha absolutamente sua.


20. Meu amigo está entulhando meu Facebook com atualizações de Mafia Wars, Farmville e outros joguinhos.

Oculte as mensagens geradas por estes aplicativos especificamente.


21. Quero ver um filme muito raro, que não existe em DVD - só nos downloads ilegais. Posso baixar?

De novo: isto é ilegal e quando se diz que é ilegal, quer dizer que não pode ser feito.


22. Não entro no Orkut há um tempão. Devo me suicidar?

Se de fato não for de seu interesse, deve sim apagar sua conta. Um bom termômetro para a real necessidade de fazer isto é a relativa complicação que o procedimento requer. Se valer a pena, apague!


23. Amo minha cara-metade. Estamos juntos na foto do perfil. Tudo bem?

Não. A não ser que vocês queiram ser vistos como se fossem gêmeos siameses na rede social, é melhor cada um ter seu perfil. Para isso há um campo específico sobre relacionamentos onde você pode incluir o cônjuge. Aliás, também não vale filhos, cachorro, papagaio, sogra, cunhado...


24. Estou fazendo o upload das fotos da festa de ontem. Devo ou não taguear (marcar) meu amigo numa foto em que ele está desmaiado de tanto beber?

Melhor não, né? Melhor nem mesmo subir fotos deste tipo! De toda forma, é bem simples que uma pessoa consiga desmarcar qualquer foto, se for o caso.

04 fevereiro 2011

Cuidado com medicina baseada em RÓTULOS!






Há atualmente uma forte e nefasta tendência na Psiquiatria, principalmente nos Estados Unidos, em rotular as pessoas e esconder suas peculiaridades por detrás de diagnósticos, por vezes inexistentes. O pior destes casos é sem dúvida o famigerado Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, que levou milhões de crianças e adultos pelo mundo a usar a tal da "Ritalina", a meu ver, de forma desnecessária e prejudicial. Outras medicações mais suaves ou mesmo abordagens psicoterápicas e psicopedagógicas poderiam ter sido usadas com os mesmos ou melhores resultados!

PORÉM, o mesmo raciocínio NÃO é válido para o Transtorno Afetivo Bipolar. Quando bem diagnosticado, o que acaba sendo difícil de ocorrer, descobre-se uma condição comprovadamente genética, cujo gene causador já foi localizado pelo Projeto Genoma no final do Século XX. Existe um Espectro Bipolar que inclui a antiga Psicose Maníaco-Depressiva, a Hipomania, a Depressão Recorrente, a Ciclotimia e certos tipos de Distimia e até mesmo alguns tipos de Transtornos Obssessivo-Compulsivos, Transtornos Alimentares eTranstornos de Ansiedade Generalizada. A melhor parte de se fazer este diagnóstico bem feito é que hoje em dia existem vários tratamentos altamente eficazes e que conseguem em pouco tempo trazer o paciente de um nível altíssimo de sofrimento, para uma vida feliz e normal. Os resultados que tenho obtido beiram o "milagre" e reforçam a importância de um diagnóstico bem feito.

NO ENTANTO, já vi muitas vezes (muitas MESMO) colegas psiquiatras rotularem de forma leviana pacientes que mal viram em uma entrevista rápida como portadores de TAB. É preciso que se acompanhe um paciente por meses (ou anos) até que se tenha certeza do diagnóstico de TAB!!! O Uso indiscrimidado de medicação depõe contra o diagnóstico, contra a classe médica em geral e, em especial, contra a classe dos psiquiatras.

04 janeiro 2011

O Efeito Jetsons


A Primeira Década do Século XXI



Bernardo de Gregorio





“E então, finalmente aqui estamos nós no começo de uma nova era! No começo de um novo mundo. E daí? Por onde é que a gente começa? Como é que vamos recomeçar? E mais uma vez hoje é o dia: aqui e agora. Então, p’ra onde é que a gente vai? P’ra que servem os dias? Para nos acordar e para se interporem entre infinitas noites”. (Laurie Anderson)



Há 150 anos iniciamos uma busca frenética por algo que nem mesmo nós sabemos ao certo o que poderia ser. Deste processo, tem resultado mais consciência. Adquirimos mais consciência sobre nosso corpo, sobre a natureza que nos cerca, sobre nossas origens, nossa mente, nossa condição, nossa sociedade e nosso planeta. Pensem em nomes como Freud, Darwin, Einstein, Marx, Weiner, Fleming, Watson & Crick, Bohr, Ford, Gandhi, Gurdjieff e entenderão a que me refiro. Dennis Kingsley afirma que o Século XX foi um tempo em que nos perguntamos “o que existe além da vida?”, “o que há por detrás da matéria?”, “o que se esconde por debaixo de nossa mente consciente?”, “o que significa a vida?”.

Paralelamente a esta busca radical, um imenso salto tecnológico ocorreu e de uma hora para outra, em termos históricos, nos vimos com ferramentas que nos abriram possibilidades infinitas e inimagináveis até então. O quantum de evolução tecnológica que se observa hoje a cada 2 anos, equivale a todo o acúmulo de conhecimento anterior da humanidade. Isto significa que atualmente todos os dias é descoberta a roda. Porém, existe um equilíbrio muito tênue entre as vantagens e as desvantagens que o avanço da tecnologia traz para a sociedade e a principal questão sempre é “o que vai ser feito com esta tecnologia?”. Historicamente sabemos que um igual número de aplicações positivas e negativas sempre vem no pacote de uma nova tecnologia.

E assim chegamos ao famoso Século XXI e assim passou a primeira década do famoso século*. Famoso, porque muitas projeções e esperanças foram nele depositas, justamente por causa dos avanços cognitivos e tecnológicos, algo como um “Efeito Jetsons”. A Ficção Científica tornou-se um arauto da Nova Era e durante todo o Século XX anunciou este “admirável mundo novo” do porvir. “Oh! Maravilha! Que divinas criaturas temos aqui! Como é bela a espécie humana!”. Inacreditável. Inacreditável e impossível. Sim, porque estes primeiros 10 anos nos revelaram que o Século XXI não é tão maravilhoso assim e a Humanidade corre sobre o fio da navalha de seu próprio destino.

Tudo ia até que muito bem até a fatídica data de 11 de Setembro de 2001. Apenas pouco mais de 8 meses do novo século haviam se passado e já se desferiu o primeiro grande golpe contra nosso amado “Efeito Jetsons”. Depois deste dia, nada mais seria seguro e ninguém mais seria confiável: nada nem ninguém acima de qualquer suspeita. Seguiram-se muitas datas. Datas como 1 de Fevereiro de 2003, 26 de Dezembro de 2004, 29 de Agosto de 2005, 24 de maio de 2006, 15 de Setembro de 2008. Ok, eu posso ajudar. Na ordem: atentados terroristas contra as Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono em Washington, explosão do Ônibus Espacial Columbia, tsunami no Oceâno Índico, Furacão Katrina em Nova Orleans, lançamento do documentário “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore, crise mundial do crédito. E cada um destes eventos que ocorreram nestas datas, não ficaram circunscritos a elas, mas cresceram e se multiplicaram pelo mundo, repetindo-se inúmeras vezes e mantendo o clima ameaçador deste novo século. Estes eventos foram apenas, cada um, um episódios piloto de sua própria série.

Tudo parece estar se encaminhando de uma maneira errada e os descaminhos não são apenas externos: algo de errado ocorre também dentro das pessoas. A materialização do pesadelo de Orwell na forma do Big Brother marcou esta década de forma indelével. Câmeras espalhadas por todos os lugares, olhares fiscalizadores que nos acompanham, olhos no céu sob forma de satélites espiões, Google Earth. Rastreamento eltrônico de cada transação monetária, de cada mensagem enviada e recebida, de cada imagem processada. Redes mundiais de computadores, redes sociais virtuais, redes de comunicação instantânea, Wikipedias, Wikileaks. Nada escapa, nada está a salvo.

E como cada um de nós tem lidado com tamanha revolução? Como será possível que lidemos com a revolução que estáo por vir? Imaginemos a vida de uma pessoa comum há uns, digamos, dois ou três séculos passados: um indivíduo vivia em regiões tranqüilas e isoladas, longe dos grandes centros urbanos e tinha a necessidade diária de conviver com seus familiares em constante troca afetiva de ajuda mútua. Havia também a necessidade de exercício físico constante, como por exemplo, para cortar lenha, cuidar de seus animais domésticos e de sua moradia, sem quase nenhuma facilidade tecnológica para auxiliá-lo nestas tarefas. O próprio trabalho rural dos indivíduos era o fator responsável pela integração do Ser Humano à natureza. A Espiritualidade, seja de qual origem fosse, era a linha mestra das vidas e era apresentada de forma uma e indiscutível. O acesso à informação era absolutamente restrito e ineficaz, o que obrigava o indivíduo a ignorar os acontecimentos que não estavam rigorosamente ligados à sua vida pessoal e da pequena comunidade a que pertencia. Nosso sistema emocional foi feito, por assim dizer, para este tipo de vida pacata e rural e não para a vida que temos hoje.

Nosso sistema cognitivo consegue dar conta desta avalanche de informações: entendemos facilmente que houve um terremoto no Japão, um atentado terrorista nos Estados Unidos e um bombardeio no Oriente Médio. Mas o que podemos fazer com a carga emocional que cada uma destas notícias contém? Somemos a isto o stress que a pressão da propaganda nos impõe: temos que ter o tal carro do ano, usar a tal roupa de grife e dar a nossos filhos o tal brinquedo eletrônico que ele viu na TV e raramente nossa renda acompanha os gastos destas "necessidades". Para piorar, não conseguimos ter o controle de nossas atividades diárias: normalmente exigem-se de cada um mais tarefas do que seriam possíveis nas 24 horas de um dia. Nos únicos momentos de relaxamento e descontração, dedicamo-nos a receber mais informações cognitivo-emocionais conflitantes, quando nos expomos a um filme, acessamos a Internet ou simplesmente nos anestesiamos com álcool e drogas. O contato interpessoal, vital para qualquer Ser Humano, tornou-se cada vez mais excepcional e de baixíssima qualidade, permeado por stress e ansiedade. O contato frutífero com o Inconsciente através das atividades criativas, artísticas ou através dos sonhos e das estórias mitológicas e folclóricas, perdeu-se em meio à confusão da modernidade. O exercício físico somente é possível mediante compromissos agendados em academias, que acabam trazendo mais informações desnecessárias e mais exigências impostas pela sociedade de consumo.

O resultado de tudo isso é que nós adoecemos, a sociedade adoeceu, o planeta adoeceu. Inauguramos a segunda década do Século XXI doentes. A necessidade de uma mudança profunda que traga a possibilidade de uma cura se impõe e já extrapola o ponto em que seqüelas seriam evitáveis. Este é o impasse no qual nos encontramos neste momento. “Portanto, é com pesar que verificamos que a humanidade, em pleno limiar do Século XXI, está trocando a ética, a honradez, a solidariedade. Trocam-se os valores humanos pelo supérfluo, pelo descartável, pelo irrisório e ilusório”, afirmou no fim do ano passado o articulista do Jornal da Manhã Valter Machado da Fonseca. Ainda bem que só faltam 90 anos para o Século XXII.



“Ah, meus irmãos! Ah, minhas irmãs! P’ra que servem os dias? Os dias são onde vivemos. Eles fluem e fluem... Eles vêm, correm, escorrem e se vão... Não dá p’ra saber exatamente onde é que eles começam e onde é que eles vão parar. Ah, todos vocês meus irmãos! Ah, todas as minhas irmãs há muito perdidas! Por onde é que a gente começa? Como recomeçamos? Como é que vamos recomeçar?”. (Laurie Anderson)









* É comum que se ouça que a primeira década do século 21 e do terceiro milênio terminou dia 31 de dezembro de 2009. Está errado. Na verdade, a primeira década do século 21 terminou somente no último dia de 2010. É simples fazer as contas: a primeira década da Era Cristã começou em janeiro do ano 1 d.C. – não houve ano zero. Portanto, esta década terminou no fim do ano 10 d.C. Toda década começa em ano com final 1 e termina no primeiro ano com final zero.

04 dezembro 2010

Qual é o seu TEMPERAMENTO?



A teoria dos TEMPERAMENTOS foi formulada por Hipócrates, o pai da medicina, no Século VI aC, baseando na teoria dos quatro elementos de Empédocles. O sábio médico grego classificava as pessoas em quatro tipos, cada um dos quais apresentava um desenvolvimento mais acentuado de um sistema ou função, definindo assim estados fisiológicos, personalidade e comportamento.

SANGUÍNEO

Também chamada "Hemático", este temperamento está ligado ao Elemento AR. Expansivo, otimista, mas irritável e impulsivo, o SANGUÍNEO costuma ser volúvel e é frequentemente levado pelos seus sentidos. Há quem o compare a uma borboleta, que flutua em direção sempre a um novo aroma, uma nova flor colorida. Fisicamente o SANGUÍNEO tende para o atlético: aspecto corado e saudável, ombro quadrado, nariz grande, peito amplo, pescoço forte, rosto largo, olhos vivos e olhar direto.

Aquele que possui o temperamento SANGUÍNEO como dominante, é uma pessoa marcante e que não passa desapercebida. Seu espírito é jovial, apaixonado, alegre e sociável. É ágil e rápido, tem muita vitalidade, sempre animado, gosta do contato com a natureza, tem amigos em todas as partes. Seu ritmo é rápido, entusiasta, os movimentos são amplos, dinâmicos e expansivos. Eloqüente, gosta de auditório, de freqüentar a sociedade, ávido por projeção social. Carinhoso, otimista, bondoso, muito emotivo, tem facilidade de expressão, imaginação, suporta mal a monotonia, precisa de movimento, de viagens, de esportes, de ar.



FLEUGMÁTICO


Também chamada "Linfático", este temperamento está ligado ao Elemento ÁGUA. Sonhador, pacífico e dócil, preso aos hábitos e distante das paixões, o FLEUGMÁTICO costuma ser desligado e um pouco confuso, principalmente para expressar seus sentimentos. Tipicamente é aquele sujeito que vive "no mundo da lua" e ao mesmo tempo que é capaz de ser genial, pode ser extremamente ingênuo ou pouco perspicaz. Fisicamente o FLEUGMÁTICO caracteriza-se por um perfil curvilíneo, composto de segmentos circulares, amplas bochechas, frente pequena, tórax estreito.

Aquele que possui o temperamento FLEUGMÁTICO como dominante, é uma pessoa mais calma, tranqüila, prudente e autocontrolada. Gosta de rotina e atua em conformidade com normas e regras estabelecidas, por isso sente-se bem quando está acompanhada de pessoas mais ativas e dinâmicas. Decide sem pressão e freqüentemente com bom senso. É flexível, seu caráter e ritmo são constantes e disciplinados, pessoa paciente, observador, passivo e tem boa memória. Representa uma força passiva que não deve ser desprezada. Tem uma calma, sangue frio e uma tenacidade, às vezes surpreendente frente à brutalidade dos violentos, ao entusiasmo exagerado dos sangüíneos ou a exaltação dos nervosos, pois nunca se apavora numa catástrofe.


COLÉRICO


Também chamada "Bilioso", este temperamento está ligado ao Elemento FOGO. Ambicioso e dominador, com propensão a reações abruptas e explosivas, o COLÉRICO costuma manifestar sua grande energia por resoluções inquebrantáveis, sempre rápido nas decisões, perseverante. De sua vontade tenaz resultam dois sentimentos: a dignidade e o desprezo pelos que fracassam. É exigente com os demais porque o é consigo mesmo. É de caráter sério, sóbrio, concentrado, reflexivo e raciocinador. Fisicamente o COLÉRICO caracteriza-se por corpo forte, tronco atarracado e robusto, rosto retangular com traços duros e bem marcados, aparência talvez rude, olhos severos, olhar expressivo e penetrante.

Aquele que possui o temperamento COLÉRICO como dominante, é uma pessoa com vitalidade é forte, competitiva, podendo chegar a ser agressiva e indomável. A questão principal, de qualquer modo, é que o colérico precisa de atividades que envolvam o dispêndio de energia. Sente-se facilmente estimulado quando necessita trabalhar como as mãos ou com as pernas. Tem tendência a descarregar as suas emoções em atos, palavras e manifestações grandiosas e expressivas.Sua facilidade de contato lhe proporciona amigos em todas as partes. Sua simpatia e agradável trato com aqueles de quem gosta o fazem uma pessoa atrativa, mas ao mesmo tempo temida. Necessidade ser aclamado e sentir-se importante em todos os lugares que transita.



MELANCÓLICO

Também chamada "Nervoso", este temperamento está ligado ao Elemento TERRA. Como o nome indica, nervoso e excitável, tendendo ao pessimismo, ao rancor e à solidão, o MELANCÓLICO caracteriza-se pelo comportamento irritável, impressionável, receptivo e subjetivo, além de versátil. É curioso e indagador, mas inconstante em suas ações. Denota-se facilmente em pessoas assim o peso da gravidade causado pelo Elemento TERRA, tanto no corpo, quanto na alma. Fisicamente o MELANCÓLICO caracteriza-se pelo rosto do anguloso com certa finura de traços e um perfil com sinuosidades abundante. Orelhas grandes e descoladas, pescoço comprido e fino,

quase sempre seu rosto é pequeno, nariz estreito, lábios bem finos e voltados para dentro. São propensos a tiques e possuem o tórax estreito.

A rapidez em seus movimentos, a agudeza de espírito, a sensibilidade alerta, a inquietação, uma curiosidade ativa e um modo de realizar com tendência a improvisação são as marcas daqueles que possuem um temperamento MELANCÓLICO como dominante. Tranca-se em si por medo, e normalmente prefere receber a doar. Podem ser propensos à inveja e ao ciúme. Sua manifestação da sensualidade pode ser reprimida ou recalcada. Possui uma inteligência viva, tem imaginação criativa, espírito complicado, é confuso no plano emocional e sujeito a excessos. É bravo, emotivo, inconstante, caprichoso, desconfiado e tímido. Exagera nas manifestações afetivas, e sua força e vontade oscila entre altos e baixos, muitas vezes começa e não termina as tarefas. É inquieto, irritável, crítico. Tem dificuldade para perdoar as ofensas, podendo ser vingativo e rancoroso. Não tolera críticas e tem freqüente sentimento de inferioridade. Procura impressionar com notícias inesperadas, para chamar a atenção.






11 outubro 2010

O Cubo de Metatron





No judaísmo místico, especialmente na Kabbalah, Metatron é o anjo supremo, mais poderoso até mesmo do que Miguel. Seu nome significa "Mais Próximo do Trono", conhecido como o "Príncipe do Rosto Divino", o "Anjo do Pacto", o "Rei dos Anjos" e o "Anjo da Morte", devido a sua a pesada responsabilidade de ser encarregado da "sustentação da existência do mundo".
A etimologia da palavra "Metraton" é muito incerta. Dentre as várias hipóteses que têm sido propostas a esse respeito, uma das mais interessantes é a que a faz derivar do Caldaico "mitra", que significa "chuva". Pela raiz da palavra "mitra", mantém também certa relação com a "luz". A propósito, assinalemos que a doutrina hebraica fala de um "orvalho de luz" emanado da "Árvore da Vida" pelo qual se deve operar a ressurreição dos mortos, bem como de uma "efusão de orvalho" que representa a influência celeste a comunicar-se a todos os mundos. Tudo isso lembra singularmente o simbolismo alquímico e o Rosacruciano. Sendo assim, é possível que se creia que a semelhança com o deus "Mitra" citado no Hinduismo e no Zoroastrismo constitua uma um empréstimo do Judaísmo a doutrinas estrangeiras. É possível também ressaltar o papel atribuído à chuva em quase todas as tradições, enquanto símbolo da descida das "influências espirituais" do Céu sobre a Terra.

Alguns dizem que Metraton foi "originado" de Enoch, pai de Matusalém, um personagem bíblico, nascido na sétima geração após Adão. De acordo com o relato de Gênesis (capítulo 5, versos 22-24): “E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”. Este pequeno trecho sugere que Deus o transformou em Metraton. Sobre este personagem bíblico existem também os livros apócrifos pseudoepígrafos: "Livro de Enoch I" e o "Livro de Enoch II", que fazem parte do cânone de alguns grupos religiosos, principalmente dos cristãos da Etiópia, mas que foram rejeitados pelos cristãos e hebreus, por serem particularmente incômodos para os clérigos do ponto de vista político. Todavia, a epístola de Judas, no Novo Testamento bíblico, faz uma menção expressa ao Livro de Enoch, fazendo uma breve citação nos versos 14 e 15 de seu único capítulo.

É preciso notar que "Melek", "rei" e "Maleak", "anjo" ou "enviado" não são na realidade senão duas formas de uma mesma palavra A frase o anjo no qual é Deus” (“Maleak ha-Elohim”) forma o anagrama de "Mikael". Convém acrecentar que, se Mikael se identifica com Metraton como acaba de se ver, no entanto, ele não representa senão um aspecto: o luminoso. Ao lado da face luminosa, há uma face obscura, e esta é representada por Samael, que é também chamado "Sâr haôlam", isto é, Satã. Segundo Santo Hipólito, “o Messias e o Anticristo têm ambos por emblema o leão”, que também é um símbolo solar: e a mesma observação podia ser feita para a serpente e para muitos outros símbolos.

De toda forma, pelo nome "Cubo de Metraton" é conhecida uma figura geométrica no mínimo curiosa. Esta figura contém em a si a projeção bidimensional de todos os corpos platônicos. Estes sólidos são, por sua vez, poliedros regulares convexos, ou seja: figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantém um valor constante e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as aristas em seu centro e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro. Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro.





Os 5 Corpos Platônicos e o Merkabah inseridos no Cubo de Metraton.

Platão concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos. Assim, o cubo corresponde à Terra; o tetraedro, associa-se ao Fogo; o octaedro foi associado ao Ar e o icosaedro à Água. O quinto sólido, o dodecaedro, foi considerado por Platão como o símbolo do Universo, relacionando-se ao chamo Éter.

O Cubo de Metraton se constrói tomando como base o chamado "Fruto da Vida", ou seja: 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas. Pode-se notar facilmente que a imagem da "Árvore da Vida" da Kabbalah está contida neste conjunto de esferas. Igualmente se vê a "Estrela de David" (as diagonais do hexágono) e a "Estrela de Kepler" (ou "Merkabah", forma estelar do icosaedro, versão tridimensionalda "Estrela de David").










A "Flor da Vida" é uma figura geométrica composta de círculos múltiplos espaçados uniformemente, em sobreposição, que estão dispostos de modo que formam uma flor, com um padrão de simetria multiplicada por seis, como um hexágono. Em outras palavras, seis círculos com o mesmo diâmetro se interceptam no centro de cada circulo. O Templo de Osíris em Abidos, Egito, tem o exemplar mais antigo até hoje, está talhada em granito e poderia representar o "Olho de Rá", um símbolo de autoridade do faraó. Outros exemplos se podem encontrar na arte fenícia, assíria, hindu, no médio oriente e medieval. O padrão da Flor da Vida pode ser construído com lápis, um compasso e papel mediante a criação de várias séries de círculos interconectados. O padrão da Flor da Vida é a base do Fruto da Vida e, portanto, do Cubo de Metraton.









Uma simplificação da Flor da Vida é um símbolo muito antigo, encontrado nos Vedas e também na civilização celta. Os celtas o utilizaram muito como elemento decorativo, presente nos frisos e demais obras de arte. O círculo simboliza o universo imanente. Símbolos como o que encontra-se no centro são chamados de "triquetras", que em Latim quer dizer "3 esquinas". Alguns referem-se a este símbolo como sendo um símbolo de Jesus: o peixe formado por duas linhas curvas também era um símbolo dos cristão. A triquetra é formada por 3 destes "peixes", portanto. Outro aspecto interessante é que a triquetra é um símbolo unicursal ou seja, traçado continuamente, representado assim a eternidade. Os Vedas falam de três mundos: o mundo material, o espiritual e o átmico. Na principal oração (mantra) das doutrinas védicas são cantados no início do "Gayatri" significando respectivamente os três mundos (Bhur, Bhuvah e Svahah). A Filosofia Celta referencia 3 níveis distintos de existência, mas interconectados e interpenetrados: o físico, o mental e o espiritual. Quando o Cristianismo "chegou aos Celtas", este símbolo foi utilizado para simbolizar a Trindade Cristã: Pai, Filho e Espírito Santo.

Há u
ma tradição mística da Kabbalah que retrata o "Merkabah" (ou "Trono de Deus" ou "Carro de Deus", ou "Carruagem de Fogo") como um veículo que podia subir ou descer através de diferentes câmaras ou palácios celestiais, conhecidos como "Hekhalot". Durante o período do Segundo Templo, a visão de Ezequiel foi interpretada com um vôo místico para o céu, e os místicos cabalistas desenvolveram uma técnica para usar o símbolo do Merkabah como ponto focal da meditação. O místico faria uma viagem interior para os sete palácios e usaria os nomes mágicos secretos para garantir uma passagem segura por cada um deles. Até bem recentemente, esses procedimentos e fórmulas místicas só eram conhecidos pelos estudiosos da Kabbalah. O Merkabah é então um veículo de luz que transporta o espírito, a mente e o corpo, para acessar e experimentar outros planos, realidades e potenciais de vida mais elevados. Podemos classifica-lo como sendo um veículo interdimensional. Este carro de fogo é também citado na Bíblia quando o profeta Elias foi arrebatado por um destes veículos e levado aos céus para não mais voltar.

De acordo com os versos de Ezequiel, o Merkabah seria uma carruagem composta por 4 anjos. Estes anjos são querubins e são chamados de "Chayot" e são descritos como tendo forma humana, mas com faces diversas: uma de touro, outra de leão, outra ainda de águia e uma última humana propriamente. Há ainda anjos com forma circular, descritos como "rodas dentro de rodas" e que se chamam "Ophanim". Estes anjos são responsáveis pelo movimento do carro nas quatro direções. Por fim, descreve-se a participação de serafins que são vistos como clarões de luz que funcionam como fonte de energia. Estes clarões de luz piscam com rapidez e estes serafins controlam todo o conjunto. Uma descrição bem parecida se encontra na tradição cristã, no Apocalipse de João, quando se descreve o Trono do Cordeiro, cercado pelos mesmos seres alados: touro, leão, águia e homem.
A forma descrita do Merkabah é bastante discutível, mas é comumente aceito que se trate de um duplo tetraedro, um com vértice para cima e outro, para baixo, que giram em sentidos opostos. Este conjunto forma então uma estrela tetraédrica que se inscreve nos vértices de um icosaedro.



De um ponto de vista astrológico, a divisão do zodíaco em doze partes, permite o entendimento do processo da vida organizando-o em 12 signos estelares e 12 casas, localizando neles os 9 astros. Esta divisão pode ser descoberta também no Cubo de Metraton. Aqui então se encontra uma relação simbóloca com as chamadas "Forças Querubínicas" e prática, com as horas do dia. Estas 12 entidades querubínicas derivam das quatro primordiais que são: o Touro alado, o Leão alado, a Águia (Escorpião) e o Homem alado (Aquário).




Leonardo daVinci resumiu todo o simbolismo do Cubo de Metraton em seu famoso desenho "Homem Vitruviano". Este desenho famoso acompanhava as notas que Leonardo daVinci fez ao redor do ano 1490 num dos seus diários. Descreve uma figura masculina simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado. O Homem Vitruviano é baseado numa famosa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio (donde o nome "vitruviano") na sua série de dez livros intitulados de "De Architectura", onde são descritas as proporções do corpo humano. O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano no século XV por Leonardo e os outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano. Das relações matemáticas encontradas na Proporção Áurea, que também podem ser observadas no mesmo desenho de daVinci, emerge mais uma vez a Flor da Vida.







No Cubo de Metraton ainda é possível que se veja a projeção bidimensional de um tesseract (ou hipercubo). Um tesseract é uma figura tetradimensional regular composta por 8 cubos montados em 4 dimensões.


Tesseract "aberto" em 3D e o mesmo tesseract "montado" em 4D








Esquema de tesseract e tesseract inscrito no Cubo de Matraton

Círculos nas plantações
(ou "crop circles" em inglês) são conjuntos de figuras geométricas desenhadas amassando campos de trigo, cevada, centeio, milho ou canola. Estas figuras são melhor observadas de um ponto mais alto, fazendo pouco sentido quando são observadas no nível do chão. A aparência geométrica e influnciada por fractais. A origem destes círculos é desconhecida e controversa. O fenômeno já foi observado em vários países em todo o mundo, começando pela Inglaterra na década de 1970. No Brasil, tal fenômeno vem acontecendo principalmente no interior dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Foram sugeridas várias explicações que envolvem causas discrepantes como acontecimentos naturais, fraude e visitas de extra-terrestres, mas não se chegou a nenhuma conclusão. O fato é que a maioria destes círculos acaba repetindo padrões que nos remetem mais uma vez ao Cubo de Metraton.







Atualmente muitos artistas têm se inspirado no Cubo de Metraton e suas variações e criado belas obras de arte sobre seu simbolismo.






28 setembro 2010

Êxtase ou Enganação?


"Jogos eletrônicos não afetam as crianças.
Se o 'Pacman', por exemplo, tivesse afetado nossa geração,
hoje nós ficaríamos rodando loucamente em lugares escuros,
mastigando pílulas de energia e ouvindo músicas eletrônicas repetitivas".






Quem já não observou a alegria e o entusiasmo com que os jovens se entregam a longas "baladas" com muita dança e música eletrônica? Muitas vezes os "já não tão jovens" apresentam a mesma vitalidade e conseguem impressionantemente encarar noitadas que se prolongam até mesmo quando o sol já vai alto. E há casos em que a música e a dança se prolongam ininterruptamente por dias! Como há tanta energia para manter esta performance? Na verdade não há. É humanamente impossível que alguém agüente uma "balada" destas de forma freqüente. A única explicação é o uso de drogas "psicodélicas" para impulsionar artificialmente este "pique".
O termo "psicodélico" tem origem grega e quer dizer "o que faz brilhar a alma". Este termo foi criado e muitíssimo usado nos anos '60, com o aparecimento do LSD (ácido lisérgico) e a difusão do uso de outras drogas psicoativas como fonte de prazer. O milenar uso da Cannabis sativa (cânhamo indiano ou maconha) conheceu seu apogeu e se consagrou como droga psicodélica mais utilizada no mundo. A cocaína, super-extrato da Erythroxylon coca (coca) sintetizada pela Bayer no século XIX, também passou à moda, conhecendo um uso crescente. Igualmente o antiqüíssimo ópio, extraído da Papavere somnifera (papoula), levou à síntese de alcalóides muito mais potentes, dentre os quais o grande destaque é a heroína, ao lado de suas "primas": morfina, metadona e codeína. Desde esta época, novas drogas apareceram e muitas outras tiveram seu uso amplamente difundido. Outra substância muito popular foi introduzida na humanidade nos anos '80: a droga MDMA (metil-metilenodioxiamfetamina) criada em 1913 pela Merck e que acabou ficando conhecida como XTC (ecstasy ou êxtase). Finalmente, ao lado destas drogas, apareceu o uso psicodélico da quetamina (Ketalar® ou spacial K) e do GHB (gama-hidroxibutirato). Há uma grande diferença entre elas, mas uma coisa há em comum: sempre o que é prometido é o prazer artificialmente produzido através da manipulação bioquímica do cérebro.
O uso crônico de qualquer destas substâncias sabidamente pode provocar danos irreversíveis e graves ao organismo, em maior ou menor grau, bem como leva invariavelmente à dependência química, mais cedo ou mais tarde. Do ponto de vista da saúde pública as dependências químicas representam um flagelo médico-social importante em nossos dias que deixa milhares de jovens em idade produtiva ou em idade de formação à margem da sociedade, levando ao gasto de muito dinheiro para as tentativas de sua difícil recuperação. O quadro revela-se bastante triste e avassalador na sociedade ocidental contemporânea. Muitos esforços estão sendo feitos por parte das autoridades em todo o mundo para por fim ao tráfico e ao uso de drogas psicotrópicas, mas o uso de substâncias psicodélicas é cada vez maior, atingindo um número enorme de novos usuários, em idades cada vez mais precoces. A maconha é de longe a droga ilegal mais utilizada, porém seu uso não parece ser tão preocupante, por causar menos seqüelas em seu uso crônico e levar à dependência de forma mais moderada, existindo até quem defenda sua descriminalização e sua liberação total ou parcial. Nas classes sociais mais altas de nosso país as drogas ditas "pesadas" mais comumente usadas entre os jovens são a cocaína e o ecstasy, associadas ou não ao álcool e a demais drogas. Em classes sociais mais baixas o crack (extrato purificado de cocaína) e drogas solventes voláteis ("cola de sapateiro").
É evidente que a humanidade sempre fez uso de diversas substâncias psicoativas de diferentes espécies ao longo de toda sua existência de forma muitíssimo variável. A mais tradicional droga psicoativa que se conhece em todo o mundo é o álcool em todas as suas apresentações (destilados e fermentados). O uso do álcool está intimamente incorporado à sociedade ocidental, indo desde seu uso hedonístico eventual, até o uso religioso ritual (como o vinho na Missa, por exemplo), passando pelos horrores da dependência química e o flagelo do alcoolismo. Também parte inseparável de nossa cultura está o uso da cafeína (café, chá preto, refrigerantes, etc), substância psicoestimulante de uso legal e totalmente corriqueiro. O tabaco (Nicotiana tabacco), sob forma de cigarros, charutos ou fumo, é igualmente substância largamente difundida e que tem sido alvo de diversas ações governamentais de saúde pública devido aos altos índices de lesões irreversíveis e graves de múltipla ordem (respiratórias, cardiovasculares, cerebrais, cancerígenas, etc.). Mas nenhuma outra substância criou alterações sociais tão grandes em tão pouco tempo de uso em larga escala quanto o ecstasy. Toda uma cultura "neo-psicodélica" foi criada em torno desta droga. A transformação nos hábitos sociais e nos valores adotados pelos jovens de nossa sociedade é apenas comparável ao "boom" psicodélico dos anos '60, mesmo assim, guardando, ao meu ver, um impacto mais contundente sobre os rumos da juventude.

Desde o filme "Barbarella" de Roger Vadim em 1968, onde Jane Fonda aparece no esplendor de sua juventude usando uma pequena pílula que a leva imediatamente ao êxtase, que a idéia de uma "pílula do amor" habita o imaginário humano. Com o aparecimento da MDMA, seu efeito foi imediatamente associado à idéia de "pílula do amor" e foi batizada pelo nome XTC (em inglês lê-se "ecs-ti-ci"). O ecstasy promete alterações da sensopercepção, euforia prolongada, sociabilidade, extroversão e diversão por períodos de 8 horas, o que acaba seduzindo milhares de jovens alucinados, cujo slogan é "set U free" ("liberta você"). Porém, após algum tempo de super-estimulação pela droga, o estoque de serotonina (5-HT, um neurotransmissor cerebral) vai acabando e a biossíntese não atende a demanda. Chega-se ao estado de depressão e esgotamento, que ocorre entre 6 a 8 horas após a ingestão da droga e o que era para ser pura alegria e diversão se torna um pesadelo que pode durar alguns dias. Este efeito ficou conhecido como "blue monday" (segunda-feira depressiva) em virtude do freqüente uso de ecstasy durante os finais de semana. Igualmente, a longo prazo e com o uso freqüente, há a necessidade de uma dose progressivamente maior de MDMA para que se consiga os mesmos efeitos que inicialmente eram obtidos. Isto é chamado de "tolerância" e significa que o organismo reage à presença constante desta substância com diminuição do sistema neuronal conhecido como serotoninérgico, que pode ser químico e reversível ou pode ocorrer com destruição irreversível destes neurônios. A destruição em massa de neurônios serotoninérgicos leva a pessoa a um estado constante de depressão resistente ao uso de qualquer medicação conhecida.
A sensação de euforia e prazer criada artificialmente pelo ecstasy passa a ser ao usuário incomparável a qualquer sensação de euforia que ocorra naturalmente e muito rapidamente a palavra "diversão" passa a ser sinônimo de ecstasy para aqueles que, sem perceberem, já desenvolveram um nível considerável de dependência. Entretanto, um dos piores e mais perigosos efeitos colaterais causados pelo ecstasy é a súbita elevação da temperatura corpórea (o MDMA provoca hipertermia). Isto pode causar uma desidratação profunda e, em muitos casos, levar à morte. Os usuários costumam ingerir litros d'água, tentando resfriar e hidratar o corpo. Embora não muito prejudicial a curto prazo, o MDMA apresenta sérias injúrias a longo prazo. Uma delas é a diminuição do peso do usuário, uma vez que o MDMA inibe o apetite e provoca um grande desgaste calórico. Existem vários artigos que evidenciam, também, a relação entre o uso do MDMA e distúrbios cardio-vasculares.

Toda uma cultura foi criada em torno do ecstasy. Conhece-se a "e-music", que tanto pode ser sigla para eletronic music, quanto para ecstasy music. Ritmos específicos como o Trance (transe) e o Psy (psicodélico) foram criados para aumentar a sensação provocada pelo ecstasy. A decoração de ambientes onde o uso de psicodélicos é incentivado sempre traz um excesso de estímulos visuais (luzes psicodélicas e fluorescentes), sonoros (som eletrônico altíssimo e repetitivo) e táteis (paredes revestidas com diferentes texturas, ambientes com divãs, camas e muitas almofadas), propiciando as alterações sensoperceptivas. Apesar de que a sociabilidade esteja aumentada e haja uma tendência à sensualidade, a sexualidade propriamente dita encontra-se diminuída com o uso do ecstasy e há uma espécie de alienação e desligamento do mundo. O resultado final desta combinação, sob um ponto de vista sociológico, é o aparecimento de uma sub-cultura característica chamada de cultura "Clubber". Os clubbers de maneira geral acabam desenvolvendo uma dependência química múltipla e tendo uma visão psicodélica do mundo, não percebendo a realidade como ela é. O consumismo é característica marcante deste grupo social, bem como um culto exagerado à estética, paradoxalmente acompanhada de uma deterioração na capacidade crítica e criativa relacionada às artes, uma vez que devido ao efeito psicodélico, qualquer estímulo possa ser entendido como prazeroso. Ocorre também uma espécie de segregação e preconceito contra qualquer proposta que fuja à proposta psicodélica, só interessando aos clubbers aquilo que é clubber ou correlato.
A Cultura Clubber aparece então como o movimento de contra-cultura do século XXI. Gerado pela frustração do pós-tudo (pós-moderno, pós-hippie, pós-punk, pós-dark, pós-AIDS), o impulso clubber é uma proposta sem proposta, uma pura e simples alienação do tempo e do espaço, impulsionado pelos psicodélicos. A fuga da realidade, o hedonismo exacerbado de um pensamento cape diem, o desdém pela cultura, pelos valores sociais e pelo conhecimento, a simples auto-anestesia como solução e o repúdio a tudo e a todos que os possam fazer acordar deste transe perpétuo são suas marcas registradas. Incrivelmente, a Cultura Clubber englobou em si elementos desconexos herdados de movimentos de contra-cultura anteriores, tais como o misticismo e a espiritualização hippies, a estética do modernismo, do psicodelismo e do Sci-Fi e a depressão e o tédio dark, usando estes atributos no entanto, de forma esvaziada de seus significados culturais originais. Em última análise, o movimento Clubber tenta desesperadamente resgatar o glamour próprio das gerações anteriores, perdendo-se cada vez mais em um mundo fictício e ilusório de prazeres artificiais e plásticos, apartando-se de si mesmo e alienando-se da vida. Estas características de nosso jovens é utilíssima à sociedade de consumo capitalista que se delas se vale para manter sua manipulação e seu controle sobre uma população que deveria ser caracteristicamente a fonte de críticas sociais e a origem das mudanças e transformações do status quo. Alguém precisaria despertá-los desta hipnose coletiva urgentemente!