30 setembro 2006

Os Caminhos da Grande Mãe: a Pré-História



Os Caminhos da Grande Mãe
(Primeira Parte: A Pré-História)


Por Bernardo de Gregório



“A língua é minha Pátria
E eu não tenho Mátria,
Quero Frátria”

Caetano Veloso
“Língua”





Se nosso intuito é o de entender melhor a estrutura social matriarcal, devemos retroceder no tempo até chegarmos a uma época perdida e esquecida, nos primórdio da aventura humana neste planeta. Tempos em que o Ser Humano propriamente dito ainda nem existia... Imagine-se na Pré-História, no período Paleolítico Inferior, há cerca de 500 mil anos passados. Nessas épocas a Terra era habitada por hominídeos, muito mais mamíferos superiores com aparência simiesca, do que humanos. Estes eram os Australopitecos, os Pitecantropos e os Paleantropos. Estes seres já possuíam instrumentos, ainda que extremante toscos e rudimentares, feitos de pedra lascada e troncos de madeira. Viviam em bandos que vagavam pelas estepes e subiam em árvores, habitavam cavernas fugindo de seus predadores[M1] e mudavam constantemente de lugar, em busca de caça e de vegetais comestíveis.

Estes hominídeos ainda estavam sob os comandos da Mãe Natureza e possuíam instintos muito mais gritantes dos que os nossos. Sendo assim, as “fêmeas humanas” (não eram propriamente mulheres) ainda possuíam um período de cio, como qualquer fêmea de mamífero, e somente copulavam nestes períodos. O cio ocorria uma vez por ano, em noites de lua cheia bem no auge do verão. Nestes período de cio havia a cópula em “orgias” de sexo grupal e bissexual. Sendo assim, todas as fêmeas férteis do bando ficavam prenhas e passavam por um longo período gestacional (9 meses) até darem à luz seus filhotes, que nasciam no início da primavera. Amamentavam-nos por cerca de 3 meses, quando voltavam a ovular e entravam em novo período de cio. Este ciclo coincidia exatamente com o ciclo das estações do ano e todas as fêmeas seguiam juntas estes caminhos da Mãe Natureza. Os machos eram relegados a um segundo plano durante todo o ano, com exceção do período do cio, claro. Sendo assim, a homossexualidade entre os machos era extremamente comum, como ocorre com qualquer mamífero. A sexualidade humana era eminentemente animal, instintiva e comandada unicamente por hormônios.

Com o desenvolvimento da consciência humana, houve a associação evidente do ciclo reprodutivo feminino com o ciclo da Natureza. As fêmeas passaram a ser reverenciadas como deusas encarnadas, como representantes vivas da Mãe Natureza, como portadoras dos Mistérios da Criação, da vida e da morte. As tarefas do bando iam sendo aos poucos divididas entre seus membros, de forma que às mulheres cabiam as funções mais sagradas: cuidar da prole, cuidar da alimentação do bando, cuidar da caverna e reverenciar a Deusa Mãe. Os homens ficavam com as tarefas mais arriscadas e difíceis, pois não eram assim tão importantes para a manutenção bando: a caça, a pesca, a segurança e a coleta em locais distantes da caverna. Quando pela primeira vez um humano teve a brilhante idéia de se aproximar de uma árvore que estava em chamas, num incêndio causado talvez por um raio, e empunhar uma tocha, trazendo-a para dentro da caverna, este humano que primeiramente roubou o fogo dos deuses, foi uma mulher. O fogo necessitava ser alimentado e mantido aceso dia e noite, pois não era possível fazê-lo, apenas recolhê-lo da Mãe Natureza. Esta nobilíssima função era invariavelmente delegada a uma nobre mulher. A importância divina da mulher na sociedade crescia com o tempo e aumentava com o ampliar da consciência.

Com o passar do tempo, o Ser Humano se aprimorou física e psiquicamente, transformando seus genes e sua aparência, chegando a se tornar um honrado exemplar do gênero Homo. Aparece então o Homem de Neanderthal, que já usava roupas feitas com peles, possuía vários instrumentos e utensílios domésticos feitos de pedras lascadas, ossos, gravetos e cordas e possuía uma estrutura social muito mais elaborada. Ainda não eram exatamente Humanos, mas já eram bem mais independentes da ditadura hormonal. A sociedade se centralizava ao redor da figura da Matriarca: mulher mais velha e sábia, que provavelmente era a mãe de todos. Esta pequena estrutura familiar, chama-se clã. As funções ainda eram as mesmas, mas às mulheres cabiam agora os poderes divinos de traduzir ao clã os caminhos da Grande Mãe. A Matriarca, como representante maior da Deusa da Terra, orientava os membros do clã, com doçura e firmeza, mostrando a todos os ciclos sagrados da Mãe. No Matriarcado nunca houve leis ou punições. Os desígnios da Mãe eram com candura acatados por todos e ditados pela Matriarca. O que antes era simplesmente o cio, agora já era propriamente um ritual de fertilidade comandado pela Matriarca. A idéia era a mesma, mas a concepção racional de ritualidade era muito mais elaborada. Duas datas eram marcantes nesta visão religiosa pré-histórica: o ritual de fertilidade do verão, a celebração do nascimento dos filhotes. A comemoração da geração da vida, da fertilidade da Mãe e do eterno recomeço. Neste ponto, já estamos há 30 mil anos passados, no início do período Paleolítico Superior.

Caminhavam então sobre a terra, os primeiros Humanos propriamente ditos: Homo sapiens. Apareceram misteriosamente estes Humanos, primos próximos dos Homens de Neanderthal, mas muitíssimo mais habilidosos, inteligentes e elaborados. As primeiras noções de arte apareceram: pinturas nas paredes da cavernas, elaboradas e mágicas, são encontradas em abundância datadas deste período em diante. Os humanos passaram a usar ornamentos e pinturas sobre o corpo, não mais apenas a se agasalharem do frio com peles. As técnicas de caça, pesca e coleta se tornaram muito mais requintadas e organizadas. Infelizmente a agressividade humana também: estes nossos ancestrais exterminaram totalmente as populações de Homens de Neanderthal, saqueando seus acampamentos, capturando-os como escravos, matando-os por prazer e, por fim, levando-os à extinção completa. A noção de religião e espiritualidade que estes Humanos possuíam eram igualmente bem mais requintadas: já havia a noção de morte e rituais funéreos eram feitos com freqüência. A idéia de Magia norteava todos os rituais. A Magia era o poder da Matriarca que encarnava a Grande Mãe. Matriarca, Natureza e a Deusa eram uma só pessoa: divina, eterna e cíclica. Quatro datas do ano passaram a ser reverenciadas: o solstício de verão (dia mais longo do ano[M2] ), data de celebração da fertilidade e do ritual de procriação; o equinócio de outono (dia equivalente em tamanho com a noite no início do outono[M3] ), data da celebração da morte e dos ritos funerais; o solstício de inverno (noite mais longa do ano[M4] ), data da celebração da esperança do renascimento na Natureza; o equinócio de primavera (dia equivalente em tamanho com a noite no início da primavera[M5] ), data da celebração do nascimentos dos bebês e do renascimento da Natureza. A escultura conhecida com “Vênus de Willendorf” (http://witcombe.sbc.edu/willendorf/willendorfdiscovery.html) data deste período e é a representação máxima desta era: arte, religião, Magia, Deusa Mãe, Natureza, Deusa da Terra. Trata-se da representação em pedra de uma figura femina prenha, esférica e maternal, escultura considerada a obra de arte mais antiga de toda a aventura humana. Já estamos então há 18 mil anos passados, no início do período Neolítico.

Uma tremenda mudança estava então para acontecer: o domínio da agricultura e o domínio definitivo sobre o fogo. Alguém conseguiu pela fricção de bastões de madeira, criar o fogo, sem haver mais a necessidade de roubá-lo na Natureza. Esta pessoa foi uma Matriarca. Alguém tomou o cuidado de observar que algumas plantas cresciam perto dos locais onde os restos de comida eram jogados fora. Esta pessoa com certeza foi uma Matriarca. A Magia da Mãe dava sinais de que o renascimento era possível também com os grãos e sementes. Toda a idéia da agricultura surgiu daí: se entregarmos à Deusa nossas sementes e confiarmos no Ciclo da Mãe, Ela nos recompensará com novas plantas e novos grão. Aparece a idéia de sacrifício (ofício sagrado[M6] ). Quando fizermos nossas colheitas, uma parte das dádivas da Mãe será separada para o sacrifício: o melhor grão para a Grande Mãe. Este melhor grão não poderá ser tocado por mãos humanas e não servirá de alimento, mas será devolvido à Terra, como prova de confiança e como esperança de um renascimento no futuro. E assim era feito, no final do outono. Durante todo o inverno o clã sobrevivia dos grãos estocados (aveia, sevada e trigo), das frutas secas ou tornadas compotas (maçãs, cerejas e morangos) e dos líquidos sagrados da Mãe (leite, mel e sangue). Na primavera a Magia da Mãe se fazia ver no nascimento dos bebês e no crescimento dos campos verdejantes, nas temperaturas amenas que se sucederam à era glacial e no florescimento dos vegetais. Os verdes campos davam lugar durante o verão aos campos dourados da mãe que aguardavam a ceifa. No equinócio de outono, numa noite de lua nova, quando a Lua tomava o aspecto da foice em tons avermelhados no céu logo após o por do sol, o trigo era ceifado e o grão para o próximo sacrifício era separado pela Matriarca. Eis os Mistérios da Mãe, eis o Ciclo Mágico da Vida, eis os trabalhos da Deusa!

Com o passar do tempo, a agricultura proporcionou ao homem uma possibilidade dele se tornar sedentário e se fixar em um só lugar: sua terra, como reflexo da Deusa da Terra. As cavernas, há tantos milênios usadas como proteção, já não eram tão necessárias. Pequenas aldeias com construções de palha e argila era edificadas surgiam aqui e ali, nos agrupamentos mais evoluídos. Formas circulares se faziam notar por todos os lados, reproduzindo o Ciclo Sagrado. Apareceu a roda, apareceram os instrumentos agrícolas, apareceram as artes da cerâmica, apareceram adornos corporais mais elaborados, apareceu a pedra polida. Esta nova estrutura social recebe o nome de tribo. Apareceriam ainda, porém muitas outras novidades para o espanto da Matriarca...

Foi numa noite quente de verão, quando a lua cheia iluminava a escuridão e tornava as estrelas mais pálidas, que uma mulher atingiu um nível de consciência tal que lhe permitiu dizer uma palavra mágica, a mais mágica de todas as palavras: “não!”. Esta mulher que disse “não”, recusou-se a participar do ritual de fertilidade do solstício de verão. Ela era independente, ousada e auto-suficiente. Disse “não”, enfrentou a Matriarca e a Deusa Mãe e realmente se afastou dos gemidos que preenchiam a noite quente. Ficou lá, solitária na floresta a observar a Lua. Exatamente 14 dias após este evento, algo sobrenatural ocorreu a esta mulher insubordinada: ela menstruou. Jamais em bilhões de anos de História deste planeta, havia se visto algo semelhante. Nenhuma Fêmea de mamífero menstrua, pois os animais não conseguem dizer “não” aos desígnios da Mãe. Mas esta mulher, por livre e espontânea vontade, negou-se à fertilidade, desafiou a Deusa e foi por ela punida: o sangue era a marca da maldição da Mãe. A mulher foi expulsa da tribo e condenada a viver só, na floresta. Esta mulher, sinistra e marcada pela maldição, abandonou para sempre os Ciclos da Mãe Terra e passou a seguir os Ciclos da Mãe Lua. Filha da Lua ela era e a cada 28 dias, a cada lua, sob as sombras da foice da lua negra, ela sangrava. E a esta altura, já estamos nós há 7 mil anos passados, no início do período Agropastoril.

A Agricultura se expandiu, animais foram domesticados e o cão, o gato, a cabra, o carneiro e a vaca[M7] se tornaram aliados inseparáveis da Humanidade. Utensílios domésticos e ferramentas eram feitas não só de pedra polida, mas também de cerâmica finamente trabalhada, de madeira entalhada e polida e cordas e tecidos bem mais elaborados eram feitos nos teares das Matriarcas. A aldeia e a tribo passou a ser definitivamente o local onde os humanos habitavam. As cavernas foram para sempre esquecidas e espíritos maus passaram a habitá-las. A religião tornava-se cada mais complexa, mas a Deusa Mãe ainda era o centro do mundo. No verão, rituais de fertilidade encontravam lugar nas noites de lua cheia. No outono, a colheita e o plantio seguiam o ofíco sagrado. A idéia de que o sacrifico do grão necessitava de um sacrifico maior para acompanhá-lo, levou as Matriarcas a adotarem neste período o sacrifico humano como regra. Sob a foice vermelha da lua negra, um homem forte e robusto, o melhor grão da tribo, entregava-se à foice da Matriarca em sacrifico à Deusa. Suas carnes eram o alimento da tribo. Seu sangue fecundava os campos e seu coração era pela Matriarca devorado, para que ele, tal quel o trigo nos campos, pudesse dela renascer na primavera. No inverno, o recolhimento de toda a tribo em torno do fogo, marcava a celebração da esperança por tempos melhores. Na primavera toda a tribo se alegrava com as flores, com o nascimento dos bebês e com o renascimento do filho da matriarca. Os Caminhos da Mãe eram seguidos à risca.

Longe dali, porém, uma mulher marcada pelo sangue não participava de nada disto. Concentrava-se em sua vida solitária, em suas ervas medicinais, em suas poções e ungüentos, em seu contato com os animais silvestres[M8] e reverencia a Lua como Deusa. Suas companhias era o gato. Não foram poucas vezes que homens tentaram seduzir estas mulheres enigmáticas da floresta, mas elas sempre preferia a companhia de outras mulheres e da Deusa Lua. Alguns desses homens submeteram-se às bruxas e lá com elas ficaram, tornando-se magos. Outros foram simplesmente por elas mortos. Muito comum era o hábito destas mulheres raptarem bebês para criá-los como filhos ou para com eles elaborarem poções mágicas. Igualmente não foram poucas as vezes que as Matriarcas se aproximaram destas mulheres-bruxas, para pedir-lhes conselhos de magia, para implorar-lhes a cura de males, para consultar-lhes a sabedoria. Com o passar do tempo, o culto à Lua e o culto à Terra se reunificaram em uma única religião matriarcal. Existiram sociedades matriarcais compostas exclusivamente por mulheres, e outras mistas, nas quais os homens eram vistos sempre como seres inferiores. As mulheres eram todas deusas e a Matriarca era a Deusa Terra, enquanto a bruxa era a Deusa Lua. O Matriarcado chegava a seu apogeu há aproximadamente 6 mil anos passados, no início do período urbano.

Nesse tempo, com certas variações de um lugar para outro, de uma sociedade para outra, ocorreu a maior revolução social de que se tem notícia até hoje: a revolução sexual masculina. Os homens, cansados de serem relegados a um segundo plano e à inferioridade social, resolveram “virar a mesa”. Para tal, usaram aquilo a que vinham se dedicando com afinco há centenas de milhares de anos: a força bruta. Acostumados que estavam com os instrumentos de caça e de guerra, usaram a força para subjugar a Matriarca. Muitas mulheres foram dizimadas, mutiladas, violentadas e escravizadas pelos homens enfurecidos. Passado o calor desta primeira manifestação de cólera contra a tirania feminina, a razão falou mais alto e os novos senhores da tribo, os Patriarcas, depararam-se com um problema de ordem prática: se as mulheres são divinas porque são mães, como será possível a um homem adquirir o mesmo status ? Somente sendo ele pai. Mas como um homem pode se tornar pai se não é ele que gera os filhos? Obrigando as mulheres a serem absolutamente fiéis e celibatárias. A sexualidade feminina foi então massacrada. “Toda mulher somente poderá ter um homem”[M9] . “Toda mulher deverá se conservar virgem para ser aceita por seu esposo”[M10] . “Toda mulher é propriedade de seu pai, quem deverá decidir com ela deve se casar”[M11] . “É proibido que as mulheres tenham sexo com seus filhos e irmãos (únicos machos a quem elas teriam acesso, mesmo assim, restrito)”[M12] . “Toda mulher é um ser inferior e, como ser desprovido de pensamento, deve absoluta obediência aos homens”. Estas foram as primeiras leis da Humanidade. Leis cuja desobediência era invariavelmente punida com a morte.

As religiões matriarcais foram perseguidas e combatidas com violência. As matriarcas e as bruxas eram assassinadas em nome do Patriarcado. O medo irracional do homem pelo retorno a uma condição inferiorizada num possível Matriarcado renascido, fez com que o Patriarcado abominasse qualquer coisa que o lembrasse dos tempos esquecidos da Grande Mãe. A homossexulidade era mal vista, principalmente a masculina[M13] . A Deusa Mãe foi substituída pelo Deus Pai. Os Ciclos da Terra e os Ciclos da Alma Humana foram relegados a um plano puramente biológico e o tempo se tornou linear, marcado por eventos eminentemente masculinos: guerras, conquistas, reis, poder, opressão e violência. Rituais de iniciação passaram a ser impostos aos jovens rapazes, para que eles fossem aceitos na sociedade como homens e se diferenciassem das mulheres[M14] . O falo ereto passou o símbolo máximo da cultura desta época e mantém-se até hoje ereto, sob forma de obeliscos, torres, bandeiras, estandartes, cetros e cajados. O amor à Pátria e o temor a Deus são as conseqüências deste falo ereto e opressor.

Qual o destino dos Caminhos da Grande mãe? Jamais a Mãe foi esquecida, mesmo tendo sido pela Humanidade repudiada, temida e execrada. Seus Eternos Ciclos continuaram e continuarão a reger o mundo. “Oh Fortuna, Imperatrix Mundi !”[M15] . As datas da Grande Mãe[M16] foram incorporadas às religiões patriarcais, bem como seus ritos. O solstício de verão, com suas danças rituais de fertilidade em torno do fogo eterno, deu origem às festas folclóricas de roda (como as festas juninas, por exemplo). O equinócio de outono, com os festejos da colheita, deu origem às comemoração da Natureza e da Vindima, bem como os sacrifícios da semeadura originaram as festas de “Halloween”e as celebrações do dia dos mortos. O ritual do sacrifício humano da semeadura, originou toda a liturgia católica da Missa, com o sacrifício do Filho de Deus, a distribuição de sua carne, transubstanciada em pão e de seu sangue, transubstanciado em vinho. A celebração da esperança no inverno originou os festejos do Natal cristão e da Hanukah hebraica. A celebração do renascimento da Natureza na primavera e os festejos da chegada dos rebentos, deu origem à Páscoa cristã e ao Pessach hebraico. O ano romano se iniciava em Aprile[M17] , marcando o renascer do Ciclo da Mãe, bem como até hoje o ano chinês.

Milênios de opressão Patriarcal se passaram em variadíssimas expressões de violência não só contra a mulher, mas contra tudo e todos que pudessem se opor às idéias do Patriarca ou que pudessem incitar seus medos trancafiados no Inconsciente Coletivo. Mas, um renascimento, como sempre faz a Mãe, estava por vir... Somente nos anos 60 do século passado, mais de 6 mil anos após a instauração do Patriarcado, as mullheres cansadas de opressão se rebelaram. À elas se somaram muitos jovens que reinvidicavam liberdade[M18] . Quebraram os grilhões da ditadura machista e clamaram por novos tempos de paz, amor e igualdade. Todos os símbolos ligados ao Pai foram destruídos sistematicamente e mulher resgatou sua condição de cidadã livre e auto-suficiente. Infelizmente esta batalha ainda está apenas em seus primórdios e na Terra ainda existem inúmeras sociedades machistas e repressoras, enquanto mesmo as sociedades tidas como mais liberais, ainda mantém em si uma configuração claramente patriarcal.

Qual o melhor caminho a se seguir? Uma volta plena ao Matriarcado? Talvez isso seja um retrocesso e há que se lembrar que foram exatamente os excessos do Matriarcado que deram origem ao Patriarcado e seus excessos ainda piores. A alternativa é uma sociedade igualitária, onde não haja nem Matriarcas, nem Patriarcas, mas onde todos sejam irmãos e livres, onde o sentimento supremo seja a fraternidade. Esta sociedade, ainda num plano utópico, chamar-se-ia Fratriarcado[M19] . Se não temos Mátria, temos Pátria, mas queremos Frátria, devemos lutar contra os preconceitos que nos aprisionam, tornando-nos mais abertos, aceitando em nós a Deusa Mãe e o Deus Pai, em uma perfeita e plena harmonia.

[M1]O mais importante predador humano foi o Tigre de Dentes de Sabre, mas havia muitos animais que gostavam de incluir humanos em seu cardápio de rotina.

[M2]No Hemisfério Norte, dia 21 de Junho.

[M3]No Hemisfério Norte, dia 21 de Setembro.

[M4]No Hemisfério Norte, dia 21 de Dezembro.

[M5]No Hemisfério Norte, dia 21 de Março.

[M6]Do Latim: Sacro Oficium, trabalho sagrado, ofício sagrado.

[M7]Os animais foram domesticados nesta ordem. O Cão, pelo homem, durantes suas excursões noturnas de caça, o gato, pela mulher, durantes os frios dias de inverno nas cavernas e, mais tarde, a cabra, o carneiro e a vaca. O cavalo e os demais animais domésticos somente foram incorporados à rotina humana muito mais tarde, nos períodos patriarcais.

[M8]É conhecido o uso do sapo, da salamandra e do veneno de animais peçonhentos em poções mágicas em diversas épocas e em diversas regiões do globo.

[M9]Notar que o homem pode ter quantas mulheres quiser!

[M10]Notar que o homem não tem necessidade alguma de ser virgem ao casar-se!

[M11]Notar que os homens são sempre livres e senhores de si mesmo!

[M12]Notar que não há impedimentos sobre um homem ter relações sexuais com suas filheas. Não se permitia porém que um homem mantivesse relações sexuais com suas irmãs, por estas serem propriedades dos pais.

[M13]Evidentemente por ter símbolo de centenas de milhares de anos de Matriarcado.

[M14]Antes destes rituias de iniciação, os rapazes eram visto como mulheres e a pedofilia era comum, corriqueira e até mesmo insentivada, como uma espécie de treinamento para os futuros homens.

[M15]“Oh Fortuna, Senhora do Universo!”. Título e parte da letra do movimento de abertura da Ópera “Carmina Burana”( “Cantos Profanos”) do autor Alemão do Século XX, Carl Orf.

[M16]Há que se lembrar que todos estas datas se referem às estações do ano no Hemisfério Norte, origem da Humanidade.

[M17]Mais tade, na Idade Média, o calendário foi alterado para ter seu início em janeiro, desvinculando-se dos resquícios matriarcais e associando-se ao nascimento de Jesus. Para ser específico, o ano cristão se inicia 7 dias após o Natal, comemorando-se a circuncisão de Jesus.

[M18]Movimentos de contra-cultura: como os “hippies”, por exemplo.

[M19]Ou como a chamavam os gregos antigos: philadelphia. Amor entre os irmãos.

21 agosto 2006

“A taverna se chamava Cannibal Café, e o letreiro ostensivo anunciava em letras vermelhas, em inglês: 'adoraríamos ter você para jantar’ ”.


Jostein Gaarder, “Maya”.







“A fantasia do técnico de computadores alemão Armin Meiwes, 42, era devorar alguém. Ele a realizou em março de 2001, ao matar e comer um homem que atendera a seu anúncio na internet pedindo vítimas. Meiwes começou a ser julgado por assassinato. O réu disse que sites com nomes como ‘Cannibal Café’ reuniriam ‘centenas’ de pessoas dispostas a devorar alguém ou a serem devoradas. Nos 12 meses em que os anúncios de Meiwes estiveram na rede, 430 pessoas responderam” (Folha de S.Paulo).
“O julgamento do homem que ficou conhecido como o ‘Canibal Gay’, está lançando luz sobre uma nova evidência: a de que este não é um caso isolado, existindo uma verdadeira rede de canibais e de promoção do canibalismo gay em todo o mundo.” (GLS Planet NEWS).
O que pode levar pessoas aparentemente bem adaptadas à sociedade a realizar fantasias sexuais deste tipo? Pior: o que significa o fato de tantas pessoas em todo o mundo compartilharem este tipo macabro de fantasias sexuais? Estaria o canibalismo atualmente ligado a algum fenômeno social específico, alguma deturpação típica de nossa era? O canibalismo faz parte da História desde os primórdios da Humanidade e existiram muitas culturas em que ele foi considerado sagrado, fonte de poderes sobrenaturais, procedimento tabu e até mesmo método eficaz de saúde pública. A idéia principal contida em todas as formas de canibalismo ao longo da História é que de alguma forma a vítima de um sacrifício ritual canibal viria a ressuscitar no ser daquele que consome sua carne e, ao que parece, esta mesma idéia foi compartilhada por Meiwes.
Esta idéia arquetípica está presente na mente de todos os Seres Humanos e pode ser facilmente depreendida com uma simples observação do ritual cristão da Missa, por exemplo, como o explicitou o próprio Meiwes ao se referir à comunhão. Quem não reconhece o contexto antropofágico explicito na frase: “quem comer de minha carne e beber de meu sangue terá a Vida Eterna”? Tal qual ocorria nos sacrifícios rituais primitivos comuns no período Neolítico da Pré–História, Jesus é simbolicamente morto a cada Missa, seu corpo é esquartejado no símbolo do pão dividido e, juntamente com seu sangue, representado pelo vinho, ingerido por toda a comunidade de fiéis reunidos para a repetição ritual da Santa Ceia. A crucificação de Cristo é a confirmação deste simbolismo.
“O nosso amor é como o grão: tem que morrer p’ra germinar...Nasce e morre trigo,vive e morre pão.” (Gilberto Gil, “Drão”). Primitivamente este ritual de sacrifício humano seguido de canibalismo estava diretamente ligado ao mito agrícola: o sacrifício do grão à terra no Outono e seu rensacimento na Primavera; o sacrifício do trigo na colheita e seu renascimento como alimento que sustenta a vida do clã. Este ciclo da terra era representado pela entidade divina da Natureza, representada pela Grande Mãe. Estes ritos ficaram marcados em todas as culturas humanas sob diversas formas de festividades e deram origem no Cristianismos a quatro festas principais (tomando–se como base as estações do Hemisfério Norte): a Páscoa, como a celebração do renascimento na Primavera; São João, o dia do meio do Verão, como o solstício de Verão (Midsummer Day); Finados, o Dia dos Mortos, como a celebração do sacrifício do grão no plantio dos campos (Halloween) e o Natal como o solstício de Inverno e o aparecimento da esperança.
Toda a idéia da agricultura surgiu daí: se entregassemos à deusa da terra nossas sementes e confiássemos no Ciclo da Mãe, ela nos recompensaria com novas plantas e novos grãos. E de fato, assim é: apareceu assim a idéia de sacrifício (ofício sagrado). Quando fizéssemos nossas colheitas, uma parte das dádivas da Mãe seria separada para o sacrifício: o melhor grão para a Grande Mãe. Este melhor grão não poderia ser tocado por mãos humanas e não serviria de alimento, mas seria devolvido à terra, como prova de confiança e como esperança de um renascimento no futuro. E assim era feito, no final do outono. Durante todo o inverno o clã sobrevivia dos grãos estocados (aveia, sevada e trigo), das frutas secas ou tornadas compotas (maçãs, cerejas e morangos) e dos líquidos sagrados da Mãe (leite, mel e sangue). Na primavera a magia da Natureza se fazia ver no nascimento dos bebês e no crescimento dos campos verdejantes, nas temperaturas amenas e no florescimento dos vegetais. Os verdes campos davam lugar durante o verão aos campos dourados que aguardavam a ceifa. No equinócio de outono, numa noite de lua nova, quando a lua tomava o aspecto da foice em tons avermelhados no céu logo após o por do sol, o trigo era ceifado e o grão para o próximo sacrifício era separado pela matriarca. Concomitantemente um homem era sacrificado à deusa e sua carne e seu sangue consumidos pela tribo.
Em tribos primitivas africanas onde o canibalismo é tão comum e concreto a ponto de perpetuar certas doenças transmitidas pelo consumo de cérebro humano, como o Kuru–Kuru (Doença de Kreutzfeldt–Jacob), a prática da antropofagia nunca teve outra conotação diferente da ritualística e religiosa. Na maioria das tribos a idéia é que ao se ingerir os músculos, o coração ou o cérebro de um guerreiro, companheiro ou inimigo, sua força, sua coragem ou sua inteligência seriam desta forma adquiridas. É claro que muitas vezes o vírus causador da encefalite era a única coisa que era transmitida... Entre os primeiros habitantes do Egito, antes do aparecimento da cultura funeral da mumificação e da idéia da ressurreição dos mortos, havia o costume de se devorar os restos mortais dos parentes, como forma de perpetuação de suas vidas através de seus descendentes.
Todos estes atos canibais sempre estiveram envoltos em alto grau de respeito, tradicionalismo, religiosidade e misticismo. Por outro lado, o gosto pela carne humana como simples iguaria ocorreu e ocorre em diversas tribos primitivas na América e Oceania, sem que seja visto nesta prática nenhum problema maior do que o consumo de qualquer outra proteína animal. Nestes casos, porém, evitava–se, dentro do possível, o consumo de carne humana oriunda de parentes e amigos, preferindo–se os corpos de inimigos capturados. Casos de antropofagia puderam ser registrados também em situações onde havia uma grande privação, como na Revolução Maoísta na China, quando camponeses esfomeados invadiam propriedades rurais não em busca suprimentos (que não mais existiam), mas em uma desesperada tentativa de encontrar uma boa fonte de proteínas na carne do dono do sítio vizinho.
Na cultura ocidental moderna, o canibalismo é um dos últimos tabus ainda vigentes. A idéia de ingerir carne humana parece a qualquer pessoa civilizada, repulsiva e degradante. Mesmo assim, o canibalismo povoa o imaginário coletivo, sendo freqüentemente representado em livros e filmes, desde a distante imagem do vampiro, até a crudeza da ação de psicopatas, como ficou imortalizado por Anthony Hopkins na série de filmes sobre “Hannibal” (O Silêncio dos Inocentes, Hannibal, The Cannibal e Dragão Vermelho). O autor de “O Mundo de Sofia”, Jostein Gaarder, como em seus livros anteriores, em “Maya” parte de uma estrutura ficcional muito bem arquitetada para armar um mundo de reflexões e curiosidades sobre diferentes campos do conhecimento humano. Na obra, ele convoca o leitor para uma viagem pelas origens do Universo e da vida, numa narrativa que, através da compreensão da evolução das espécies, busca respostas para uma de nossas perguntas eternas, como “quem sou eu”. Em uma divertida referência a um simpático café localizado na ilha tropical caribenha de Belize, lê–se a frase: “a taverna se chamava Cannibal Café, e o letreiro ostensivo anunciava em letras vermelhas, em inglês: ‘adoraríamos ter você para jantar’”. Este restaurantezinho para adeptos do mergulho e demais esportes aquáticos realmente existe e, evidentemente, não serve carne humana, mas iguarias vegetarianas ou feitas com frutos do mar. Porém, a idéia do canibalismo que o nome sugere, levou à fama tanto o restaurante, quanto a frase: músicas foram criadas em diversas línguas sobre o tema e muitos sites da Internet tomaram de empréstimo o mesmo nome. Isso quer dizer que um fetiche foi criado em torno do Cannibal Café, demonstrando que onde há tabu, há certamente o fetiche que o acompanha.
Compreender que a fantasia de Meiwes poderia ser até mesmo ser considerada como um lugar comum, tendo em vista esta visão mais panorâmica do tema, é bem possível. Compreender quais situações o levaram a colocar em prática esta fantasia já é bem mais difícil, mas claramente inteligível, se levarmos em conta que a psicopatia ligada a crimes hediondos é relativamente bastante freqüente. Porém compreender quais as razões que levaram Brandes a alegremente se oferecer como refeição do “Canibal Gay”, chegando até mesmo a saborear o próprio pênis na companhia de seu algoz, isso já bem mais complexo. A única explicação que me parece plausível para tal comportamento evidentemente suicida é a realização pessoal de forma psicótica de um evento simbolicamente correlato que vem sendo repetido infinitas vezes na sociedade globalizada atual: o canibalismo consentido. Explico: não é canibalismo o que as nações ditas desenvolvidas exercem sobre as ditas nações subdesenvolvidas, quando obrigam política e economicamente que as populações destas se mantenham envoltas em pobreza, doença e morte para sustentar os luxos supérfluos daquelas? Isso não é ignorado por todos e coletivamente consentido? Não é canibalismo quando uma mega–empresa multinacional simplesmente açambarca e devora empresas menores obrigadas por lobby e dumping a docilmente se entregarem a esta prática antropofágica? Isso não é ignorado por todos e coletivamente consentido? Não é canibalismo quando as classes dominates mantêm na ignorância e na pobreza as classes inferiores que nada mais fazem do que ingenuamente doarem sua força de trabalho e seu sangue num banquete vampírico? Isso não é ignorado por todos e coletivamente consentido? Pois não é canibalismo quando um dependente de drogas psicotrópicas (e incluem–se aqui o cigarro e o álcool) alegremente entrega sua consciência, seu corpo e sua vida para alimentar a indústria do tráfico internacional? Isso não é ignorado por todos e coletivamente consentido?
Ora: o mundo é um grande Cannibal Café! O erro de Brandes foi o de tomar como literal a metáfora canibal e se entregar alegremente àquele que o devoraria. Na verdade, as demais formas de canibalismo aqui descritas podem ser bastante mais sutis, porém, na prática, são igualmente literais. Seria muito bom pensar sobre isso e compreender mais profundamente o evento canibal que ocorreu na Alemanha.



Por Bernardo de Gregório
(Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiano)

02 agosto 2006


ASAS DA MENTE NARRA A HISTÓRIA
REAL DO DRAMA VIVIDO POR UMA
UMA PACIENTE DE ESQUIZOFRENIA



Baseado em fatos reais, o espetáculo ASAS DA MENTE estréia contando
a história da própria autora, que sofreu de esquizofrenia paranóide. Com o
objetivo de diminuir o preconceito das pessoas em relação à doença,
o diretor Bernardo de Gregorio recria as alucinações por
meio de dança, vídeo, música e poesia, colocando o espectador
no lugar da paciente. Para viver suas personagens de maneira
mais realista, os atores participaram de workshops para entender
a esquizofrenia e a mente de um esquizofrênico


A mente humana, capaz de viajar no mundo da fantasia e do inconsciente, provoca processos que podem levar um indivíduo à loucura. Com inspiração nesse tema e baseado em fatos reais, o espetáculo ASAS DA MENTE estréia dia 5 de agosto, sábado, às 21 horas, no Teatro do Centro da Terra. A montagem faz uso de recursos multimídia, como música eletrônica e vídeos (direção de Luaa Gabanini e Thomas Miguez), para contar todo o processo psicanalítico da cura da esquizofrenia paranóide, além de relatar alguns dos seus momentos de crise. O espetáculo também utiliza dança (coreografia de Leandro Feigenblatt e expressão corporal de Bernardo de Gregorio) e poesias da própria autora para ilustrar as “viagens” e alucinações da personagem central. O violoncelista Luiz Hernane Barros e Carvalho executa parte da trilha sonora ao vivo.

Adaptação de Marcello Blanko e do psiquiatra e psicoterapeuta junguiano Bernardo de Gregorio, que também assina a direção geral, a peça discorre sobre o processo psicanalítico de uma jovem mulher esquizofrênica que sofre com imagens e vozes vindas do inconsciente. O espectador assume o ponto de vista da protagonista e, aos poucos, vê e ouve suas alucinações e delírios, compartilhando sua angústia e seu processo de cura.

Vivenciando a história

No palco, estão os atores da companhia Asas da Mente – Chico Oliveira, Fernanda Padilha, Kadine Teixeira, Luana Tanaka, Mayra Cordeiro, Nilson Santos, Nilton Santos, Patrícia Rizzo, Priscila Braga e Wilson Roque Basso –, que participaram de workshops ministrados por Bernardo de Gregorio, com o objetivo de entender a doença e a mente de um paciente que sofre de esquizofrenia paranóide (doença que, segundo dados de um estudo da Escola Paulista de Medicina, atinge 0,5% da população brasileira a cada ano).

A autora do texto, acompanhou a montagem desde o início: “Antes, a idéia era montar um DVD baseado no livro, mas Bernardo sugeriu que adaptássemos o meu livro para o teatro. Nesse caminho, ele e Marcello Blanko resolveram incorporar ao texto algumas poesias escritas por mim, o que ficou bem bacana. Eu tenho acompanhado todos esses passos, inclusive os workshops feitos pelos atores. Em alguns, o próprio Bernardo achou melhor eu não participar, porque eles iriam reviver algumas partes dolorosas da minha vida. Mas eu bati o pé e achei que já que estava na chuva, tinha que me molhar. Isso acabou me ajudando a entender o que aconteceu comigo”, explica a autora.

Bernardo de Gregorio conta que, “além desses laboratórios ajudarem os atores a entender o funcionamento da alma, da psique do ser humano, eles também serviram como base para as coreografias que são apresentadas no espetáculo. Em alguns momentos, trabalhamos técnicas de teatro espontâneo e laboratórios de movimentos. Deixei que os atores se movimentassem livremente, criando coreografias que acabaram servindo de base para a construção de algumas personagens que representam seres do Inconsciente Coletivo”, explica.

Desmistificando a esquizofrenia

A idéia da peça partiu da necessidade da autora (como portadora de esquizofrenia paranóide, tendo surtado pela primeira vez aos 30 anos e tendo sido internada duas vezes) escrever um livro contando sua história de vida, os tratamentos que recebeu, a reação depois que se viu “doente” e o preconceito que sofreu desde então.

“A loucura, um delicado mundo intrapsíquico que aos poucos se revela, vai levando o público a conhecer mais de perto o sofrimento imposto pela psicose: não poder contar com uma base sólida, o medo do mundo exterior, a fragilidade frente aos acontecimentos, as dificuldades com os tratamentos, as dúvidas e angústias. Vista por esse ângulo, a doença mental deixa de ser algo distante e teórico para despir-se de todo rótulo e revelar-se em seu aspecto mais humano como fato vivido, afetivo e palpável, do qual ninguém está livre ou afastado”, comenta Bernardo, que completa dizendo que todos nós temos alguns traços de paranóia, assim como um pouco de qualquer doença mental. Porém, as pessoas usualmente conseguem lidar com isso de maneira natural, sem passar por uma psicose. Mas Bernardo afirma que qualquer um de nós enfrenta dificuldades ao embrenhar-se nos mistérios do inconsciente.

Consciente e Inconsciente

No livro, a autora descreve exatamente o que aconteceu, narrando de forma linear como eram suas alucinações e como foi todo o seu processo de recuperação. Ao realizarem a adaptação do texto, Marcello Blanko e Bernardo de Gregorio resolveram colocar uma pitada de fantasia no texto, dando vida às alucinações. Segundo Bernardo “as lembranças, a imaginação, os mitos arquetípicos, tudo isso foi transformado em personagens. Há até uma personagem batizada de A Poesia, que foi inspirada na mitologia grega: a musa da Poesia Lírica. Além disso, assim como nas alucinações, sua sogra, seu professor de faculdade e seu marido surgem de maneira caricata, com suas personalidades distorcidas pelos sentimentos da personagem. Os únicos momentos concretos da peça são as cenas entre a protagonista e seu psicanalista. O restante são suas alucinações e abstrações”.

Bernardo também usou alguns símbolos para compor o cenário que, segundo Carl Gustav Jung, representam o Inconsciente Coletivo. “Quando falamos no inconsciente, sempre temos a presença de um destes quatro símbolos: mar, deserto, espaço e floresta. Na peça, o cenário é uma floresta sombria, que, com o efeito de iluminação, se transforma em mar ou espaço em determinados momentos da história”, conta ele.

Vídeo e música

Os vídeos e a trilha sonora ajudam a compor o clima do espetáculo. Com direção de Luaa Gabanini e Thomas Miguez, são praticamente uma das personagens da peça: em algumas cenas, criam uma ambientação e, em outras, contracenam com os atores.

A trilha sonora alterna música eletrônica e música clássica ao vivo. O DJ Eugênio Lima criou especialmente para a peça temas eletrônicos sobre músicas orientais. Já o violoncelista Luiz Hernane Barros e Carvalho executa três músicas ao vivo. Entre os temas instrumentais, está uma das suítes para violoncelo de Johann Sebastian Bach.

Serviço:

ASAS DA MENTE – Estréia dia 5 de agosto, sábado, às 21 horas, no Teatro do Centro da Terra. Adaptação – Bernardo de Gregorio e Marcello Blanko. Direção Geral – Bernardo de Gregorio. Direção de vídeo - Luaa Gabanini e Thomas Miguez. Direção Musical: DJ Eugênio Lima. Elenco – Chico Oliveira, Fernanda Padilha, Kadine Teixeira, Luana Tanaka, Mayra Cordeiro, Nilson Santos, Nilton Santos, Patrícia Rizzo, Priscila Braga e Wilson Roque Basso. Cenário e Figurino – Marcello Blanko. Iluminação – Denilson Marques. Sábados, às 21 horas e domingos às 20 horas, com eventos culturais diferentes sempre uma hora antes do início do espetáculo. Ingressos – R$ 20,00. Meia entrada para estudantes. Duração – 90 minutos. Censura – 16 anos. Até 30 de outubro.

Teatro do Centro da Terra – rua Piracuama, 19, Sumaré - São Paulo. Informações: (11) 3675 1595. Vendas e Reservas: (11) 2163 2000 ou
www.ingressorapido.com.br. Capacidade – 100 lugares. Bilheteria - no Teatro Centro da Terra, 2 horas antes do espetáculo. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física.

08 junho 2006


ORIENTE


Gilberto Gil
1971

Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração



Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação



Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão

01 junho 2006

O Que é Matrix
(Milagres? Que Milagres?)

Por Rui Fragassi
Baseado em "Tales from the Time Loop" de David Icke
Revisão: Bernardo de Gregorio


“O conceito matemático de Matriz [= Matrix, em inglês] consiste em uma ordenação adequada de símbolos [normalmente números] no espaço. Em duas dimensões, essas ordenações são chamadas de 'linhas' [na horizontal] e 'colunas' [na vertical]”.



Somos emanações divinas presentes eternamente no infinito AGORA. Tudo que observamos são nossas criações mentais. Tempo e espaço são conceitos ilusórios que criamos, formando uma prisão, que podemos chamar de 'Matriz'. A única verdade é o Amor Infinito - todo o resto é ilusão. Vamos aos detalhamentos:

1. Hologramas são projeções de energia ou 'luz' que parece, ao observador, ser uma forma de 3 dimensões, mas na realidade são uma série de códigos e padrões de onda que apenas geram a ilusão de 3D quando um laser emite sua luz sobre esses hologramas. Toda a realidade dos 5 sentidos é uma ilusão holográfica que apenas existe de uma forma 'sólida' porque o cérebro/mente humana faz com que se aparente desta forma. O mundo 3D de paisagens, mares, edifícios e corpos humanos, apenas existe nessa forma quando nós olhamos para ele! Se não ele é uma massa de campos vibratórios e códigos. Nos filmes, a Matriz (Matrix) é representada, vista de fora, por uma série de números verdes e códigos, enquanto que do interior ela é vivenciada como o tipo de mundo em que nós pensamos que vivemos - montanhas, ruas, pessoas etc. Esta é uma boa analogia.

2. Nós não enxergamos com os nossos olhos, nós enxergamos com o nosso cérebro! No caminho dos olhos até o córtex visual, região cerebral responsável pela “fabricação” da visão (gnosia visual), os lobos temporais editam e reconstroem até 50% ou mais da informação original que entra através da retina e nós apenas “vemos” o que o cérebro, com todas as suas realidades condicionadas, decide o que ele está vendo.

Em “O Universo Holográfico”, Michael Talbot conta-nos que nos anos ‘70 seu pai contratou um hipnotizador profissional para entreter um grupo de amigos. Um dos escolhidos para ser hipnotizado foi um homem chamado Tom e era a primeira vez que ele encontrava-se com um hipnotizador. O que os hipnotizadores de palco fazem é programar as pessoas para acreditarem que elas estão vendo algo ou fazendo algo que, na verdade, não passa de pura invenção. O hipnotizador fez Tom acreditar que existia uma girafa na sala e mais tarde fez com que comesse uma batata crua acreditando que era uma maçã. Essas são confirmações de que o cérebro vê e experimenta o que ele é programado para acreditar o que ver e experimentar. Mas a parte mais interessante da história veio quando Tom foi trazido de volta para o estado de consciência desperta. Logo antes do hipnotizador terminar o estado de transe formal, ele disse a Tom que quando ele acordasse ele não seria capaz de ver sua filha, Laura. O hipnotizador pediu a Laura para ficar em pé de frente e junto do pai de tal forma que quando ele abrisse os olhos ele estaria olhando no estômago dela. Quando perguntaram a Tom se ele conseguia ver sua filha, ele respondeu que não. Laura se mexeu bastante, mas não deu nenhum resultado. O hipnotizador se colocou atrás de Laura e segurou algo contra as costas de Laura. Para ver esse objeto, Tom teria que ver através de sua filha. O hipnotizador pediu a Tom para dizer o que ele estava segurando em sua mão e, inclinando-se para frente para junto do estômago da filha, ele disse: “um relógio”. Foi-lhe pedido então para ler a inscrição no relógio e ele leu. O hipnotizador confirmou que realmente estava segurando um relógio com a inscrição descrita por Tom. A mente de Tom foi programada para acreditar que ele não poderia ver sua filha e portanto ele não a viu. Além disso, ele pode ver o que estava atrás dela. Como isso é possível? Nós construímos nossa realidade “aqui dentro” e não “lá fora”.

3. Uma afirmação perfeitamente correta é: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Na prática, uma grande parte do que conhecemos é Mentira. Existem entidades (como os manipuladores reptilianos, draconianos, “greys” e seus fantoches, além da própria Matriz que nós mesmos criamos) que nos repassam informações erradas (mentiras!) visando nos escravizar (retirar nossa liberdade) e nos retirar Poder. Uma das mentiras mais enraizadas em nós é o nosso conceito (ilusório) de separação espacial e de tempo.

Comecemos pelo nosso conceito de tempo: com o conceito de tempo estabelecido na superfície de nosso planeta Terra, todos nós podemos praticar um ato posterior ANTES de um ato anterior, basta cruzar de oeste para leste o “meridiano do tempo”, que cruza o Oceano Pacífico exatamente na localização oposta ao meridiano de Greenwich. Desta forma cria-se uma diferença de tempo entre os atos de quase 12 horas! Que absurdo! Nosso conceito de Tempo é uma tremenda ilusão. Passado, presente e futuro: ilusão! Então, como funcionam todas as coisas, sem o conceito de Tempo? Na realidade só existe o infinito e eterno Presente, o AGORA, com todos nossos conceitos de eventos passados e futuros ocorrendo no eterno Agora, em realidades paralelas simultâneas, criadas por nossas mentes. É exatamente por causa disso que videntes conseguem “ver” e “sentir” acontecimentos “passados” e “futuros”: eles estão presentes no Agora! Reencarnação, portanto, não é um processo de vir e sair deste mundo com o passar do tempo: é mover-se para dentro e para fora de diferentes realidades, todas acontecendo simultaneamente.

Ainda não está convencido sobre a ilusão do tempo? Então considere um dos grandes mistérios que é a predição do “futuro”, que muitos estudos já provaram ser possível. Um exemplo nesse sentido é o “teste da cadeira” proposto pelo vidente holandês Gerard Croiset: investigadores iriam identificar eventos em salas espalhadas pelo mundo que não tivessem assentos numerados pré-alocados. As pessoas sentariam onde quisessem quando elas chegassem ao local do evento. O investigador daria a Croiset um assento particular para ser focalizado semanas antes do evento e ele teria que descrever a pessoa que iria sentar lá durante o evento futuro. Durante 25 anos Croiset descreveu os ocupantes dos assentos com enorme precisão. Dra. Jule Eisenbud, professora clínica na Universidade do Colorado, conduziu um desses testes em 1969. Mais de duas semanas antes de um evento em Denver, Colorado, Eisenbud contactou Croiset na Holanda e deu a ele um assento para “ler”. Croiset disse que o homem que iria sentar naquela cadeira tinha cerca de 1.75m de altura e trabalhava na indústria e com ciência. Em seu trabalho, disse Croiset, ele usava um avental de laboratório que estava manchado com um produto químico esverdeado. Ele disse que o homem tinha os cabelos pretos, penteados para trás, uma cicatriz no seu dedão e um dente de ouro na sua mandíbula inferior. 17 dias depois, este mesmo homem sentou no assento e Croiset estava correto em todos os detalhes, inclusive sobre sua altura. Como isso é possível? O homem “depois” na cadeira e o homem “antes”, antes mesmo que ele inclusive soubesse que ele iria àquele evento, não eram eventos que estavam acontecendo separados por várias semanas: eram eventos concomitantes na eternidade. Eles estavam acontecendo simultaneamente. Eram duas realidades mentais distintas, mas acontecendo no Infinito AGORA!!

4. Uma ilusão só pode controlar você quando você pensa que ela é real. Quando nós observamos nossas experiências diárias nós estamos olhando em um espelho de nós mesmos. Portanto, para mudar seu mundo mude a você próprio. Não culpe os outros, pois isso é aceitar que os outros têm poder sobre sua vida e sobre a realidade que você cria.

Não existe nada que não possa ser explicado, uma vez que entendamos que o Amor Infinito (Unicidade) é a única verdade e todo o resto é ilusão e que nós estamos criando a ilusão ou tendo a ilusão programada em nós por acreditar que ela seja real. Lyall Watson, biólogo e autor de “Supernature”, diz ter presenciado uma mulher indonésia chamada Tia, uma xamã, conversando com uma menininha em um pequeno bosque de árvores. Ele olhava a cena de uma curta distância e ela não sabia que ele estava lá observando. Ela pareceu explicar algo à garota e um certo ritual de dança e de gestos começou. Para o espanto de Watson, o pequeno bosque de árvores desapareceu e, após alguns segundos, voltou novamente. "Num momento Tia dançava no bosque sombreado; no seguinte ela ficava em pé sob um sol escaldante", ele disse. “Ela conseguiu 'ligar' e 'desligar' o bosque várias vezes”, com Watson olhando sem acreditar. Isto é impossível? Não, não é. O bosque é uma ilusão holográfica e aqueles que compreendem como o processo funciona podem se desconectar dessa realidade, o sonho de consenso que concorda que o bosque existe. Com Lyall Watson observando esta cena intensamente, foi fácil para ele tornar-se parte do campo de realidade de Tia e também ver o bosque aparecer e desaparecer. Outras pessoas poderiam ter observado isso de uma ilusão de realidade de consenso e o bosque não teria desaparecido para elas. Isto explica porque algumas pessoas podem caminhar através de paredes - elas acreditam que podem e essa torna sua experiência. Elas desconectam suas mentes e corpos das leis da realidade de consenso que insiste que isso é impossível. Quando digo "acreditar", isto é um nível de crença muito além de qualquer pessoa que apenas diz “eu acredito”. Não é crença, é um conhecimento, um ser. Existe um velho ditado que diz que nós podemos “mover montanhas”. Isto não tem um significado literal? Por que não? Se um bosque pode desaparecer, porque não uma montanha? A montanha é uma ilusão holográfica e nossa mente controla a ilusão. Por que nós não movemos montanhas? Nós podemos, mas nós não fazemos, porque nós não sabemos que nós podemos. A realidade de consenso, programada, diz que a própria idéia é ridícula e se acatamos essa realidade, assim é. Porém se criarmos uma outra realidade que diz o oposto, moveremos montanhas!

5. As “leis” do mundo dos 5 sentidos podem apenas ser aquilo que nóspensamos que elas são, e enquanto aceitarmos elas como real nós estaremossujeitos às suas limitações. Da mesma forma, se nós pudermos livrar nossasmentes dessas realidades, nós não estaremos mais sujeitos às suas “leis” elimitações. Isto é o que chamamos “milagres”. Quase todos já leram sobrefeitos inexplicáveis como caminhar no fogo sem se queimar, ter espadasatravessadas através do corpo sem se machucar ou deixar cicatriz, levitação emuitas outras coisas. Nenhum desses fenômenos é possível para a ciênciamaterialista convencional, mas isso é simplesmente porque a ciênciaconvencional é o conhecimento equivalente a um filme do Mickey Mouse. DavidIcke conheceu uma mulher que separou um quarto de sua casa para ser usadopor meditadores sérios, meditadores que queriam meditar por longos períodossem serem perturbados. Um cara entrou e não apareceu por muitos dias e elaficou curiosa para saber se ele estava bem. Ela pegou um copo de chá para elee abriu a porta devagarinho. No momento seguinte o copo se espatifou no chãoporque quando ela olhou para ele, a metade de baixo de seu corpo estavainvisível. Impossível? É possível sim e perfeitamente explicável. Em 1905,o paranormal Indridi Indridason fazia parte de um projeto de cientistaseminentes da Islândia no terreno do “paranormal”. Quando ele entrava emtranse profundo os cientistas viam diferentes partes de seu corpodesaparecer e reaparecer. Tudo é possível, literalmente tudo, porque nóssomos infinitas possibilidades. David Icke também conta que uma mulher doTexas lhe contou que um dia, pela manhã, ela acordou próximo do marido eencontro-o flutuando a cerca de 1,80m acima da cama, ainda dormindo...

O Dr. William Tufts Brigham, o curador do Bishop Museum de Honolulu, eraum investigador perspicaz do “paranormal” e seus estudos envolveram os”milagres” feitos por xamãs havaianos, ou kahunas. Ele testemunhou uma delascurar um homem que tinha quebrado a perna tão forte que pedaços do ossoestavam atravessando a pele. A mulher kahuna “orou” (pensamento concentrado)e meditou ao lado do homem e esticou sua perna, empurrando os ossosquebrados. Após alguns minutos ela disse que a cura estava completa e ohomem se levantou e saiu andando sem nenhum sinal de seu severo machucado de minutos atrás. Isto é possível porque, na realidade, não existe osso -isso também é uma ilusão...

6. Um pouquinho sobre o “carma”: a crença na realidade sólida materialista é fundamental na ciência oficial, assim como a necessidade de que tudo seja provado através de experimentos que possam ser repetidos. Cientistas que sugerem explicações alternativas são jogados no ostracismo ou sabotados, para se defender a “sabedoria” existente. Fundamental para perdermos de vista nossa unidade infinita é a política oficial da ciência não-alternativa que apresenta o mundo como partes desconectadas e isto está refletido na própria estrutura da ciência, com suas especialidades compartimentalizadas, que raramente conversam entre si. Mas, quando as crenças dos cientistas estão afetando os resultados dos experimentos, como a física quântica está cansada de mostrar, de que valia é este dogma? Uma partícula subatômica chamada ”anomalon” foi verificada ter propriedades diferentes em diferentes laboratórios, o que é equivalente a ter um carro que muda de cor e outras características dependendo de quem o está dirigindo. As “leis” da Ciência apenas se aplicam porque oscientistas acreditam que sim e, graças ao estado divinizado da Ciência: oque ela decide que é “real” torna-se a realidade de consenso. Mas tudo é uma ilusão. Tome, por exemplo, a lei básica da Ciência conhecida como “Lei de Causa e Efeito”, o fundamento da chamada “Lei do Carma”. Para cada ação tem que existir uma reação. Isto é verdade - mas apenas se você acredita que é. Se você acredita que não é verdade então ela não é! As pessoas possuem carma apenas porque elas acreditam que elas o possuem em suas mentes individuais e coletiva. William Tiller, físico da Stanford University, escreve: "quando chegamos nas fronteiras de nossa compreensão, podemos de fato deslocar as leis de tal forma que nós estamos criando a física enquanto caminhamos". Não existem “leis”, apenas possibilidades infinitas. Que é realidade? O que você pensa que é? Então isso é o que é.

Místicos têm comunicado idas a “Salas de Saber” em seus mundosnão-físicos e relatado que a Terra é uma “universidade” espiritual onde aspessoas vêm para aprender algumas duras lições e trabalhar seus carmas.Isto é uma total ilusão! "Você acha que o Infinito tem que ir paraescola aprender algo quando ele sabe tudo que existe para saber?". Sobre ocarma, a idéia que você experimenta aquilo que você fez os outrosexperimentar, pode-se perguntar: "Por que teria o Infinito de experimentaraquilo que ele mesmo fez experimentar?". A idéia do carma é uma manipulaçãoda Matriz para embasar a crença na passagem do “tempo” - é o meu carmade uma vida passada ou eu estou gerando carma para meu futuro - e paramanter as pessoas em um estado de culpa e de auto-condenação. "Amor Infinitonão julga a si ou pune a si mesmo - estas são ilusões da desconexão".

Estas áreas do conhecimento são muito mais subversivas para o sistemado que simplesmente expor a rede de sociedades secretas ou a agenda globalporque elas oferecem meios que nós podemos pensar de excluir a agenda e seusvalores fascistas de nossa existência e pensar e trazer uma nova realidadeem existência. Esta é a transição da prisão para o paraíso. Como todarealidade, a transição tem que acontecer primeiro na mente - ou, maisacertadamente, no coração - e apenas então pode ser experienciada no mundo”físico” como holograma manifesto. Rejeitar a realidade de consenso e criara nossa própria é a transformação. É como o conto de Andersen “A Roupa Nova Do Rei”. A realidade de consenso era que ele estava vestindo roupas novaslindas, porque a multidão não queria admitir que ele estava nu. Foi preciso queuma criança gritasse "o rei está nu" para quebrar o encanto e propagar o óbvio.

7. Acredito que todos tenham já ouvido falar do Conde Drácula, não? É uma ficção, porém baseada em fatos reais, que estão ocorrendo agora na nossa aristrocracia/realeza (Drácula > Draco > Draconianos = linha reptiliana “real”). Primeiramente, uma introdução: há uma técnica de controle mental chamada de Distúrbio de Múltiplas Personalidades (MPD, em inglês). Isto ocorre quando a mente é fraturada, através de trauma e programação, em uma série de aparentes “personalidades” ou “personagens”, cada um com diferentes atitudes, crenças e, até, diferentes “idades” ou “sexos”. David Icke testemunhou um caso (na sala de um terapeuta) de uma mulher de 30 anos que manifestou sete distintas “personalidades” em meia hora de sessão, incluindo uma de bebê. Cada personalidade tinha seu próprio nome, antecedentes e características, e cada uma foi trazida à tona, em seqüência, pelo terapeuta pelo uso de palavras corretas de acionamento e por códigos. Quando uma personalidade era comutada para outra, a face da mulher mudava, inclusive a cor dos olhos e características da pele (cicatrizes podem desaparecer quando uma personagem substitui outra como a mente consciente). A pessoa pode estar doente, em um modo, e perfeitamente saudável no outro. Mulheres com MPD podem ter diferentes ritmos menstruais com cada personalidade, e parecerem mais velhas ou mais jovens. Agora, como é o outro termo para essa transformação instantânea das feições da face e do corpo? Mudança de forma (“shape-shifting”, em inglês). Esta é uma das características do Drácula: mudança de forma, assim como os humanos reptilianos. Drácula é um vampiro, assim como os humanos draco-reptilianos, que bebem sangue humano comum, alimentando-se da energia humana. A linha dos manipuladores está seriamente envolvida em sacrifícios humanos e em rituais de beber sangue em toda a nossa história. Os registros sumérios revelam que os Anunnakis, deuses da Antiga Suméria que igualmente apreciavam o derramamento de sangue humano, eram uma raça reptiliana.

8. Quando os místicos meditam, antes de executarem um “milagre”, eles estão se desconectando da realidade de consenso, a mente coletiva, que diz que o “milagre” é impossível. O que não vemos, nós inventamos: nossos olhos possuem um ponto cego, onde o nervo óptico se conecta ao olho, no meio da retina. Qualquer que seja o objeto que olharmos, nós não podemos ver nada que incide naquela parte do olho, mas o cérebro constrói a cena completa usando a informação disponível e, portanto, preenche o “buraco” usando para tal as imagens vindas do outro olho ou recolhidas na memória. Realidade é apenas aquilo que nós fomos programados a acreditar que é. Vemos apenas o que estamos condicionados a ver e editamos (eliminamos) tudo o que contradiz esse condicionamento.

Implantar crenças é tudo o que os manipuladores desejam, pois é através da crença que nós manifestamos nossa realidade. Geralmente, a crença cria a Polarização; polarização = divisão e conflito, divisão e conflito = dividir e dominar. Eles desejam crenças rígidas e em conflito, por esta razão; eles não se importam muito com o que você acredita piamente, contanto que você acredite piamente em algo, porque assim eles podem jogar você contra os outros que acreditam piamente no (aparente) oposto.

Albert Einstein disse: ”nós precisamos lembrar que nós não observamos a natureza como ela existe realmente, mas a natureza exposta aos nossos métodos de percepção. As teorias determinam o que nós podemos ou não podemos observar”. O que nós pensamos que vemos como edifício, pessoas, florestas e lagos são, na realidade, ilusões holográficas tridimensionais conjuradas nessa realidade por nossas próprias mentes. As sessões de hipnose exemplificam bem esta situação.

O que é “livre arbítrio”? A mente consciente não é aquela que, no final, está no controle dos eventos, exceto na forma que ela decodifica os padrões holográficos 3D de acordo com o seu senso de realidade. O Inconsciente é a fonte principal de resposta humana e de comportamento, e não a consciência que pensa que está tomando as decisões. Experimentos revelaram que os sinais no cérebro, necessários para mover um braço, abrir a boca ou executar qualquer ação física, começa um segundo e meio antes da mente consciente tomar a “decisão” correspondente.

A Matriz foi criada pelo Inconsciente Coletivo, e a mente consciente foi aprisionada pelas ilusões assim criadas. A Matriz tomou vida própria quando ela acessou uma fonte de energia própria: o medo gerado pelas mentes consciente e Inconsciente aprisionadas em uma ilusão que acreditam ser “real”. Este medo auto-percebido, a Matriz, então aprisiona também o Inconsciente Coletivo na ilusão. É o Inconsciente que os manipuladores visam controlar. Estamos condicionados a ver o que nos é dito para ver, pelas normas da sociedade. A hipnose nos vem de inúmeras formas:na infância estamos sujeitos à programação de nossos pais, que instilam suas próprias realidades sobre nós. Isso se compõe, em seguida, com a educação que recebemos na escola. Educação não está envolvida com o desenvolvimento da auto-percepção, ela meramente prepara os jovens para os trabalhos que servem ao sistema. A educação verdadeira seria desaprender a doutrinação incutida pela “educação” oficial. O hipnotizador residente encontra-se no canto da sala: “mamãe, onde eu aprendo o significado da vida?”. “Oh, cale a boca e veja TV”. “OK, mamãe...”.

9. Fatos incomuns podem acontecer quando as pessoas manifestamilusões diferentes e sonhos diferentes. Quantas vezes temos sonhos nos quaisparticipamos de eventos que iriam nos matar ou machucar, mas isso nãoacontece? Da mesma forma, ser for sua realidade que o fogo não pode queimarseu pé, então ele não pode. Por que? Porque seus pés não existem mais do queo fogo! Como pode uma ilusão queimar uma ilusão, a não ser que acreditemosque ela possa e manifestemos essa realidade: a ilusão da queimadura e a da dor? Quando sentimos dor, é no cérebro que a sentimos e não no dedão que chutou a perna da mesa. O cérebro manifesta a dor pela mensagem que ele recebe e o cérebro condicionado sente dor apenas porque ele pensa que deve sentir. Isto é o que o programa de computador diz e isso é o que ele entrega como resultado.Quando você muda o programa, você obtém uma realidade diferente: sem queimadura e sem dor.

“Milagres” são apenas saídas da realidade de consenso para onde suas”leis” ilusórias não mais se aplicam. Como pode o seu corpo queimar quandovocê sabe que ele é apenas uma ilusão holográfica de sua mente? Como podeuma ilusão holográfica ser prejudicada por uma espada ou uma bala, que étambém apenas uma ilusão holográfica? Resposta: apenas quando você acreditaque isso é possível! O homem que “perdeu” metade do seu corpo quando meditava foi para um tal estado de consciência (sua realidade) que seu corpoholográfico começou a segui-lo. Fazendo isso, ele começou a desaparecer,retirando-se desta realidade.

Quanto à levitação e outros fenômenos ditos “paranormais” (paranormaispara a realidade de consenso), o princípio é o mesmo. "Quando você levita,não é você que vai 'para cima', é o seu 'mundo' que vai 'para baixo'." Masnão é a levitação a arte de sobrepujar a gravidade? Apenas se você pensa queé, porque a gravidade é outra ilusão. Se nós não acreditarmos nela, nós nãoiremos estar sujeitos às suas leis. Não existem leis a não ser que nósacreditemos que elas existam. Amor infinito é a única verdade, tudo o mais éilusão. Pessoas têm levantado carros para salvar seus filhos: suas mentes emestado emocional altamente concentrado mudam as realidades e não ficammais sujeitas às “leis” desta realidade que conhecemos. Todos conhecem fatossemelhantes a este.

Muitos tentam fazer esses aparentes “milagres” com a chamada “iluminação” ou “avanço espiritual”, o que pode vir ser uma armadilha. Você não é um “deus vivo na Terra” por conseguir fazer esses truques que vêm do conhecimento de como nós criamos a realidade: os manipuladores estão usando essas técnicas o tempo todo. Essas habilidades podem ser usadas (e o são) por aqueles que desejamexpor a ilusão e ajudar as pessoas a despertarem dela. Mas não precisa serassim: isso é apenas um conhecimento e você pode usá-lo da forma que desejar...

10. No laboratório podemos gerar um holograma a partir de um feixe deluz emitido por um laser. Divide-se esse feixe em dois feixes: um vaidiretamente à chapa fotográfica e, o outro vai para essa mesma chapafotográfica após ser refletido pelo objeto a ser fotografado. Parareproduzir a foto do objeto, em 3 dimensões, usa-se o mesmo laser parailuminar o holograma gerado na etapa anterior. Uma das características espantosas do holograma é que cada parte contémo todo: se você cortar o filme holográfico em quatro partes e incidir olaser em cada um desses pedaços, eles não irão revelar quatro partes da cenafotografada, mas cada pedaço irá mostrar um versão menor de toda a cena. Vocêpode cortar a chapa em quantos pedaços quiser e eles sempre irão projetar amesma imagem inteira (completa), quando o laser os iluminam. É exatamente porque o corpo humano é um holograma que cada célula contém toda a informação necessária para “crescer” um corpo inteiro. Portanto, pode-seclonar pessoas e animais a partir de uma única célula, usando-se sua informação genética contida no DNA (ácido desoxiribonuclêico).

A Medicina convencional tende a rejeitar alternativas como a Acupuntura, a Homeopatia, a Reflexologia, as Medicinas Tradicionais Xamânicas, etc. Mas se ela não estivesse tão “hipnotizada” pelo cartel farmacêutico dos manipuladores, ela iria perceber que o corpo é um holograma e a base de tais terapias alternativas não poderia ser mais simples. A Reflexologia, por exemplo, baseia-se no entendimento de que diferentes partes do corpo (pés, mãos e orelhas) são espelhos de todo os órgãos e quando se trabalha sobre estas imagens refletidas, atua-se sobre o órgão da mesma forma. A mesma coisa acontece com a Iridologia: todos os órgãos do corpo estampados na íris dos olhos. Isto é perfeitamente lógico, já que o corpo é um holograma e cada parte do holograma contém a imagem do todo: cada célula contém o todo. A Acupuntura baseia-se nos sub-sistemas holográficos do corpo, assim como a Kiromancia, porque a mão contém informação de todo o corpo. O corpo holográfico é uma expressão do holograma que é o universo e o cosmos, assim como cada parte do corpo ( o Micro-Cosmos repete o Macro-Cosmos).

O cérebro não é a alma, o cérebro é um computador usado pela mente eportanto os cientistas nunca conseguiram localizar onde, no cérebro,encontra-se a alma. Eles nunca irão encontrar, porque a alma não está lá.Nós não pensamos com o cérebro, mas através do cérebro, na nossa realidadedos 5 sentidos. A ciência oficial também não localizou a área do cérebro quecontém a memória, porque a memória, o “disco rígido do computador” estáespalhada por todo o cérebro, já que o cérebro é um holograma e cada partecontém o todo. Pessoas já tiveram boa parte do cérebro removidas, por causade tumores e surpreendentemente não perderam certas memórias específicas. O holograma tem uma enorme capacidade de armazenar informação: pode-searmazenar muitas cenas em um mesmo filme holográfico, por exemplo, emudando-se o ângulo de incidência da luz do laser, escolher qual a cena quese quer ver. Nossa memória funciona de forma semelhante: possuímos memóriafotográfica holográfica. Pessoas podem “ler” objetos, como relógios e jóias,e tirar deles informações detalhadas de suas histórias e dos donos, porqueos objetos são hologramas que registram essas informações. Os hologramas denosso corpo armazenam a memória de todos nossos sentidos. Quando, porexemplo, cheiramos algo isso pode acionar uma memória tão poderosa comoquando vemos ou escutamos algo que nos lembra uma certa experiência. Amemória holográfica estende-se além do cérebro para todo o corpoholográfico. O holograma do corpo contém a memória do holograma do cosmos eassim por diante. Tudo está conectado com tudo. Tudo É tudo. A Matriz nãopode dividir o todo em partes porque a Unicidade é sempre a Unicidade, mas aMatriz pode dar a ilusão de divisão e de polaridade, e isso é o que ela faz,manipulando nosso sentido de realidade. Divisão e polaridade são ilusões,porque tudo é Um.

11. Vejamos algumas informações sobre nossos sentidos holográficos. Todos os nossos 5 sentidos são holográficos e estão localizados por todo o corpo-holograma. Sim, até a nossa visão. É claro que não precisamos de olhos para ver, quando analisamos os inúmeros relatos daqueles que passaram pelos fenômenos de experiência “fora-do-corpo” e de “quase-morte”. Eles se desprendem de seus corpos e de seus olhos físicos, mas eles continuam a ver. Isto é possível porque a mente não vê, apenas decodifica padrões de freqüência em ilusões holográficas que ela pensa que vê (gnosia visual). É uma realidade virtual e você não precisa de olhos para ver aquilo que sua mente está pensando, porque isso tudo está acontecendo “aqui dentro” e não “lá fora”. Se algo pode decodificar freqüências em hologramas, este algo pode “ver”. Como todas as consciências podem fazer isto, tudo pode ver e cada parte do corpo holográfico possui “olhos”. Portanto, podemos ver através de qualquer parte do corpo, já que o corpo é um holograma. Experimentos mostram que ratos continuam a ver perfeitamente com 90 % do córtex visual do cérebro removido e gatos continuam a ver após 98 % de seus nervos ópticos deixarem de funcionar. Muitos experimentos mostraram que certas pessoas podem ver e ler através das mãos, com seus olhos vendados. As mãos e todas as outras partes do corpo podem enviar mensagens ao córtex visual no cérebro, de onde nós “vemos”. De fato, não precisamos, inclusive, de cérebro para ver, isto é mais um nível da ilusão. Por acaso o Infinito precisa de olhos e de um cérebro para ver??

Paul Bach-y-Rita, um neurocientista e médico na Universidade de Wisconsin em Madison, Estados Unidos, diz: “você não vê com os olhos. Você vê com o cérebro (indo mais além: você vê com a mente). Quando uma imagem atinge a retina do olho, ela torna-se pulsos nervosos sem diferença daqueles que vêm do dedão do pé”. Informação entra nos olhos como um padrão de freqüências e o cérebro o transforma em uma imagem 3D. Como cada parte do holograma contém o todo, cada parte do corpo - a mão, o pé, o joelho - tem a capacidade de passar padrões de freqüências para o cérebro, que os transformam em hologramas que nós podemos “ver”. Isto significa que as pessoas realmente possuem “olhos nas costas”, como se diz. Já ouvi falar de pessoas que conseguem ver em 360 graus quando elas entram em estados alterados de consciência, que fazem com que elas se sintonizem a esses sentidos, retirando o foco da realidade de consenso dos 5 sentidos. Tudo perfeitamente explicável de uma perspectiva holográfica. A revista Life reportou que uma russa chamada Rosa Kuleshova podia ler com a ponta dos seus dedos e outros podiam fazer o mesmo com outras partes de seus corpos, como nariz e orelha. David Eisenberg, da Harvard Medical School, comenta que duas irmãzinhas chinezas podiam ler com suas axilas!

Paul Bach-y-Rita e outros descobriram que nós podemos ver através da língua. Eles desenvolveram um dispositivo para estimular a habilidade da língua para perceber imagens e isto tem permitido a pessoas cegas recuperarem a visão. Um relatório diz: “a língua, um órgão do paladar e do tato, pode parecer um substituto improvável dos olhos. Afinal, ela está normalmente escondida dentro da boca, insensível à luz, e não conectada aos nervos ópticos. Porém, um volume crescente de pesquisas indica que a língua pode ser o segundo melhor lugar do corpo para receber informação visual do mundo e transmiti-la para o cérebro”. Pesquisas anteriores têm usado a pele como uma rota para as imagens que chegam ao sistema nervoso. Pessoas conseguem decodificar pulsos nervosos como informação visual que vêm de outras fontes, que não os olhos, mostrando quão adaptável e plástico é o cérebro. A maioria das pessoas não acessa estas habilidades inatas porque elas não sabem que elas as possuem e elas não acreditam que elas as possuem. Nós somos o que nós pensamos que somos e nós conseguimos fazer aquilo que nós acreditamos que nós podemos fazer. Cada parte do holograma possui os sentidos do todo e é consciente. No livro “O Universo Holográfico”, Michael Talbot conta que ele estava tendo um problema com o baço e ele estava usando visualização para tratar o problema, usando sua mente para rebalancear o holograma constituído pelo baço. Uma noite ele ficou frustrado com o processo e, na privacidade de seus próprios pensamentos, deu a seu baço uma reprimenda por não responder com suficiente rapidez. Alguns dias depois ele foi consultar uma vidente sobre sua saúde e ela identificou o problema no baço e, então, parou, parecendo confusa, antes de dizer: “seu baço está muito perturbado com algo. Por acaso você tem gritado com o seu baço?”. Ela disse que o baço ficou doente porque ele pensou que isso era o que Talbot queria. Ele tinha dado mensagens erradas, ela disse, e agora o baço estava confuso. “Nunca, nunca fique com raiva do seu corpo ou com seus orgãos internos”, ela disse, “apenas envie mensagens positivas para eles”.

12. A Matriz doa manipuladores procura construir uma realidade de consenso na qual a mente humana coletiva, o inconsciente coletivo de Jung, aceita a “verdade” prevalente que ela está programada para acreditar. Quanto mais isso acontece, mais poderosos são os padrões de pensamento que mantêm a realidade manipulada coesa e mais densos os hologramas irão parecer. Nós estamos nos hipnotizando mutuamente através da aceitação e imposição das normas, que leva a compartilharmos das mesmas ilusões básicas. O objetivo é solidificar a ilusão de consenso ainda mais, removendo os desafiantes e as alternativas a ela.

A realidade da Matriz está construída com pensamentos ilusórios altamente desbalanceados (medos) que produzem padrões vibratórios de baixa freqüência. Aqueles presos à ilusão da Matriz ressoam nesses padrões e quanto mais preso você está, mais devagar será sua vibração. Cria-se um círculo vicioso com ambos, a prisão e os prisioneiros, contribuindo para a sobrevivência da Matriz. Até que esses padrões de freqüência sejam desafiados por aqueles que vibram na Unicidade e na harmonia, a Matriz irá prevalecer, já que medo e desarmonia são a Matriz. A analogia mecânica desse fenômeno pode ser observada, por exemplo, quando colocamos dois violinos próximos um do outro: ao acionarmos uma corda em um dos violinos, a mesma corda do outro violino irá começar a vibrar, no que é chamada de ressonância simpatética.

Quando temos um pensamento, nós estamos enviando ondas de som em freqüências que os 5 sentidos não podem ouvir (infrasom) e este som ressoa um padrão espacial de freqüência. Mude o som - o pensamento, a realidade - e o mundo muda. Parece que esses campos de pensamento formam vórtices, como redemoinhos em uma pia, que podem tornar-se fixos e rígidos, correspondendo a opiniões fixas, pontos de vista imutáveis e senso rígido da realidade, que resistem a mudanças.

O que acontece quando uma pessoa desafia o sistema e oferece uma outra realidade? Ela é ridicularizada, condenada, despedida, marginalizada, atacada financeiramente, aprisionada ou, mesmo, morta. O que está realmente acontecendo em um nível vibracional? É a expressão dos 5 sentidos do padrão de energia da Matriz que está forçando a corda vibrante desajustada a entrar na linha. Podemos ver as conseqüências em tais rebeldes sendo atacados de várias formas, pois para a Matriz eles representam um tom de freqüência diferente que precisa ser jogado de volta para a linha vibracional prevalente da Matriz. É comum vermos políticos que começam desafiando o sistema e, depois, tornam-se advogados dele.

Não podemos acabar com a prisão da Matriz reagindo “lá fora” com armas, bombas, raiva e ódio, porque isso irá tornar a freqüência da Matriz ainda mais forte, contribuindo para o seu padrão de desarmonia. A solução encontra-se “aqui dentro”, mudando os nossos padrões próprios de vibração e nos conectando com a Unicidade, a harmonia e o amor. Se mudarmos a nós mesmos, nós mudamos o nosso mundo, nossa realidade. A Matriz é uma construção vibracional e para remover seu controle temos que romper o poder vibracional que ela tem sobre nós. Na realidade, a maior parte desse 'poder' é simplesmente nossa ignorância de que tal controle existe.

Nós estamos criando o nosso próprio universo, um único para nós. Quanto mais você redefine sua realidade, com relação ao consenso, mais você irá se destacar da multidão e ser um prego acima do resto. A razão dos manipuladores procurarem martelarem essas pessoas de volta para o conjunto dos outros pregos bem enfiados em uma base de madeira é que elas ameaçam sabotar a própria realidade de consenso da qual a Matriz depende. Essas pessoas mostram que existe mais de uma realidade possível. Os visionários são pessoas perigosas para os manipuladores e eles desejam se ver livres delas. Uma pessoa independente é um demônio para um manipulador da realidade de consenso!

Quando nos for dito para fazer ou acreditar em algo, pergunte: “quem decidiu isso?”, “por que devo fazer ou acreditar nisso?”. Eu sou o Um Infinito, não TENHO que fazer ou acreditar em nada que eu não queira. Melhor, nem faça essas perguntas...

13. Que momento excitante para estar aqui nesta ilusão dos 5 sentidos! Nós estamos voltando para casa, apesar de nunca termos partido! Apenas nos enganamos que tínhamos partido! A gargalhada é muito importante nisto tudo. Não existem lágrimas no “céu”; nem sofrimento no Um. O que podemos fazer, a não ser gargalhar? Aqui estamos correndo em torno de um laço no tempo, como um rato em sua roda giratória, acreditando em um tempo que não existe. Quanto mais rápido nos movemos para frente, mais rápido nós vamos para trás, quando, na verdade, nunca vamos a lugar nenhum. Que gozação! Nossos corpos apenas “morrem” porque nós pensamos que eles morrem. Nós apenas sentimos dor e ficamos doentes porque nós pensamos que isso ocorre. Nós ficamos velhos porque nós pensamos que nós ficamos. Nós batemos a cabeça contra uma parede sólida que não pode ser sólida; nós chutamos nosso dedão na perna da mesa, apesar da mesa ser uma ilusão, assim como o dedão. Nós temos medo do futuro, apesar de não existir futuro. Nós lamentamos o passado, quando não existe passado. Nós temos medo do desconhecido apesar de termos o conhecimento de Tudo que existe. Um sábio chinês disse: "finalmente, no fim quando tudo está terminado e todas as questões foram respondidas, não existe mais nada a fazer a não ser sentar e dar uma ótima gargalhada".

Você quer dizer que a Lua não é real? Não é. E que tal o Sol? Também não é? Mas eu estou caminhando sobre a Terra, certo? Não, você está de pé sobre sua mente. OK, te vejo amanhã? Não existe amanhã. Está acontecendo agora, exatamente como ontem. Que hora são? Aquela que você pensa que é. Você está brincando, certo? Está me tirando um sarro? Não, é verdade, honestamente. Isso é realmente verdade? Sim, se você pensa que é! Somos uma Unicidade Infinita. Nós não podemos morrer e nós somos aquilo que escolhemos ser por toda a eternidade. O que acontece, nós fazemos acontecer e temos o poder infinito para mudar.

16 maio 2006




"Depreende-se que o Ser Imortal Humano encontra-se numa ação humana livre, o que faz ver que a Ciência Natural tem toda a razão quando versa sobre ações não propriamente livres, resumindo-se assim a não ter como objetivo se seu estudo a Ser Imortal Humano. Porém cada qual não conhece propriamente este Ser Imortal, não consegue penetrá-lo, não tem conhecimento do que de suas profundezas advém nem das noções morais que dele emanam. A vontade humana não é livre no nível instintivo, mas traz em si a possibilidade de realização da liberdade. O Ser Humano é um ser que se liberta mais e mais e na liberdade mais e mais se esforça, quanto mais nela se envolve e quanto mais seu cerne individual nele próprio vive. Somos livres porque somos imortais, assim como temos em nós nossa porção Individual do Ser, com o qual tornamo-nos imortais".


Rudolf Steiner
Berlin, 20 de Abril de 1918


O Ser Humano é uma ponte
Entre o passado
E o Ser do Futuro;
O presente é um piscar de olhos,
Como uma ponte.

A alma é o Espírito transmutado
Em seu cerne interior:
Eis o passado.

O Espírito é a alma em transformação
Em seu germe ressonante:
Eis o futuro.

Enreda o futuro
Através do passado.
Espera o porvir
A partir do que se foi.

Assim atinge o Ser
Em tua Essência;
Assim alcança o que se foi
Em teu âmago.


Rudolf Steiner
24 de Dezembro de 1920

14 maio 2006

Abril Despedaçado

"Um filme lírico e dramático, admiravelmente filmado no nordeste brasileiro.

Os atores vivem seus papéis com intensidade. A direção é soberba.."

Variety


Título Original: Abril Despedaçado
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2001
Estúdio: Video Filmes / Haut et Court / Bac Films / Dan Valley Film AG
Distribuição: Miramax Films / Columbia TriStar do Brasil
Direção: Walter Salles
Roteiro: Walter Salles, Sérgio Machado e Karim Aïnouz
Baseado em livro de Ismail Kadará
Produção: Arthur CohnMúsica: Antônio Pinto
Fotografia: Walter Carvalho
Desenho de Produção: Marcelo Torres
Direção de Arte: Cássio Amarante
Figurino: Cao Albuquerque
Edição: Isabelle Rathery
Rita Assemany (Mãe)
Ravi Ramos Lacerda (Pacu)
Flávia Marco Antônio (Clara)
Everaldo Pontes (Velho cego)
Abril Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. A adaptação para o cinema foi realizada por Walter Salles, Sérgio Machado e Karim Aïnouz, e as filmagens aconteceram entre agosto e setembro de 2000 nas cidades de Bom Sossego, Caetité e Rio de Contas, interior da Bahia.

Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois : os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho...

No filme há então um pai castrador e autoritário que comanda a família numa rota auto-destrutiva, pois há uma vendeta de sangue, há vingança da vingança da vingança. A questão aqui é: Tonho segue a vendeta familiar e aceita a própria morte ou abandona a tragédia familiar e segue rumo à liberdade?

A cobrança de sangue no Brasil
Escrito na década de 40, o livro Lutas de Família no Brasil, de Luiz Aguiar Costa Pinto, nos permite entender como os conflitos que aconteceram no nosso país se aproximam - ou se distanciam - daqueles vividos na Albânia de Kadaré. Baseado na análise dos confrontos entre as famílias Pires e os Camargos, em São Paulo, e entre os Feitosas e os Montes, no Ceará, o livro prova que a vingança, no Brasil, se dá na ausência do estado regulador.

É algo que surge de forma natural, espontânea, e que só deixa de existir quando surge um poder mais forte e regulador. Essas pesquisas foram determinantes no desenho dos personagens do pai e da mãe da família Breves. Determinantes, também, na definição da classe social a que pertencem. Os Breves são latifundiários ligados à monocultura da cana de açúcar, que entraram em decadência depois do fim da escravidão, no final do século 19. Os seus rivais, os Ferreiras são latifundiários em expansão - criadores de gado.

Abaixo, alguns códigos estabelecidos por estas famílias na tentativa de regular as cobranças do sangue, num trabalho de condensação realizado por Sérgio Machado a partir do livro Lutas de Família no Brasil.

"A vingança é um dever irrestrito e indiscutível, de cuja obrigatoriedade não se pode fugir, sob pena de banição. Neste caso, a desgraça não é só individual, mas da família inteira".

"Lutar pela família é lutar pela própria sobrevivência. Fugir disto seria infringir a regra, ir de encontro ao costume, ameaçar a própria existência e o equilíbrio social".

"A hipertrofia do poder familiar e a fraqueza do poder público determinam o problema das vinganças privadas no Brasil".

"O dever de vingança cabe naturalmente ao parente mais próximo da vítima".

"Se o mais próximo dos parentes não cumprir o dever, o ressentimento do defunto se voltará contra ele".


Sobre o papel da mãe

"É de decisiva importância o papel das mulheres nessa conjuntura. É sempre raro que a vingança se desencadeie sobre uma mulher, e esta, também, só raramente leva a efeito uma represália em nome da solidariedade ativa da família."

"Em manter e estimular o ódio, (...), mantendo aceso o espírito da vindita, é ao que se reserva a função das mulheres nas lutas de família."

"Se no momento em que a violência deve desencadear-se não existirem adultos para exercer a represália, às mulheres e aos anciãos vai caber a tarefa de excitar os mais jovens a exercê-la um dia, alimentando o seu espírito de vindita."

"As mulheres usam de todos os recursos para estimular a luta e transformar a família de comunidade em comunhão. Se a vingança é de sangue, expõe as vestes ensangüentadas do defunto; vivem de luto permanente, não vão à rua, lamentam noite e dia o morto, lembrando e exagerando suas boas qualidades, excitando saudades, remorsos e desejos de vindita."

Sobre a trajetória da personagem central


A idéia de ser jurado de morte em decorrência do mando paterno simboliza o complexo de castração e a auto-anulação que a figura paterna impõe. Deste ponto de vista, tanto o pai de Tonho, quanto o pai da outra família representam este "pai universal", devorador, anulador e castrador. A mãe é uma pessoa totalmente dominada e omissa, não conseguindo exercer seu papel protetor contra esta figura paterna totipotente. Sendo assim, há a necessidade de ser introduzida outra figura femina no enredo: Clara, uma jovem circense que aparece na fazenda. Esta jovem atua como esta figura materna protetora que simplesmente não aceita a proposta de auto-anulação imposta pelo pai. Ela é mãe protetora e ao mesmo tempo mulher sensual e envolvente, conseguindo configurar a triangulação edípica que a mãe original não foi capaz de criar.


Porém, a questão não é tão simples: esta figura feminina mãe-esposa, traz consigo sua própria figura paterna e outro triângulo se forma. Se por um lado Tonho conseguiu romper com o mando do pai, ainda que interinamente, e correr ao encontro da mãe libertadora (Clara), jovem encantadora e ao mesmo tempo sábia, agora irá confrontar-se com uma nova figura paterna que não nos deixa claro qual sua posição em relação a Clara: amante? Padrinho? Tutor? Guardião? Obstáculo? O fato é que seja esta figura paterna positiva ou não, este homem, Salustiano, indubitavelmente não compactua com a vendeta, com seus códigos e com o curso auto-destrutivo de Tonho e de sua família. Contraponto perfeito para a figura feminina potente que aponta rumo à liberdade.

Neste ponto a encantadora personagem do irmão mais novo torna-se fundamenta: espontâneo, alegre, livre por natureza e saudável. É este irmão (Pacu) que faz a ponte entre Tonho e Clara. É este irmão que confronta o pai castrador. É este irmão que deixa-se imolar, oferecendo-se em sacrifício para colocar fim à vendeta. Quase que repetindo literalmente o episódio de Pátroclo na Ilíada de Homero, Pacu deixa-se confundir com Tonho e é morto em seu lugar, trazendo a liberdade para o irmão. Pacu é o protagonista no mais puro sentido grego da palavra: "o primeiro a morrer". Pacu é o "bode expiatório" que redime os pecados da família. Pacu é em última análise o "cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". O preço a ser pago pela libertação do ego (Tonho) é sempre o mesmo: a morte da criança original. Seguindo o viés trágico que marca todo o enredo do filme, o pai castrador, tal qual Creonte em Antígona, acaba isolado e solitário, cercado por sua própria neurose, destino inevitável de todo tirano opressor.


Sobre o simbolismo

Sobre o filme, José Paulo Bandeira da Silveira escreve: "é admirável encontrar em um filme a construção, tão bem realizada, de um conceito de cultura política. E no filme, o espectador tem a experiência simbólica da sua cultura política. Para o espectador, o filme realiza a inscrição da sua cultura política no espaço simbólico universal. Neste riacho da caminhada, o espectador não é mais um espectador, ele é o sujeito que vive, com os personagens, a experiência da tragédia pós-moderna na superfície da cultura política. Neste plano do filme, o sacrifício não advém do dever, do super-ego; ele não remete o espectador para a esfera do dever da sociedade burocrática, ele é a vontade do ego modelada pelo desejo das criaturas maravilhosas que habitam a narrativa de Abril Despedaçado. No ego, o desejo e o princípio do prazer existem como fenômenos universais que dissolvem a ordem patriarcal; e fazem o espectador esquecer da ordem burocrática. Seria isto também uma alusão ao fim do poder repressivo na contemporaneidade? No Freud moderno, o super-ego é a instância do poder repressivo. Talvez uma das idéias do filme seja a de dar novos usos para o super-ego freudiano em crise. Há uma cena na qual o riso da família - a mãe e os dois filhos - faz o pai tirânico dar gargalhadas incontroláveis. O riso do pai patriarcal não é uma quebra no mecanismo fatal da cultura política do deserto? Ele não pode ser olhado como uma esperança de alteração da fatalidade secular? Na cena, o riso do pai estraga a festa de risos da mãe com os filhos. Tal riso tira o prazer do riso dos outros. A mãe e os filhos param de rir, e o riso tirânico ressoa sozinho no deserto de homens e idéias. Será que para Walter Salles, essa cultura eletrônica - que agencia o desejo e o princípio do prazer em uma escala industrial - é o riso patriarcal capaz de calar a festa da cultura brasileira?".

Ainda há outro simbolismo mais sutil que vale a pena ser explicitado: o fogo. Clara, faz malabarismos com o fogo: ousa tocar a chama e não se queima. Clara acende o fogo dos impulsos do Id e incendeia a alma de Tonho. O fogo do sol escaldante sobre a terra ressequida do deserto, o pai castrador e a mãe omissa, é substituído pelo fogo da paixão, pulsão libertadora: a leveza do trapézio e do corpo flutuante de Clara. Ela é clara e brilhante como a chama. Ela voa livre pelo ar representando a libertação do jugo do superego e da neurose. O fogo transformador que libera a energia presa na matéria. O fogo com consciência clara que ilumina os meandros obscuros do conflito e permite sua resolução.

Quando o velho cego mostra o relógio a Tonho e deixa claro que seus dias estão contados, mostra igualmente seu destino previamente traçado pela maldição familiar, tal qual Tirésias revela a Édipo seu destino maldito e adverte: “a sabedoria nem sempre é de proveito do sábio”. O velho cego diz: “Cada vez que o ponteiro do relógio se move, ele lhe mostra que há um minuto a menos”. Retomando o fio grego, há um rito familiar traçado pelos seus membros que realizam o papel, outrora, dos deuses: zelar pelo cumprimento da moira, destino cego, e inibir qualquer desmedida do herói da vez — como fazem os pais de Tonho quando ele leva Pacu ao circo.


Sobre o simbolismo do círculo Maria Célia Barbosa Reis da Silva e Neyde Lúcia de Freitas Souza escrevem: “Há ainda o círculo que aparece em duas cenas, cada uma delas indicando uma interpretação diferente: a roda de bois que é forçada a manter a mesma direção e produzir os mesmos resultados; e a roda da menina do circo que a eleva às alturas, deixando fluir sonhos e desejos. Essa última roda dura mais, dura um dia inteiro, não quer parar, quer ser eterna. A outra, a dos bois, está esgotada, mostra sinais de fadiga e de fracasso, sinaliza que é tempo de parar, enquanto seu “dono” teima em mantê-la sob controle rigoroso e desprovida de autonomia, embora talvez de antemão já saiba que um dia vai falhar... Daí o nem, da família: Breve. Naquela casa no meio do sertão, não há alegria nem felicidade. Só a mesmice de ações e de comportamentos repetitivos. A casa do sertão é suja, as roupas dos moradores encardidas, o chão barrento, não há tempo para o si mesmo. A vida estancou. Há repetição de gestos, atos e palavras, e nada avança, pelo contrário, o que ocorre é estagnação ou regressão: aos mesmos atos se responde do mesmo modo. Nem a criança, com sua natural espontaneidade, consegue se expandir. Os sonhos do Menino são tolhidos, suas fantasias abafadas, não há permissão para mudar a roda dos bois domados. Quanto ao Tonho, não concorda com a roda da vida que lhe é traçada, mas faz parte dela. E dá asas aos seus desejos, permitindo-se escutá-los, quando se abre para outros mundos, quando encontra alguém tão preso ao destino quanto ele, e aí se reflete no outro. Sua tarja negra cai quando ele está pronto para deixar fluir seu inconsciente, buscar seu próprio destino. Não importa se ele e Clara vão ficar juntos. Provavelmente não ficarão. Importa é que cada um impulsionou o outro para olhar para si mesmo. Agora o que Tonho quer é ir ao encontro do mar, mergulhar em seu inconsciente e dele puxar seu destino. Não há saída, senão pular de uma roda para outra, até achar o equilíbrio. O balanço impulsiona para o equilíbrio, trazendo a possibilidade de olhar a mesma história sob novos ângulos”.

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