01 junho 2006

O Que é Matrix
(Milagres? Que Milagres?)

Por Rui Fragassi
Baseado em "Tales from the Time Loop" de David Icke
Revisão: Bernardo de Gregorio


“O conceito matemático de Matriz [= Matrix, em inglês] consiste em uma ordenação adequada de símbolos [normalmente números] no espaço. Em duas dimensões, essas ordenações são chamadas de 'linhas' [na horizontal] e 'colunas' [na vertical]”.



Somos emanações divinas presentes eternamente no infinito AGORA. Tudo que observamos são nossas criações mentais. Tempo e espaço são conceitos ilusórios que criamos, formando uma prisão, que podemos chamar de 'Matriz'. A única verdade é o Amor Infinito - todo o resto é ilusão. Vamos aos detalhamentos:

1. Hologramas são projeções de energia ou 'luz' que parece, ao observador, ser uma forma de 3 dimensões, mas na realidade são uma série de códigos e padrões de onda que apenas geram a ilusão de 3D quando um laser emite sua luz sobre esses hologramas. Toda a realidade dos 5 sentidos é uma ilusão holográfica que apenas existe de uma forma 'sólida' porque o cérebro/mente humana faz com que se aparente desta forma. O mundo 3D de paisagens, mares, edifícios e corpos humanos, apenas existe nessa forma quando nós olhamos para ele! Se não ele é uma massa de campos vibratórios e códigos. Nos filmes, a Matriz (Matrix) é representada, vista de fora, por uma série de números verdes e códigos, enquanto que do interior ela é vivenciada como o tipo de mundo em que nós pensamos que vivemos - montanhas, ruas, pessoas etc. Esta é uma boa analogia.

2. Nós não enxergamos com os nossos olhos, nós enxergamos com o nosso cérebro! No caminho dos olhos até o córtex visual, região cerebral responsável pela “fabricação” da visão (gnosia visual), os lobos temporais editam e reconstroem até 50% ou mais da informação original que entra através da retina e nós apenas “vemos” o que o cérebro, com todas as suas realidades condicionadas, decide o que ele está vendo.

Em “O Universo Holográfico”, Michael Talbot conta-nos que nos anos ‘70 seu pai contratou um hipnotizador profissional para entreter um grupo de amigos. Um dos escolhidos para ser hipnotizado foi um homem chamado Tom e era a primeira vez que ele encontrava-se com um hipnotizador. O que os hipnotizadores de palco fazem é programar as pessoas para acreditarem que elas estão vendo algo ou fazendo algo que, na verdade, não passa de pura invenção. O hipnotizador fez Tom acreditar que existia uma girafa na sala e mais tarde fez com que comesse uma batata crua acreditando que era uma maçã. Essas são confirmações de que o cérebro vê e experimenta o que ele é programado para acreditar o que ver e experimentar. Mas a parte mais interessante da história veio quando Tom foi trazido de volta para o estado de consciência desperta. Logo antes do hipnotizador terminar o estado de transe formal, ele disse a Tom que quando ele acordasse ele não seria capaz de ver sua filha, Laura. O hipnotizador pediu a Laura para ficar em pé de frente e junto do pai de tal forma que quando ele abrisse os olhos ele estaria olhando no estômago dela. Quando perguntaram a Tom se ele conseguia ver sua filha, ele respondeu que não. Laura se mexeu bastante, mas não deu nenhum resultado. O hipnotizador se colocou atrás de Laura e segurou algo contra as costas de Laura. Para ver esse objeto, Tom teria que ver através de sua filha. O hipnotizador pediu a Tom para dizer o que ele estava segurando em sua mão e, inclinando-se para frente para junto do estômago da filha, ele disse: “um relógio”. Foi-lhe pedido então para ler a inscrição no relógio e ele leu. O hipnotizador confirmou que realmente estava segurando um relógio com a inscrição descrita por Tom. A mente de Tom foi programada para acreditar que ele não poderia ver sua filha e portanto ele não a viu. Além disso, ele pode ver o que estava atrás dela. Como isso é possível? Nós construímos nossa realidade “aqui dentro” e não “lá fora”.

3. Uma afirmação perfeitamente correta é: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Na prática, uma grande parte do que conhecemos é Mentira. Existem entidades (como os manipuladores reptilianos, draconianos, “greys” e seus fantoches, além da própria Matriz que nós mesmos criamos) que nos repassam informações erradas (mentiras!) visando nos escravizar (retirar nossa liberdade) e nos retirar Poder. Uma das mentiras mais enraizadas em nós é o nosso conceito (ilusório) de separação espacial e de tempo.

Comecemos pelo nosso conceito de tempo: com o conceito de tempo estabelecido na superfície de nosso planeta Terra, todos nós podemos praticar um ato posterior ANTES de um ato anterior, basta cruzar de oeste para leste o “meridiano do tempo”, que cruza o Oceano Pacífico exatamente na localização oposta ao meridiano de Greenwich. Desta forma cria-se uma diferença de tempo entre os atos de quase 12 horas! Que absurdo! Nosso conceito de Tempo é uma tremenda ilusão. Passado, presente e futuro: ilusão! Então, como funcionam todas as coisas, sem o conceito de Tempo? Na realidade só existe o infinito e eterno Presente, o AGORA, com todos nossos conceitos de eventos passados e futuros ocorrendo no eterno Agora, em realidades paralelas simultâneas, criadas por nossas mentes. É exatamente por causa disso que videntes conseguem “ver” e “sentir” acontecimentos “passados” e “futuros”: eles estão presentes no Agora! Reencarnação, portanto, não é um processo de vir e sair deste mundo com o passar do tempo: é mover-se para dentro e para fora de diferentes realidades, todas acontecendo simultaneamente.

Ainda não está convencido sobre a ilusão do tempo? Então considere um dos grandes mistérios que é a predição do “futuro”, que muitos estudos já provaram ser possível. Um exemplo nesse sentido é o “teste da cadeira” proposto pelo vidente holandês Gerard Croiset: investigadores iriam identificar eventos em salas espalhadas pelo mundo que não tivessem assentos numerados pré-alocados. As pessoas sentariam onde quisessem quando elas chegassem ao local do evento. O investigador daria a Croiset um assento particular para ser focalizado semanas antes do evento e ele teria que descrever a pessoa que iria sentar lá durante o evento futuro. Durante 25 anos Croiset descreveu os ocupantes dos assentos com enorme precisão. Dra. Jule Eisenbud, professora clínica na Universidade do Colorado, conduziu um desses testes em 1969. Mais de duas semanas antes de um evento em Denver, Colorado, Eisenbud contactou Croiset na Holanda e deu a ele um assento para “ler”. Croiset disse que o homem que iria sentar naquela cadeira tinha cerca de 1.75m de altura e trabalhava na indústria e com ciência. Em seu trabalho, disse Croiset, ele usava um avental de laboratório que estava manchado com um produto químico esverdeado. Ele disse que o homem tinha os cabelos pretos, penteados para trás, uma cicatriz no seu dedão e um dente de ouro na sua mandíbula inferior. 17 dias depois, este mesmo homem sentou no assento e Croiset estava correto em todos os detalhes, inclusive sobre sua altura. Como isso é possível? O homem “depois” na cadeira e o homem “antes”, antes mesmo que ele inclusive soubesse que ele iria àquele evento, não eram eventos que estavam acontecendo separados por várias semanas: eram eventos concomitantes na eternidade. Eles estavam acontecendo simultaneamente. Eram duas realidades mentais distintas, mas acontecendo no Infinito AGORA!!

4. Uma ilusão só pode controlar você quando você pensa que ela é real. Quando nós observamos nossas experiências diárias nós estamos olhando em um espelho de nós mesmos. Portanto, para mudar seu mundo mude a você próprio. Não culpe os outros, pois isso é aceitar que os outros têm poder sobre sua vida e sobre a realidade que você cria.

Não existe nada que não possa ser explicado, uma vez que entendamos que o Amor Infinito (Unicidade) é a única verdade e todo o resto é ilusão e que nós estamos criando a ilusão ou tendo a ilusão programada em nós por acreditar que ela seja real. Lyall Watson, biólogo e autor de “Supernature”, diz ter presenciado uma mulher indonésia chamada Tia, uma xamã, conversando com uma menininha em um pequeno bosque de árvores. Ele olhava a cena de uma curta distância e ela não sabia que ele estava lá observando. Ela pareceu explicar algo à garota e um certo ritual de dança e de gestos começou. Para o espanto de Watson, o pequeno bosque de árvores desapareceu e, após alguns segundos, voltou novamente. "Num momento Tia dançava no bosque sombreado; no seguinte ela ficava em pé sob um sol escaldante", ele disse. “Ela conseguiu 'ligar' e 'desligar' o bosque várias vezes”, com Watson olhando sem acreditar. Isto é impossível? Não, não é. O bosque é uma ilusão holográfica e aqueles que compreendem como o processo funciona podem se desconectar dessa realidade, o sonho de consenso que concorda que o bosque existe. Com Lyall Watson observando esta cena intensamente, foi fácil para ele tornar-se parte do campo de realidade de Tia e também ver o bosque aparecer e desaparecer. Outras pessoas poderiam ter observado isso de uma ilusão de realidade de consenso e o bosque não teria desaparecido para elas. Isto explica porque algumas pessoas podem caminhar através de paredes - elas acreditam que podem e essa torna sua experiência. Elas desconectam suas mentes e corpos das leis da realidade de consenso que insiste que isso é impossível. Quando digo "acreditar", isto é um nível de crença muito além de qualquer pessoa que apenas diz “eu acredito”. Não é crença, é um conhecimento, um ser. Existe um velho ditado que diz que nós podemos “mover montanhas”. Isto não tem um significado literal? Por que não? Se um bosque pode desaparecer, porque não uma montanha? A montanha é uma ilusão holográfica e nossa mente controla a ilusão. Por que nós não movemos montanhas? Nós podemos, mas nós não fazemos, porque nós não sabemos que nós podemos. A realidade de consenso, programada, diz que a própria idéia é ridícula e se acatamos essa realidade, assim é. Porém se criarmos uma outra realidade que diz o oposto, moveremos montanhas!

5. As “leis” do mundo dos 5 sentidos podem apenas ser aquilo que nóspensamos que elas são, e enquanto aceitarmos elas como real nós estaremossujeitos às suas limitações. Da mesma forma, se nós pudermos livrar nossasmentes dessas realidades, nós não estaremos mais sujeitos às suas “leis” elimitações. Isto é o que chamamos “milagres”. Quase todos já leram sobrefeitos inexplicáveis como caminhar no fogo sem se queimar, ter espadasatravessadas através do corpo sem se machucar ou deixar cicatriz, levitação emuitas outras coisas. Nenhum desses fenômenos é possível para a ciênciamaterialista convencional, mas isso é simplesmente porque a ciênciaconvencional é o conhecimento equivalente a um filme do Mickey Mouse. DavidIcke conheceu uma mulher que separou um quarto de sua casa para ser usadopor meditadores sérios, meditadores que queriam meditar por longos períodossem serem perturbados. Um cara entrou e não apareceu por muitos dias e elaficou curiosa para saber se ele estava bem. Ela pegou um copo de chá para elee abriu a porta devagarinho. No momento seguinte o copo se espatifou no chãoporque quando ela olhou para ele, a metade de baixo de seu corpo estavainvisível. Impossível? É possível sim e perfeitamente explicável. Em 1905,o paranormal Indridi Indridason fazia parte de um projeto de cientistaseminentes da Islândia no terreno do “paranormal”. Quando ele entrava emtranse profundo os cientistas viam diferentes partes de seu corpodesaparecer e reaparecer. Tudo é possível, literalmente tudo, porque nóssomos infinitas possibilidades. David Icke também conta que uma mulher doTexas lhe contou que um dia, pela manhã, ela acordou próximo do marido eencontro-o flutuando a cerca de 1,80m acima da cama, ainda dormindo...

O Dr. William Tufts Brigham, o curador do Bishop Museum de Honolulu, eraum investigador perspicaz do “paranormal” e seus estudos envolveram os”milagres” feitos por xamãs havaianos, ou kahunas. Ele testemunhou uma delascurar um homem que tinha quebrado a perna tão forte que pedaços do ossoestavam atravessando a pele. A mulher kahuna “orou” (pensamento concentrado)e meditou ao lado do homem e esticou sua perna, empurrando os ossosquebrados. Após alguns minutos ela disse que a cura estava completa e ohomem se levantou e saiu andando sem nenhum sinal de seu severo machucado de minutos atrás. Isto é possível porque, na realidade, não existe osso -isso também é uma ilusão...

6. Um pouquinho sobre o “carma”: a crença na realidade sólida materialista é fundamental na ciência oficial, assim como a necessidade de que tudo seja provado através de experimentos que possam ser repetidos. Cientistas que sugerem explicações alternativas são jogados no ostracismo ou sabotados, para se defender a “sabedoria” existente. Fundamental para perdermos de vista nossa unidade infinita é a política oficial da ciência não-alternativa que apresenta o mundo como partes desconectadas e isto está refletido na própria estrutura da ciência, com suas especialidades compartimentalizadas, que raramente conversam entre si. Mas, quando as crenças dos cientistas estão afetando os resultados dos experimentos, como a física quântica está cansada de mostrar, de que valia é este dogma? Uma partícula subatômica chamada ”anomalon” foi verificada ter propriedades diferentes em diferentes laboratórios, o que é equivalente a ter um carro que muda de cor e outras características dependendo de quem o está dirigindo. As “leis” da Ciência apenas se aplicam porque oscientistas acreditam que sim e, graças ao estado divinizado da Ciência: oque ela decide que é “real” torna-se a realidade de consenso. Mas tudo é uma ilusão. Tome, por exemplo, a lei básica da Ciência conhecida como “Lei de Causa e Efeito”, o fundamento da chamada “Lei do Carma”. Para cada ação tem que existir uma reação. Isto é verdade - mas apenas se você acredita que é. Se você acredita que não é verdade então ela não é! As pessoas possuem carma apenas porque elas acreditam que elas o possuem em suas mentes individuais e coletiva. William Tiller, físico da Stanford University, escreve: "quando chegamos nas fronteiras de nossa compreensão, podemos de fato deslocar as leis de tal forma que nós estamos criando a física enquanto caminhamos". Não existem “leis”, apenas possibilidades infinitas. Que é realidade? O que você pensa que é? Então isso é o que é.

Místicos têm comunicado idas a “Salas de Saber” em seus mundosnão-físicos e relatado que a Terra é uma “universidade” espiritual onde aspessoas vêm para aprender algumas duras lições e trabalhar seus carmas.Isto é uma total ilusão! "Você acha que o Infinito tem que ir paraescola aprender algo quando ele sabe tudo que existe para saber?". Sobre ocarma, a idéia que você experimenta aquilo que você fez os outrosexperimentar, pode-se perguntar: "Por que teria o Infinito de experimentaraquilo que ele mesmo fez experimentar?". A idéia do carma é uma manipulaçãoda Matriz para embasar a crença na passagem do “tempo” - é o meu carmade uma vida passada ou eu estou gerando carma para meu futuro - e paramanter as pessoas em um estado de culpa e de auto-condenação. "Amor Infinitonão julga a si ou pune a si mesmo - estas são ilusões da desconexão".

Estas áreas do conhecimento são muito mais subversivas para o sistemado que simplesmente expor a rede de sociedades secretas ou a agenda globalporque elas oferecem meios que nós podemos pensar de excluir a agenda e seusvalores fascistas de nossa existência e pensar e trazer uma nova realidadeem existência. Esta é a transição da prisão para o paraíso. Como todarealidade, a transição tem que acontecer primeiro na mente - ou, maisacertadamente, no coração - e apenas então pode ser experienciada no mundo”físico” como holograma manifesto. Rejeitar a realidade de consenso e criara nossa própria é a transformação. É como o conto de Andersen “A Roupa Nova Do Rei”. A realidade de consenso era que ele estava vestindo roupas novaslindas, porque a multidão não queria admitir que ele estava nu. Foi preciso queuma criança gritasse "o rei está nu" para quebrar o encanto e propagar o óbvio.

7. Acredito que todos tenham já ouvido falar do Conde Drácula, não? É uma ficção, porém baseada em fatos reais, que estão ocorrendo agora na nossa aristrocracia/realeza (Drácula > Draco > Draconianos = linha reptiliana “real”). Primeiramente, uma introdução: há uma técnica de controle mental chamada de Distúrbio de Múltiplas Personalidades (MPD, em inglês). Isto ocorre quando a mente é fraturada, através de trauma e programação, em uma série de aparentes “personalidades” ou “personagens”, cada um com diferentes atitudes, crenças e, até, diferentes “idades” ou “sexos”. David Icke testemunhou um caso (na sala de um terapeuta) de uma mulher de 30 anos que manifestou sete distintas “personalidades” em meia hora de sessão, incluindo uma de bebê. Cada personalidade tinha seu próprio nome, antecedentes e características, e cada uma foi trazida à tona, em seqüência, pelo terapeuta pelo uso de palavras corretas de acionamento e por códigos. Quando uma personalidade era comutada para outra, a face da mulher mudava, inclusive a cor dos olhos e características da pele (cicatrizes podem desaparecer quando uma personagem substitui outra como a mente consciente). A pessoa pode estar doente, em um modo, e perfeitamente saudável no outro. Mulheres com MPD podem ter diferentes ritmos menstruais com cada personalidade, e parecerem mais velhas ou mais jovens. Agora, como é o outro termo para essa transformação instantânea das feições da face e do corpo? Mudança de forma (“shape-shifting”, em inglês). Esta é uma das características do Drácula: mudança de forma, assim como os humanos reptilianos. Drácula é um vampiro, assim como os humanos draco-reptilianos, que bebem sangue humano comum, alimentando-se da energia humana. A linha dos manipuladores está seriamente envolvida em sacrifícios humanos e em rituais de beber sangue em toda a nossa história. Os registros sumérios revelam que os Anunnakis, deuses da Antiga Suméria que igualmente apreciavam o derramamento de sangue humano, eram uma raça reptiliana.

8. Quando os místicos meditam, antes de executarem um “milagre”, eles estão se desconectando da realidade de consenso, a mente coletiva, que diz que o “milagre” é impossível. O que não vemos, nós inventamos: nossos olhos possuem um ponto cego, onde o nervo óptico se conecta ao olho, no meio da retina. Qualquer que seja o objeto que olharmos, nós não podemos ver nada que incide naquela parte do olho, mas o cérebro constrói a cena completa usando a informação disponível e, portanto, preenche o “buraco” usando para tal as imagens vindas do outro olho ou recolhidas na memória. Realidade é apenas aquilo que nós fomos programados a acreditar que é. Vemos apenas o que estamos condicionados a ver e editamos (eliminamos) tudo o que contradiz esse condicionamento.

Implantar crenças é tudo o que os manipuladores desejam, pois é através da crença que nós manifestamos nossa realidade. Geralmente, a crença cria a Polarização; polarização = divisão e conflito, divisão e conflito = dividir e dominar. Eles desejam crenças rígidas e em conflito, por esta razão; eles não se importam muito com o que você acredita piamente, contanto que você acredite piamente em algo, porque assim eles podem jogar você contra os outros que acreditam piamente no (aparente) oposto.

Albert Einstein disse: ”nós precisamos lembrar que nós não observamos a natureza como ela existe realmente, mas a natureza exposta aos nossos métodos de percepção. As teorias determinam o que nós podemos ou não podemos observar”. O que nós pensamos que vemos como edifício, pessoas, florestas e lagos são, na realidade, ilusões holográficas tridimensionais conjuradas nessa realidade por nossas próprias mentes. As sessões de hipnose exemplificam bem esta situação.

O que é “livre arbítrio”? A mente consciente não é aquela que, no final, está no controle dos eventos, exceto na forma que ela decodifica os padrões holográficos 3D de acordo com o seu senso de realidade. O Inconsciente é a fonte principal de resposta humana e de comportamento, e não a consciência que pensa que está tomando as decisões. Experimentos revelaram que os sinais no cérebro, necessários para mover um braço, abrir a boca ou executar qualquer ação física, começa um segundo e meio antes da mente consciente tomar a “decisão” correspondente.

A Matriz foi criada pelo Inconsciente Coletivo, e a mente consciente foi aprisionada pelas ilusões assim criadas. A Matriz tomou vida própria quando ela acessou uma fonte de energia própria: o medo gerado pelas mentes consciente e Inconsciente aprisionadas em uma ilusão que acreditam ser “real”. Este medo auto-percebido, a Matriz, então aprisiona também o Inconsciente Coletivo na ilusão. É o Inconsciente que os manipuladores visam controlar. Estamos condicionados a ver o que nos é dito para ver, pelas normas da sociedade. A hipnose nos vem de inúmeras formas:na infância estamos sujeitos à programação de nossos pais, que instilam suas próprias realidades sobre nós. Isso se compõe, em seguida, com a educação que recebemos na escola. Educação não está envolvida com o desenvolvimento da auto-percepção, ela meramente prepara os jovens para os trabalhos que servem ao sistema. A educação verdadeira seria desaprender a doutrinação incutida pela “educação” oficial. O hipnotizador residente encontra-se no canto da sala: “mamãe, onde eu aprendo o significado da vida?”. “Oh, cale a boca e veja TV”. “OK, mamãe...”.

9. Fatos incomuns podem acontecer quando as pessoas manifestamilusões diferentes e sonhos diferentes. Quantas vezes temos sonhos nos quaisparticipamos de eventos que iriam nos matar ou machucar, mas isso nãoacontece? Da mesma forma, ser for sua realidade que o fogo não pode queimarseu pé, então ele não pode. Por que? Porque seus pés não existem mais do queo fogo! Como pode uma ilusão queimar uma ilusão, a não ser que acreditemosque ela possa e manifestemos essa realidade: a ilusão da queimadura e a da dor? Quando sentimos dor, é no cérebro que a sentimos e não no dedão que chutou a perna da mesa. O cérebro manifesta a dor pela mensagem que ele recebe e o cérebro condicionado sente dor apenas porque ele pensa que deve sentir. Isto é o que o programa de computador diz e isso é o que ele entrega como resultado.Quando você muda o programa, você obtém uma realidade diferente: sem queimadura e sem dor.

“Milagres” são apenas saídas da realidade de consenso para onde suas”leis” ilusórias não mais se aplicam. Como pode o seu corpo queimar quandovocê sabe que ele é apenas uma ilusão holográfica de sua mente? Como podeuma ilusão holográfica ser prejudicada por uma espada ou uma bala, que étambém apenas uma ilusão holográfica? Resposta: apenas quando você acreditaque isso é possível! O homem que “perdeu” metade do seu corpo quando meditava foi para um tal estado de consciência (sua realidade) que seu corpoholográfico começou a segui-lo. Fazendo isso, ele começou a desaparecer,retirando-se desta realidade.

Quanto à levitação e outros fenômenos ditos “paranormais” (paranormaispara a realidade de consenso), o princípio é o mesmo. "Quando você levita,não é você que vai 'para cima', é o seu 'mundo' que vai 'para baixo'." Masnão é a levitação a arte de sobrepujar a gravidade? Apenas se você pensa queé, porque a gravidade é outra ilusão. Se nós não acreditarmos nela, nós nãoiremos estar sujeitos às suas leis. Não existem leis a não ser que nósacreditemos que elas existam. Amor infinito é a única verdade, tudo o mais éilusão. Pessoas têm levantado carros para salvar seus filhos: suas mentes emestado emocional altamente concentrado mudam as realidades e não ficammais sujeitas às “leis” desta realidade que conhecemos. Todos conhecem fatossemelhantes a este.

Muitos tentam fazer esses aparentes “milagres” com a chamada “iluminação” ou “avanço espiritual”, o que pode vir ser uma armadilha. Você não é um “deus vivo na Terra” por conseguir fazer esses truques que vêm do conhecimento de como nós criamos a realidade: os manipuladores estão usando essas técnicas o tempo todo. Essas habilidades podem ser usadas (e o são) por aqueles que desejamexpor a ilusão e ajudar as pessoas a despertarem dela. Mas não precisa serassim: isso é apenas um conhecimento e você pode usá-lo da forma que desejar...

10. No laboratório podemos gerar um holograma a partir de um feixe deluz emitido por um laser. Divide-se esse feixe em dois feixes: um vaidiretamente à chapa fotográfica e, o outro vai para essa mesma chapafotográfica após ser refletido pelo objeto a ser fotografado. Parareproduzir a foto do objeto, em 3 dimensões, usa-se o mesmo laser parailuminar o holograma gerado na etapa anterior. Uma das características espantosas do holograma é que cada parte contémo todo: se você cortar o filme holográfico em quatro partes e incidir olaser em cada um desses pedaços, eles não irão revelar quatro partes da cenafotografada, mas cada pedaço irá mostrar um versão menor de toda a cena. Vocêpode cortar a chapa em quantos pedaços quiser e eles sempre irão projetar amesma imagem inteira (completa), quando o laser os iluminam. É exatamente porque o corpo humano é um holograma que cada célula contém toda a informação necessária para “crescer” um corpo inteiro. Portanto, pode-seclonar pessoas e animais a partir de uma única célula, usando-se sua informação genética contida no DNA (ácido desoxiribonuclêico).

A Medicina convencional tende a rejeitar alternativas como a Acupuntura, a Homeopatia, a Reflexologia, as Medicinas Tradicionais Xamânicas, etc. Mas se ela não estivesse tão “hipnotizada” pelo cartel farmacêutico dos manipuladores, ela iria perceber que o corpo é um holograma e a base de tais terapias alternativas não poderia ser mais simples. A Reflexologia, por exemplo, baseia-se no entendimento de que diferentes partes do corpo (pés, mãos e orelhas) são espelhos de todo os órgãos e quando se trabalha sobre estas imagens refletidas, atua-se sobre o órgão da mesma forma. A mesma coisa acontece com a Iridologia: todos os órgãos do corpo estampados na íris dos olhos. Isto é perfeitamente lógico, já que o corpo é um holograma e cada parte do holograma contém a imagem do todo: cada célula contém o todo. A Acupuntura baseia-se nos sub-sistemas holográficos do corpo, assim como a Kiromancia, porque a mão contém informação de todo o corpo. O corpo holográfico é uma expressão do holograma que é o universo e o cosmos, assim como cada parte do corpo ( o Micro-Cosmos repete o Macro-Cosmos).

O cérebro não é a alma, o cérebro é um computador usado pela mente eportanto os cientistas nunca conseguiram localizar onde, no cérebro,encontra-se a alma. Eles nunca irão encontrar, porque a alma não está lá.Nós não pensamos com o cérebro, mas através do cérebro, na nossa realidadedos 5 sentidos. A ciência oficial também não localizou a área do cérebro quecontém a memória, porque a memória, o “disco rígido do computador” estáespalhada por todo o cérebro, já que o cérebro é um holograma e cada partecontém o todo. Pessoas já tiveram boa parte do cérebro removidas, por causade tumores e surpreendentemente não perderam certas memórias específicas. O holograma tem uma enorme capacidade de armazenar informação: pode-searmazenar muitas cenas em um mesmo filme holográfico, por exemplo, emudando-se o ângulo de incidência da luz do laser, escolher qual a cena quese quer ver. Nossa memória funciona de forma semelhante: possuímos memóriafotográfica holográfica. Pessoas podem “ler” objetos, como relógios e jóias,e tirar deles informações detalhadas de suas histórias e dos donos, porqueos objetos são hologramas que registram essas informações. Os hologramas denosso corpo armazenam a memória de todos nossos sentidos. Quando, porexemplo, cheiramos algo isso pode acionar uma memória tão poderosa comoquando vemos ou escutamos algo que nos lembra uma certa experiência. Amemória holográfica estende-se além do cérebro para todo o corpoholográfico. O holograma do corpo contém a memória do holograma do cosmos eassim por diante. Tudo está conectado com tudo. Tudo É tudo. A Matriz nãopode dividir o todo em partes porque a Unicidade é sempre a Unicidade, mas aMatriz pode dar a ilusão de divisão e de polaridade, e isso é o que ela faz,manipulando nosso sentido de realidade. Divisão e polaridade são ilusões,porque tudo é Um.

11. Vejamos algumas informações sobre nossos sentidos holográficos. Todos os nossos 5 sentidos são holográficos e estão localizados por todo o corpo-holograma. Sim, até a nossa visão. É claro que não precisamos de olhos para ver, quando analisamos os inúmeros relatos daqueles que passaram pelos fenômenos de experiência “fora-do-corpo” e de “quase-morte”. Eles se desprendem de seus corpos e de seus olhos físicos, mas eles continuam a ver. Isto é possível porque a mente não vê, apenas decodifica padrões de freqüência em ilusões holográficas que ela pensa que vê (gnosia visual). É uma realidade virtual e você não precisa de olhos para ver aquilo que sua mente está pensando, porque isso tudo está acontecendo “aqui dentro” e não “lá fora”. Se algo pode decodificar freqüências em hologramas, este algo pode “ver”. Como todas as consciências podem fazer isto, tudo pode ver e cada parte do corpo holográfico possui “olhos”. Portanto, podemos ver através de qualquer parte do corpo, já que o corpo é um holograma. Experimentos mostram que ratos continuam a ver perfeitamente com 90 % do córtex visual do cérebro removido e gatos continuam a ver após 98 % de seus nervos ópticos deixarem de funcionar. Muitos experimentos mostraram que certas pessoas podem ver e ler através das mãos, com seus olhos vendados. As mãos e todas as outras partes do corpo podem enviar mensagens ao córtex visual no cérebro, de onde nós “vemos”. De fato, não precisamos, inclusive, de cérebro para ver, isto é mais um nível da ilusão. Por acaso o Infinito precisa de olhos e de um cérebro para ver??

Paul Bach-y-Rita, um neurocientista e médico na Universidade de Wisconsin em Madison, Estados Unidos, diz: “você não vê com os olhos. Você vê com o cérebro (indo mais além: você vê com a mente). Quando uma imagem atinge a retina do olho, ela torna-se pulsos nervosos sem diferença daqueles que vêm do dedão do pé”. Informação entra nos olhos como um padrão de freqüências e o cérebro o transforma em uma imagem 3D. Como cada parte do holograma contém o todo, cada parte do corpo - a mão, o pé, o joelho - tem a capacidade de passar padrões de freqüências para o cérebro, que os transformam em hologramas que nós podemos “ver”. Isto significa que as pessoas realmente possuem “olhos nas costas”, como se diz. Já ouvi falar de pessoas que conseguem ver em 360 graus quando elas entram em estados alterados de consciência, que fazem com que elas se sintonizem a esses sentidos, retirando o foco da realidade de consenso dos 5 sentidos. Tudo perfeitamente explicável de uma perspectiva holográfica. A revista Life reportou que uma russa chamada Rosa Kuleshova podia ler com a ponta dos seus dedos e outros podiam fazer o mesmo com outras partes de seus corpos, como nariz e orelha. David Eisenberg, da Harvard Medical School, comenta que duas irmãzinhas chinezas podiam ler com suas axilas!

Paul Bach-y-Rita e outros descobriram que nós podemos ver através da língua. Eles desenvolveram um dispositivo para estimular a habilidade da língua para perceber imagens e isto tem permitido a pessoas cegas recuperarem a visão. Um relatório diz: “a língua, um órgão do paladar e do tato, pode parecer um substituto improvável dos olhos. Afinal, ela está normalmente escondida dentro da boca, insensível à luz, e não conectada aos nervos ópticos. Porém, um volume crescente de pesquisas indica que a língua pode ser o segundo melhor lugar do corpo para receber informação visual do mundo e transmiti-la para o cérebro”. Pesquisas anteriores têm usado a pele como uma rota para as imagens que chegam ao sistema nervoso. Pessoas conseguem decodificar pulsos nervosos como informação visual que vêm de outras fontes, que não os olhos, mostrando quão adaptável e plástico é o cérebro. A maioria das pessoas não acessa estas habilidades inatas porque elas não sabem que elas as possuem e elas não acreditam que elas as possuem. Nós somos o que nós pensamos que somos e nós conseguimos fazer aquilo que nós acreditamos que nós podemos fazer. Cada parte do holograma possui os sentidos do todo e é consciente. No livro “O Universo Holográfico”, Michael Talbot conta que ele estava tendo um problema com o baço e ele estava usando visualização para tratar o problema, usando sua mente para rebalancear o holograma constituído pelo baço. Uma noite ele ficou frustrado com o processo e, na privacidade de seus próprios pensamentos, deu a seu baço uma reprimenda por não responder com suficiente rapidez. Alguns dias depois ele foi consultar uma vidente sobre sua saúde e ela identificou o problema no baço e, então, parou, parecendo confusa, antes de dizer: “seu baço está muito perturbado com algo. Por acaso você tem gritado com o seu baço?”. Ela disse que o baço ficou doente porque ele pensou que isso era o que Talbot queria. Ele tinha dado mensagens erradas, ela disse, e agora o baço estava confuso. “Nunca, nunca fique com raiva do seu corpo ou com seus orgãos internos”, ela disse, “apenas envie mensagens positivas para eles”.

12. A Matriz doa manipuladores procura construir uma realidade de consenso na qual a mente humana coletiva, o inconsciente coletivo de Jung, aceita a “verdade” prevalente que ela está programada para acreditar. Quanto mais isso acontece, mais poderosos são os padrões de pensamento que mantêm a realidade manipulada coesa e mais densos os hologramas irão parecer. Nós estamos nos hipnotizando mutuamente através da aceitação e imposição das normas, que leva a compartilharmos das mesmas ilusões básicas. O objetivo é solidificar a ilusão de consenso ainda mais, removendo os desafiantes e as alternativas a ela.

A realidade da Matriz está construída com pensamentos ilusórios altamente desbalanceados (medos) que produzem padrões vibratórios de baixa freqüência. Aqueles presos à ilusão da Matriz ressoam nesses padrões e quanto mais preso você está, mais devagar será sua vibração. Cria-se um círculo vicioso com ambos, a prisão e os prisioneiros, contribuindo para a sobrevivência da Matriz. Até que esses padrões de freqüência sejam desafiados por aqueles que vibram na Unicidade e na harmonia, a Matriz irá prevalecer, já que medo e desarmonia são a Matriz. A analogia mecânica desse fenômeno pode ser observada, por exemplo, quando colocamos dois violinos próximos um do outro: ao acionarmos uma corda em um dos violinos, a mesma corda do outro violino irá começar a vibrar, no que é chamada de ressonância simpatética.

Quando temos um pensamento, nós estamos enviando ondas de som em freqüências que os 5 sentidos não podem ouvir (infrasom) e este som ressoa um padrão espacial de freqüência. Mude o som - o pensamento, a realidade - e o mundo muda. Parece que esses campos de pensamento formam vórtices, como redemoinhos em uma pia, que podem tornar-se fixos e rígidos, correspondendo a opiniões fixas, pontos de vista imutáveis e senso rígido da realidade, que resistem a mudanças.

O que acontece quando uma pessoa desafia o sistema e oferece uma outra realidade? Ela é ridicularizada, condenada, despedida, marginalizada, atacada financeiramente, aprisionada ou, mesmo, morta. O que está realmente acontecendo em um nível vibracional? É a expressão dos 5 sentidos do padrão de energia da Matriz que está forçando a corda vibrante desajustada a entrar na linha. Podemos ver as conseqüências em tais rebeldes sendo atacados de várias formas, pois para a Matriz eles representam um tom de freqüência diferente que precisa ser jogado de volta para a linha vibracional prevalente da Matriz. É comum vermos políticos que começam desafiando o sistema e, depois, tornam-se advogados dele.

Não podemos acabar com a prisão da Matriz reagindo “lá fora” com armas, bombas, raiva e ódio, porque isso irá tornar a freqüência da Matriz ainda mais forte, contribuindo para o seu padrão de desarmonia. A solução encontra-se “aqui dentro”, mudando os nossos padrões próprios de vibração e nos conectando com a Unicidade, a harmonia e o amor. Se mudarmos a nós mesmos, nós mudamos o nosso mundo, nossa realidade. A Matriz é uma construção vibracional e para remover seu controle temos que romper o poder vibracional que ela tem sobre nós. Na realidade, a maior parte desse 'poder' é simplesmente nossa ignorância de que tal controle existe.

Nós estamos criando o nosso próprio universo, um único para nós. Quanto mais você redefine sua realidade, com relação ao consenso, mais você irá se destacar da multidão e ser um prego acima do resto. A razão dos manipuladores procurarem martelarem essas pessoas de volta para o conjunto dos outros pregos bem enfiados em uma base de madeira é que elas ameaçam sabotar a própria realidade de consenso da qual a Matriz depende. Essas pessoas mostram que existe mais de uma realidade possível. Os visionários são pessoas perigosas para os manipuladores e eles desejam se ver livres delas. Uma pessoa independente é um demônio para um manipulador da realidade de consenso!

Quando nos for dito para fazer ou acreditar em algo, pergunte: “quem decidiu isso?”, “por que devo fazer ou acreditar nisso?”. Eu sou o Um Infinito, não TENHO que fazer ou acreditar em nada que eu não queira. Melhor, nem faça essas perguntas...

13. Que momento excitante para estar aqui nesta ilusão dos 5 sentidos! Nós estamos voltando para casa, apesar de nunca termos partido! Apenas nos enganamos que tínhamos partido! A gargalhada é muito importante nisto tudo. Não existem lágrimas no “céu”; nem sofrimento no Um. O que podemos fazer, a não ser gargalhar? Aqui estamos correndo em torno de um laço no tempo, como um rato em sua roda giratória, acreditando em um tempo que não existe. Quanto mais rápido nos movemos para frente, mais rápido nós vamos para trás, quando, na verdade, nunca vamos a lugar nenhum. Que gozação! Nossos corpos apenas “morrem” porque nós pensamos que eles morrem. Nós apenas sentimos dor e ficamos doentes porque nós pensamos que isso ocorre. Nós ficamos velhos porque nós pensamos que nós ficamos. Nós batemos a cabeça contra uma parede sólida que não pode ser sólida; nós chutamos nosso dedão na perna da mesa, apesar da mesa ser uma ilusão, assim como o dedão. Nós temos medo do futuro, apesar de não existir futuro. Nós lamentamos o passado, quando não existe passado. Nós temos medo do desconhecido apesar de termos o conhecimento de Tudo que existe. Um sábio chinês disse: "finalmente, no fim quando tudo está terminado e todas as questões foram respondidas, não existe mais nada a fazer a não ser sentar e dar uma ótima gargalhada".

Você quer dizer que a Lua não é real? Não é. E que tal o Sol? Também não é? Mas eu estou caminhando sobre a Terra, certo? Não, você está de pé sobre sua mente. OK, te vejo amanhã? Não existe amanhã. Está acontecendo agora, exatamente como ontem. Que hora são? Aquela que você pensa que é. Você está brincando, certo? Está me tirando um sarro? Não, é verdade, honestamente. Isso é realmente verdade? Sim, se você pensa que é! Somos uma Unicidade Infinita. Nós não podemos morrer e nós somos aquilo que escolhemos ser por toda a eternidade. O que acontece, nós fazemos acontecer e temos o poder infinito para mudar.

16 maio 2006




"Depreende-se que o Ser Imortal Humano encontra-se numa ação humana livre, o que faz ver que a Ciência Natural tem toda a razão quando versa sobre ações não propriamente livres, resumindo-se assim a não ter como objetivo se seu estudo a Ser Imortal Humano. Porém cada qual não conhece propriamente este Ser Imortal, não consegue penetrá-lo, não tem conhecimento do que de suas profundezas advém nem das noções morais que dele emanam. A vontade humana não é livre no nível instintivo, mas traz em si a possibilidade de realização da liberdade. O Ser Humano é um ser que se liberta mais e mais e na liberdade mais e mais se esforça, quanto mais nela se envolve e quanto mais seu cerne individual nele próprio vive. Somos livres porque somos imortais, assim como temos em nós nossa porção Individual do Ser, com o qual tornamo-nos imortais".


Rudolf Steiner
Berlin, 20 de Abril de 1918


O Ser Humano é uma ponte
Entre o passado
E o Ser do Futuro;
O presente é um piscar de olhos,
Como uma ponte.

A alma é o Espírito transmutado
Em seu cerne interior:
Eis o passado.

O Espírito é a alma em transformação
Em seu germe ressonante:
Eis o futuro.

Enreda o futuro
Através do passado.
Espera o porvir
A partir do que se foi.

Assim atinge o Ser
Em tua Essência;
Assim alcança o que se foi
Em teu âmago.


Rudolf Steiner
24 de Dezembro de 1920

14 maio 2006

Abril Despedaçado

"Um filme lírico e dramático, admiravelmente filmado no nordeste brasileiro.

Os atores vivem seus papéis com intensidade. A direção é soberba.."

Variety


Título Original: Abril Despedaçado
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2001
Estúdio: Video Filmes / Haut et Court / Bac Films / Dan Valley Film AG
Distribuição: Miramax Films / Columbia TriStar do Brasil
Direção: Walter Salles
Roteiro: Walter Salles, Sérgio Machado e Karim Aïnouz
Baseado em livro de Ismail Kadará
Produção: Arthur CohnMúsica: Antônio Pinto
Fotografia: Walter Carvalho
Desenho de Produção: Marcelo Torres
Direção de Arte: Cássio Amarante
Figurino: Cao Albuquerque
Edição: Isabelle Rathery
Rita Assemany (Mãe)
Ravi Ramos Lacerda (Pacu)
Flávia Marco Antônio (Clara)
Everaldo Pontes (Velho cego)
Abril Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. A adaptação para o cinema foi realizada por Walter Salles, Sérgio Machado e Karim Aïnouz, e as filmagens aconteceram entre agosto e setembro de 2000 nas cidades de Bom Sossego, Caetité e Rio de Contas, interior da Bahia.

Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois : os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho...

No filme há então um pai castrador e autoritário que comanda a família numa rota auto-destrutiva, pois há uma vendeta de sangue, há vingança da vingança da vingança. A questão aqui é: Tonho segue a vendeta familiar e aceita a própria morte ou abandona a tragédia familiar e segue rumo à liberdade?

A cobrança de sangue no Brasil
Escrito na década de 40, o livro Lutas de Família no Brasil, de Luiz Aguiar Costa Pinto, nos permite entender como os conflitos que aconteceram no nosso país se aproximam - ou se distanciam - daqueles vividos na Albânia de Kadaré. Baseado na análise dos confrontos entre as famílias Pires e os Camargos, em São Paulo, e entre os Feitosas e os Montes, no Ceará, o livro prova que a vingança, no Brasil, se dá na ausência do estado regulador.

É algo que surge de forma natural, espontânea, e que só deixa de existir quando surge um poder mais forte e regulador. Essas pesquisas foram determinantes no desenho dos personagens do pai e da mãe da família Breves. Determinantes, também, na definição da classe social a que pertencem. Os Breves são latifundiários ligados à monocultura da cana de açúcar, que entraram em decadência depois do fim da escravidão, no final do século 19. Os seus rivais, os Ferreiras são latifundiários em expansão - criadores de gado.

Abaixo, alguns códigos estabelecidos por estas famílias na tentativa de regular as cobranças do sangue, num trabalho de condensação realizado por Sérgio Machado a partir do livro Lutas de Família no Brasil.

"A vingança é um dever irrestrito e indiscutível, de cuja obrigatoriedade não se pode fugir, sob pena de banição. Neste caso, a desgraça não é só individual, mas da família inteira".

"Lutar pela família é lutar pela própria sobrevivência. Fugir disto seria infringir a regra, ir de encontro ao costume, ameaçar a própria existência e o equilíbrio social".

"A hipertrofia do poder familiar e a fraqueza do poder público determinam o problema das vinganças privadas no Brasil".

"O dever de vingança cabe naturalmente ao parente mais próximo da vítima".

"Se o mais próximo dos parentes não cumprir o dever, o ressentimento do defunto se voltará contra ele".


Sobre o papel da mãe

"É de decisiva importância o papel das mulheres nessa conjuntura. É sempre raro que a vingança se desencadeie sobre uma mulher, e esta, também, só raramente leva a efeito uma represália em nome da solidariedade ativa da família."

"Em manter e estimular o ódio, (...), mantendo aceso o espírito da vindita, é ao que se reserva a função das mulheres nas lutas de família."

"Se no momento em que a violência deve desencadear-se não existirem adultos para exercer a represália, às mulheres e aos anciãos vai caber a tarefa de excitar os mais jovens a exercê-la um dia, alimentando o seu espírito de vindita."

"As mulheres usam de todos os recursos para estimular a luta e transformar a família de comunidade em comunhão. Se a vingança é de sangue, expõe as vestes ensangüentadas do defunto; vivem de luto permanente, não vão à rua, lamentam noite e dia o morto, lembrando e exagerando suas boas qualidades, excitando saudades, remorsos e desejos de vindita."

Sobre a trajetória da personagem central


A idéia de ser jurado de morte em decorrência do mando paterno simboliza o complexo de castração e a auto-anulação que a figura paterna impõe. Deste ponto de vista, tanto o pai de Tonho, quanto o pai da outra família representam este "pai universal", devorador, anulador e castrador. A mãe é uma pessoa totalmente dominada e omissa, não conseguindo exercer seu papel protetor contra esta figura paterna totipotente. Sendo assim, há a necessidade de ser introduzida outra figura femina no enredo: Clara, uma jovem circense que aparece na fazenda. Esta jovem atua como esta figura materna protetora que simplesmente não aceita a proposta de auto-anulação imposta pelo pai. Ela é mãe protetora e ao mesmo tempo mulher sensual e envolvente, conseguindo configurar a triangulação edípica que a mãe original não foi capaz de criar.


Porém, a questão não é tão simples: esta figura feminina mãe-esposa, traz consigo sua própria figura paterna e outro triângulo se forma. Se por um lado Tonho conseguiu romper com o mando do pai, ainda que interinamente, e correr ao encontro da mãe libertadora (Clara), jovem encantadora e ao mesmo tempo sábia, agora irá confrontar-se com uma nova figura paterna que não nos deixa claro qual sua posição em relação a Clara: amante? Padrinho? Tutor? Guardião? Obstáculo? O fato é que seja esta figura paterna positiva ou não, este homem, Salustiano, indubitavelmente não compactua com a vendeta, com seus códigos e com o curso auto-destrutivo de Tonho e de sua família. Contraponto perfeito para a figura feminina potente que aponta rumo à liberdade.

Neste ponto a encantadora personagem do irmão mais novo torna-se fundamenta: espontâneo, alegre, livre por natureza e saudável. É este irmão (Pacu) que faz a ponte entre Tonho e Clara. É este irmão que confronta o pai castrador. É este irmão que deixa-se imolar, oferecendo-se em sacrifício para colocar fim à vendeta. Quase que repetindo literalmente o episódio de Pátroclo na Ilíada de Homero, Pacu deixa-se confundir com Tonho e é morto em seu lugar, trazendo a liberdade para o irmão. Pacu é o protagonista no mais puro sentido grego da palavra: "o primeiro a morrer". Pacu é o "bode expiatório" que redime os pecados da família. Pacu é em última análise o "cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". O preço a ser pago pela libertação do ego (Tonho) é sempre o mesmo: a morte da criança original. Seguindo o viés trágico que marca todo o enredo do filme, o pai castrador, tal qual Creonte em Antígona, acaba isolado e solitário, cercado por sua própria neurose, destino inevitável de todo tirano opressor.


Sobre o simbolismo

Sobre o filme, José Paulo Bandeira da Silveira escreve: "é admirável encontrar em um filme a construção, tão bem realizada, de um conceito de cultura política. E no filme, o espectador tem a experiência simbólica da sua cultura política. Para o espectador, o filme realiza a inscrição da sua cultura política no espaço simbólico universal. Neste riacho da caminhada, o espectador não é mais um espectador, ele é o sujeito que vive, com os personagens, a experiência da tragédia pós-moderna na superfície da cultura política. Neste plano do filme, o sacrifício não advém do dever, do super-ego; ele não remete o espectador para a esfera do dever da sociedade burocrática, ele é a vontade do ego modelada pelo desejo das criaturas maravilhosas que habitam a narrativa de Abril Despedaçado. No ego, o desejo e o princípio do prazer existem como fenômenos universais que dissolvem a ordem patriarcal; e fazem o espectador esquecer da ordem burocrática. Seria isto também uma alusão ao fim do poder repressivo na contemporaneidade? No Freud moderno, o super-ego é a instância do poder repressivo. Talvez uma das idéias do filme seja a de dar novos usos para o super-ego freudiano em crise. Há uma cena na qual o riso da família - a mãe e os dois filhos - faz o pai tirânico dar gargalhadas incontroláveis. O riso do pai patriarcal não é uma quebra no mecanismo fatal da cultura política do deserto? Ele não pode ser olhado como uma esperança de alteração da fatalidade secular? Na cena, o riso do pai estraga a festa de risos da mãe com os filhos. Tal riso tira o prazer do riso dos outros. A mãe e os filhos param de rir, e o riso tirânico ressoa sozinho no deserto de homens e idéias. Será que para Walter Salles, essa cultura eletrônica - que agencia o desejo e o princípio do prazer em uma escala industrial - é o riso patriarcal capaz de calar a festa da cultura brasileira?".

Ainda há outro simbolismo mais sutil que vale a pena ser explicitado: o fogo. Clara, faz malabarismos com o fogo: ousa tocar a chama e não se queima. Clara acende o fogo dos impulsos do Id e incendeia a alma de Tonho. O fogo do sol escaldante sobre a terra ressequida do deserto, o pai castrador e a mãe omissa, é substituído pelo fogo da paixão, pulsão libertadora: a leveza do trapézio e do corpo flutuante de Clara. Ela é clara e brilhante como a chama. Ela voa livre pelo ar representando a libertação do jugo do superego e da neurose. O fogo transformador que libera a energia presa na matéria. O fogo com consciência clara que ilumina os meandros obscuros do conflito e permite sua resolução.

Quando o velho cego mostra o relógio a Tonho e deixa claro que seus dias estão contados, mostra igualmente seu destino previamente traçado pela maldição familiar, tal qual Tirésias revela a Édipo seu destino maldito e adverte: “a sabedoria nem sempre é de proveito do sábio”. O velho cego diz: “Cada vez que o ponteiro do relógio se move, ele lhe mostra que há um minuto a menos”. Retomando o fio grego, há um rito familiar traçado pelos seus membros que realizam o papel, outrora, dos deuses: zelar pelo cumprimento da moira, destino cego, e inibir qualquer desmedida do herói da vez — como fazem os pais de Tonho quando ele leva Pacu ao circo.


Sobre o simbolismo do círculo Maria Célia Barbosa Reis da Silva e Neyde Lúcia de Freitas Souza escrevem: “Há ainda o círculo que aparece em duas cenas, cada uma delas indicando uma interpretação diferente: a roda de bois que é forçada a manter a mesma direção e produzir os mesmos resultados; e a roda da menina do circo que a eleva às alturas, deixando fluir sonhos e desejos. Essa última roda dura mais, dura um dia inteiro, não quer parar, quer ser eterna. A outra, a dos bois, está esgotada, mostra sinais de fadiga e de fracasso, sinaliza que é tempo de parar, enquanto seu “dono” teima em mantê-la sob controle rigoroso e desprovida de autonomia, embora talvez de antemão já saiba que um dia vai falhar... Daí o nem, da família: Breve. Naquela casa no meio do sertão, não há alegria nem felicidade. Só a mesmice de ações e de comportamentos repetitivos. A casa do sertão é suja, as roupas dos moradores encardidas, o chão barrento, não há tempo para o si mesmo. A vida estancou. Há repetição de gestos, atos e palavras, e nada avança, pelo contrário, o que ocorre é estagnação ou regressão: aos mesmos atos se responde do mesmo modo. Nem a criança, com sua natural espontaneidade, consegue se expandir. Os sonhos do Menino são tolhidos, suas fantasias abafadas, não há permissão para mudar a roda dos bois domados. Quanto ao Tonho, não concorda com a roda da vida que lhe é traçada, mas faz parte dela. E dá asas aos seus desejos, permitindo-se escutá-los, quando se abre para outros mundos, quando encontra alguém tão preso ao destino quanto ele, e aí se reflete no outro. Sua tarja negra cai quando ele está pronto para deixar fluir seu inconsciente, buscar seu próprio destino. Não importa se ele e Clara vão ficar juntos. Provavelmente não ficarão. Importa é que cada um impulsionou o outro para olhar para si mesmo. Agora o que Tonho quer é ir ao encontro do mar, mergulhar em seu inconsciente e dele puxar seu destino. Não há saída, senão pular de uma roda para outra, até achar o equilíbrio. O balanço impulsiona para o equilíbrio, trazendo a possibilidade de olhar a mesma história sob novos ângulos”.

Veja o Trailer:

12 maio 2006

Poesia Eterna: Obrigado!

Poema:
Bernardo de Gregório
Textos adicionais:
Luiz de Camões e Fernando Pessoa




A ti, Poesia Eterna,
Deusa de suaves cordas,
Ave de sonoros trinos,

Obrigado...
Obrigado...
Obrigado!


A ti, o musa singela,
Belo rosto, mãos mornas,
A quem se elevam os hinos,

Obrigado...
Obrigado...
Obrigado!


A ti, pena paterna,
Autor largado às bordas,
olhos fundos, dedos finos,

Obrigado...
Obrigado...
Obrigado!



Luiz de Camões:

"Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos,
e, para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau. Mas fui castigado.
Assim que só para mim
anda o mundo concertado".


Obrigado...
Obrigado...
Obrigado!



Fernando Pessoa:

" O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente".


Obrigado...
Obrigado...
Obrigado!

10 maio 2006

As Doze Vozes


Rudolf Steiner
Tradução: Bernardo de Gregório e Christina Myoen




Áries

Ressurge, ó brilho da luz!
Compreende a essência evolutiva,
Apreende o tecer das forças,
Irradia-te, ser ressuscitado.
A resistência vence,
Na corrente do tempo dilui-te.
Ó brilho da luz, permanece!

Touro

Ilumina-te, esplendor do Ser,
Realiza a força do vir a ser,
Tecendo os fios da vida
No existir do Mundo,
Nas revelações do sensível,
Na luminosa percepção do Ser.
Ó esplendor do Ser, surge!

Gêmeos

Abre-te, ser solar,
Movimenta o impulso aquiescido,
Descortina o desejo da ambição
Para o forte domínio da vida,
Para o bem-aventurado abraçar do Mundo,
Para o desfrutar do amadurecimento do Mundo.
Ó ser solar, continua!

Câncer

Tu, repousante luzir,
Atiça o calor da vida,
Aquece a vida da alma
Para teu vigoroso afirmar-te,
Para teu compenetrar espiritual,
Num silencioso iluminar.
Tu, repousante luzir, fortalece-te!

Leão

Correnteza dominante,
Personificação do Mundo,
Sensível essência
Para a resolução da vontade.
No fluir do brilho da vida,
Na pungente dor do tornar-se
Dominantemente, coloca-te!

Virgem

O Mundo contempla, alma!
A alma abraça, Mundo!
O espírito compreende, Ser!
O poder da vida atua,
Na vívida vontade constrói,
No florescer do Mundo confia.
Ó alma, reconhece os seres!

Libra

Os mundos, os mundos preservam;
Nos seres, vivenciam-se os seres;
No Ser, envolve-se o Ser;
A essência, a essência efetua
Para o envolvente agir que se derrama
No saborear silencioso do Mundo.
Ó mundos, portai os mundos!

Escorpião

O Ser: este consome a essência.
Mas na essência, lá se encontra o Ser.
Na ação dissolve-se o vir a ser,
Mas no vir a ser permanece a ação.
No poder materializado do Mundo,
No primordial plasmar,
A essência mantém a essência.

Sagitário

A evolução alcança a potência do Ser,
Na existência, extingue-se a concretização.
A conquista extingue o desejo
Na imperiosa força da vontade da vida.
Na morte culmina o domínio do Mundo,
Formas extinguem-se em formas.
Que a existência sinta a existência!

Capricórnio

Que o futuro repouse sobre o passado
E que o passado pressinta o futuro,
Para que se fortaleça o presente.
Na interna resistência da vida
Reforça-se a consciência dos seres do Mundo,
Floresce o poder atuante da vida.
Que o passado sustente o futuro!

Aquário

Que o limitado se sacrifique em favor do ilimitado.
Que o que não conhece limites fundamente,
Nas profundezas, seus próprios limites
E erga-se no fluir,
Assim como a onda ao fluir se detém,
Adquirindo forma no envolver-se, tornando-se Ser.
Limita-te, ó ilimitado!

Peixes

Que na derrota encontre-se a perda
E que na vitória, perca-se o ganho.
Que no compreendido procure-se o apreender
E que se conserve o manter.
Que o Ser erga-se por sua essência
E que a essência teça seu Ser.
Que a perda seja ganho para si!
A Sombra da Maldade





“Permita que o amor invada sua casa, Coração”

“A Sombra da Maldade”

Cidade Negra
Toni Garrido e Da Gama




O Mal parece insistir em habitar a alma humana ao longo de tantos milênios de História e parece mesmo ter se tornado a marca registrada da Humanidade. O que é o mal? De onde provém? Como eliminá-lo de nossas vidas? A resposta a essas questões não é nem um pouco simples de ser encontrada e sua busca ronda a mente humana há tanto tempo quanto o próprio Mal e constitui uma matéria de interesse chamada Ética. Neste campo, Platão nos narra em seu texto “Apologia a Sócrates” que este afirmou que “ninguém faz o Mal deliberadamente, se o faz, é por ignorância”. Aquele que conhece a Ética, e ela só se deixa conhecer através da Razão, jamais teria o direito de praticar o Mal, ou até pior: não se consegue praticá-lo se se tiver plena consciência de sua existência.

Aristóteles define em seu livro “Ética a Nicômaco” que qualquer Ser Humano tem um grande e único objetivo em sua vida: ser feliz. O grande problema é que cada um de nós, erroneamente, elege um meio pelo qual pretende atingir no futuro esta felicidade. Uns imaginam que seria através de riquezas; outros, pelo poder; outros ainda pelo prazeres sensórios ou pelas paixões. Todos erram pelo simples fato de que a felicidade não repousa jamais num futuro que seria atingido através de um certo meio. A felicidade é dada e habita inequivocamente o momento presente, tenhamos nós riquezas ou não, poderes ou não, prazeres e paixões ou não; aliás, normalmente ela está afastada destes itens.

Na tradição judaico-cristã se tem o conceito de Sete Pecados Capitais. Aqueles que os cometerem estarão condenando suas almas ao inferno. Na verdade, esta é apenas uma maneira antiga de apontar os sete erros mais comuns que as pessoas cometem em sua busca pela felicidade. São eles: a ira, a inveja, a preguiça, a soberba, a gula, a avareza e a luxúria. Estas são as paixões que seduzem e põem a perder a felicidade humana. Não que nós não tenhamos todos e cada um deles bem lá dentro de nossas almas: isto é normal e saudável, mas o pecado capital é entregar sua vida ilimitadamente a uma destas paixões. Como podem estes pecados capitais serem saudáveis? Bem, os nomes adotados para definir estes pecados são em si superlativos, ou seja: se tivermos no lugar da ira, apenas raiva expressa de maneira canalizada e dirigida para nossa auto-proteção; em vez de inveja destrutiva tivermos o que eu chamo de “inveja positiva”, que na verdade é admiração; se em troca da preguiça adotarmos apenas o relaxamento e a despreocupação; se substituirmos a soberba por um orgulho de si, por um amor próprio; se houver nutrição e sabor no lugar da gula; ponderação no lugar da avareza e prazer no lugar da luxúria, nossas almas estarão salvas e saudáveis e estaremos mais perto da felicidade.

Estes “pecados”, estas paixões, na verdade existem em nós como resquícios de instintos animais muito claros. O problema é que nos animais estes instintos são regidos por forças naturais equilibradoras dadas pela restrição de oferta e pela lei da seleção natural. No Ser Humano, devido ao advento da consciência e dos meios de produção, estas forças naturais foram minimizadas ou de alguma forma contornadas. Eis o Pecado Original: o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal. Na nossa sociedade então, a anulação de tais forças naturais chegou a um nível jamais visto antes. Em decorrência, o extravio da felicidade também. Nossa sociedade não é mais má do que foram as sociedades anteriores, porém exerce sua maldade com maior eficiência. Igualmente nossa sociedade não é menos feliz do que foram as suas predecessoras, mas espera uma quota de felicidade muito maior e, geralmente, de alguma fonte que jamais poderá supri-la. Somos todos malvados e infelizes, tendo nas mãos, paradoxalmente, instrumentos que jamais a Humanidade teve para ser mais feliz do que nunca. Se pensarmos que atualmente um terço da Humanidade passa fome e vive abaixo da linha da pobreza e se somarmos a este fato a informação de que outro terço da mesma Humanidade sofre com doenças provocadas pela obesidade, teremos uma idéia do que eu estou dizendo.

Santo Agostinho não admitia a existência do Mal. Isto porque ao admiti-lo teria que forçosamente admitir que o Mal foi criado por Deus, uma vez que é o Criador absoluto do Universo. Sendo assim lançou mão de um conceito duvidoso: o chamado Privatio Boni, ou seja, a ausência do Bem. Deus é Bem supremo, mas permite a cada um a liberdade de aceitá-lo ou não. Aqueles que o rejeitam se condenam a uma situação de desgraça e vivem na “ausência do Bem”, o que é comumente chamado de “mal”. Muito tempo mais tarde, o Psiquiatra e Filósofo suíço Carl Gustav Jung rejeitou este pensamento, entendendo que o mal existe por si e com certeza faz parte da alma humana. Jung ironiza dizendo que quem preferir, pode chamar o mal de “ausência do Bem”, mas isto não altera sua essência. O Mal é tudo o que está guardado e reprimido em nós, o Mal são as paixões, o Mal é não perceber o Outro, o Mal é o nosso medo do futuro, o Mal são os monstros de nossos pesadelos, o Mal são as catástrofes naturais. Ao conjunto de tudo o que é mau e habita nosso Inconsciente, Jung deu o nome de “Sombra”. Sobre este tema, sua discípula e amiga, a psiquiatra Marie-Louise von Franz escreveu o livro “A Sombra e o Mal nos Contos de Fada”, onde demonstra, através de estórias e mitos milenares, a existência do Arquétipo do Mal. Porém, neste livro compreendemos que o mal não é vão, o Mal existe para mostrar-nos, por contraste, a existência do Bem. O que seria de uma estória que falasse de uma bela princesa num reino distante que encontrou seu príncipe encantado e apenas viveu com ele feliz por muitos anos? É necessária a existência de uma bruxa, de um dragão, de um gigante ou de um ogro ao menos! Porém a própria vida sempre se incumbe de fazer cruzar nossos caminhos com o de algum destes monstros arquetípicos e não me parece nem um pouco necessário que nós aumentemos tanto assim a população desses “bichos papões”.

Ainda hoje me perguntaram o que eu considero “perversão”. Minha resposta foi que perversão é torturar gente nas prisões, é lançar aviões repletos de passageiros contra prédios altos cheios de gente trabalhando, é jogar bombas atômicas sobre cidades inteiras, é concentrar a renda mundial para que uma meia dúzia possa andar de iate enquanto milhões morrem à mingua, é inventar e vender drogas psicotrópicas cada vez mais potentes para uma juventude alienada, é ficar contente com uma população imbecilizada porque ela é mais fácil de ser manobrada, é convencer um monte de gente infeliz que ao injetarem substâncias tóxicas e cancerígenas em seus corpos elas serão mais amadas por suas formas pseudo-robustas, é entupir a população com gorduras em excesso e depois torturá-la com cirurgias desnecessárias, é vender sexo no lugar de amor, é destruir um país para surrupiar suas riquezas naturais. Eis os Sete (ou mais) Pecados Capitais em sua roupagem de Século XXI.

O pensamento típico do Mal sempre é “não é comigo, é com ele”, “eu vou me dar bem e ele que se dane”, “eu quero mais é que ele se ferre”, “eu sou superior e tenho direito a usar os que são tolos e se deixam enganar”. A única maneira de se resolver tudo isso é mostrar de uma vez por todas a esta espécie degenerada chamada de Ser Humano, que a felicidade já lhe foi dada e está na aceitação de si mesmo, na compreensão de que o Outro tem direito a ela tanto quanto ele, na aceitação das condições da vida, na contemplação da beleza do momento presente e da alegria de viver, no respeito à Criação, na liberdade de expressão, na criatividade e no contato inter-humano. Quando vamos entender que a Humanidade é una e que cada qual é interdependente e o egoísmo obstinado não nos levará se não à auto-destruição? Quando vamos perceber que cada um de nós só é capaz de fazer tanto o Bem quanto o Mal a uma única pessoa na face da Terra: a si próprio! Poderíamos resumir tudo isto em uma única frase: “amai-vos uns aos outros” ou ainda “ama teu próximo como a ti mesmo”.





Para saber mais:

Bernardo de Gregório. http://www.beautyonline.com.br/bernardodegregorio/index.htm
“Apologia a Sócrates”, Platão. http://geocities.yahoo.com.br/ciberespao/plataoapologiaasocrates.pdf
“Ética a Nicômaco”, Aristóteles. http://www.geocities.com/discursus/textos/nicomaco.html
“São Tomás de Aquino e os Pecados Capitais” http://www.hottopos.com/notand10/jean.htm
“Santo Agostinho” http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm
Carl Gustav Jung. http://www.geocities.com/Vienna/2809/jung.html
“A Sombra e o Mal nos Contos de Fada” http://www.bvs-psi.org.br/psilivros/us_resenha.asp?id_livro=1297

09 maio 2006


ZEUS


Origem

Zeus é citado nas tabuinhas micênicas em Linear B e tem ascendência nitidamente indo-européia. A palavra "Zeus" deriva de um radical primitivo, *dei- ('reluzir'), presente nas principais línguas indo-européias antigas (grego, latim, hitita, sânscrito), sempre associado a uma importante divindade celeste e à claridade do dia. "Dia", aliás, deriva do latim dies e vem do mesmo radical; a palavra portuguesa "deus" tem a mesma origem.
Os epítetos de Zeus nos poemas homéricos, nossa fonte mais antiga, confirmam sua estreita ligação com os fenômenos atmosféricos: "amontoador de nuvens", "trovejante", "o que lança o raio". Na Ilíada, era já considerado filho de Crono e Réia, irmão de Hades e Posídon, e marido de sua irmã Hera. Para os gregos, era o mais poderoso e o mais importante de todos os deuses.
O mito que relata sua infância em Creta é relativamente tardio e parece ser uma tentativa de assimilação do deus celeste, trazido pelos conquistadores micênicos, ao antigo deus-jovem da cultura minóica, ligado à deusa-mãe desde o Neolítico.

Mitos

Zeus ergueu-se então com seu poder, pegou suas armaso trovão, o relâmpago, o ardente raio e,saltando do Olimpo, golpeou-o; (...)

Hes.Th. 853-855

O poder de Zeus se manifestava tanto pela força irresistível, que assegurava sua preeminência entre os demais deuses, como pela inesgotável capacidade fertilizadora.
A ascensão ao poder foi assegurada pela vitória na titanomaquia, que simboliza a vitória dos novos deuses sobre as antigas divindades dos povos pré-helênicos. Zeus venceu, igualmente, todas as ameaças e rebeliões, e por isso era sempre associado à vitória e ao triunfo em batalha.
O domínio de Zeus representava a ordem cósmica, e foi consolidado também através de casamentos e ligações amorosas com diversas deusas e mulheres mortais. Em decorrência de suas numerosas aventuras, popularizadas pelos mitógrafos por causa dos disfarces que usava, Zeus teve numerosos filhos, entre deuses, heróis, reis e outros mortais, sempre à revelia da ciumenta Hera, sua esposa legítima.
Em sua sabedoria e soberania inconteste, era Zeus quem tomava as decisões que influenciavam a evolução do mundo e já era chamado de pai — ou rei — dos deuses e dos homens, possivelmente, desde os tempos micênicos. Seu poder não era, no entanto, absoluto e indiscriminado; na Ilíada é nítido o respeito que tinha pelas divindades mais antigas, como Nix, a noite, as Moiras e, de certa forma, também pelos deuses a ele subordinados.
Zeus personificava a justiça divina, e sua imparcialiadade era simbolizada pela balança com que "pesava o destino" dos homens. A soberania dos reis e por extensão as leis humanas e a justiça, diké, também vinham dele; por isso, a maioria dos reis helênicos mais antigos, como Minos e Tântalo, eram considerados filhos de Zeus. Sob sua proteção estavam também os juramentos, os suplicantes e os hóspedes.

Iconografia e culto
Zeus é representado geralmente como um homem maduro, sentado em um trono com um cetro e um ou mais raios nas mãos; em sua companhia há freqüentemente uma águia, animal que lhe era dedicado.
Seus santuários e templos eram particularmente grandiosos, como o de Dodona, onde ficava um antigo oráculo, e o de Olímpia, onde havia uma famosa estátua esculpida por Fídias no século -V. Os Jogos Olímpicos e os Jogos Nemeus eram celebrados em sua honra.

Ió e Zeus

Ió era filha ou descendente do deus-rio Ínaco, um dos filhos de Oceano e Tétis. A genealogia é um tanto confusa, mas ela sem dúvida pertencia à família real de Argos. Segundo a tradição, quando Ió era sacerdotiza do templo de Hera em Argos e Zeus se apaixonou por ela e ia visitá-la com freqüência.
Hera desconfiou da nova aventura do marido; porém, antes que pudesse fazer alguma coisa, Zeus transformou a moça em uma novilha de grande beleza e passou a encontrá-la na forma de um touro. Mas Hera, acostumada com os truques de Zeus, exigiu que a novilha lhe fosse dada e colocou-a sob vigilância em um bosque de Micenas.
O vigia, que se chamava Argos, tinha cem olhos, enxergava tudo o que havia para ser visto em todos os pontos cardeais e era tão eficiente que, enquanto dormia, fechava apenas cinqüenta olhos de cada vez. Zeus começou a se cansar daquela história e encarregou o eficiente Hermes de liquidar o vigia; mas o ódio de Hera nunca acabava e ordenou a um feroz moscardo que picasse a novilha sem cessar.

A pobre Ió, instigada pelo moscardo, percorreu desvairada- mente toda a Grécia. Indo para o norte, atravessou o Bósforo, assim chamado em sua homenagem (Bósforo significa, literalmente, "passagem da vaca"), passou pela Cítia, encontrou Prometeu junto ao Cáucaso e acabou chegando ao Egito, onde voltou à forma humana e deu à luz um filho de Zeus, Épafos.
Posteriormente Ió desposou o rei do Egito, Telégono, e seu filho Épafo reinou após a morte do pai adotivo. Os gregos consideravam Épafo uma encarnação de Ápis, o touro divino dos egípcios, e Ió foi associada à deusa Ísis.
Agenor, rei da Síria (ou da Fenícia), era bisneto de e de Zeus e tinha vários filhos. Dois deles, Europa e Cadmo, são personagens importantes dos mitos gregos.

O rapto de Europa

Europa era muito jovem, belíssima, e Zeus se apaixonou por ela. Para raptá-la sem chamar a atenção de Hera, sua ciumenta esposa, imaginou uma maneira sutil de se aproximar da mocinha.
Certo dia, Europa e algumas amigas divertiam-se numa praia e viram sair do mar um touro belíssimo, branco, com chifres recurvados como duas luas em forma de crescente. O touro era muito manso: permitiu que se aproximassem dele, que o acariciassem e, ao perceber que Europa se aproximara, deitou-se aos seus pés.
A princesa, encorajada pela beleza e pela brandura do animal, sentou-se em seu dorso. Imediatamente o touro se levantou, correu velozmente para o mar e se lançou na água. Europa, muito assustada, agarrou firmemente os chifres e ficou espantada ao ver que, ao invés de afundar, o touro corria na superfície do mar.
Tratava-se, é claro, do ardiloso Zeus... A deusa Hera, não estava por perto, aparentemente, mas o precavido pai dos deuses e dos homens preferiu não se arriscar e usou a forma de touro para se aproximar da princesa.
O deus conduziu Europa à ilha de Creta, onde assumiu forma humana e uniu-se a ela. Tiveram três filhos: Minos, Radamantis e Sarpédon. Mais tarde, Europa casou-se com Astérion, o rei da ilha, que adotou os filhos de Zeus.

Cadmo

Quando Europa desapareceu, o rei Agenor ordenou aos filhos Cadmo, Fênix e Cílix que saíssem à sua procura e que não voltassem à sua presença sem ela. Durante a longa busca, os irmãos de Europa fundaram diversas cidades e acabaram se instalando definitivamente em outras regiões. Fênix se estabeleceu na Fenícia; Cílix, na Cilícia; e Cadmo, o mais velho, na Grécia.
Cadmo viajou acompanhado da mãe, Teléfassa, e dirigiu-se inicialmente para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu algum tempo. Pouco depois da morte da mãe, aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de procurar Europa e fundou a Cadméia, a acrópole fortificada da futura cidade de Tebas.
Segundo a tradição, o oráculo havia mandado Cadmo escolher o local seguindo uma vaca até que ela caísse de cansaço. Ao encontrar uma vaca com um sinal diferente, Cadmo a seguiu até a Beócia e, no local onde ela parou, fundou a cidade. Para obter água de uma fonte próxima, teve de matar a pedrada um dragão, tido por filho de Ares; logo depois, a conselho de Atena, semeou os dentes do dragão morto.
Dos dentes nasceram diversos guerreiros, totalmente armados e de aspecto ameaçador. Instado por Atena, Cadmo lançou, sem ser visto, uma pedra sobre eles. A pedra desencadeou uma violenta disputa e, no fim da luta, restaram apenas cinco guerreiros vivos, os espartos (i.e., "os semeados"). Eles auxiliaram Cadmo na fundação da cidade e eram considerados ancestrais das famílias nobres de Tebas.
Devido à morte do dragão, Cadmo foi condenado pelos deuses a servir Ares durante 8 anos. No fim do período, Zeus concedeu-lhe a mão de Harmonia, filha de Ares e de Afrodite. Os deuses imortais comparecerem em peso ao casamento, as musas cantaram durante os festejos e a noiva recebeu dois presentes fabulosos: um maravilhoso vestido, tecido pelas Cárites, e um belíssimo colar de ouro, feito por Hefesto.
Cadmo tornou-se rei de Tebas e seu reinado foi longo, tranqüilo e próspero; consta que ele civilizou a Beócia e ensinou aos gregos o uso da escrita. Teve vários filhos: Autônoe, Ino, Agave, Sêmele e Polidoro.
Já idoso, Cadmo entregou o trono de Tebas a Penteu, filho de Agave e Équion (um dos espartos), e retirou-se com Harmonia para a Ilíria, onde se tornou rei e teve outro filho, Ilírio. Viveu ainda algum tempo e, no final da vida, foi tranformado pelos deuses em serpente, juntamente com Harmonia; em outra versão, ambos foram levados para os Campos Elíseos.


"Ouçam-me todos, deuses e deusas, para que eu diga o que, em meu peito, me dita o coração: que nenhum deus, que nenhuma deusa tente infringir minha ordem. Aceitem-na todos, de uma só voz, para que eu termine esse assunto o mais rápido possível. Aquele que eu vir se afastar deliberadamente dos deuses para levar socorro aos troianos ou aos dânaos, sentirá meus golpes e voltará ao Olimpo em estado lastimável - a não ser que eu o agarre e o arremesse ao brumoso Tártaros, bem no fundo do abismo que vai até a parte mais baixa da terra, onde ficam as portas de ferro com umbral de bronze, tão abaixo do Hades quanto o céu está acima da terra. Aí vocês compreenderão o quanto estou acima de todos os deuses. E, se quiserem, tentem agora, para que todos saibam. Suspendam no céu uma corrente de ouro e prendam-se nela todos, deuses e deusas; não arrastarão, do céu para a terra, Zeus, o mestre supremo, por mais que se esforcem. E, francamente, se eu quisesse, puxaria vocês e ao mesmo tempo a terra e o mar; depois, eu prenderia a corrente a um pico do Olimpo, e tudo ficaria suspenso no ar. Tal é o meu poder em comparação com o dos deuses e dos homens".

Hom.Il. 8, 5-27





A Estrela SÍrius

Sírius, uma das mais maravilhosas estrelas de nosso firmamento, possui sua aparente grande magnitude por causa do simples fato de que ela está a somente 8,7 anos luz da Terra. Ela emite 23 vezes mais luz do que o Sol e é 1,8 vezes maior do que ele. Comparada com outras estrelas como Rigel ou Beltegeuse, (da constelação de Órion) Sírius, no entanto, é relativamente pequena.

Porém a história desta luminosa estrela é bastante singular. No antigo Egito, a estrela Sírius era alvo de uma particular veneração e era representada pela Deusa Sothis, ou Isis Sotis, e pelo Deus Hermes Thot. Seu aparecimento no céu coincidia com o momento da cheia do rio Nilo ( aproximadamente 3.000 anos A.C.), no auge do verão, cheia que vinha trazer prosperidade e fertilidade às terras inundadas. Na realidade esta cheia coincide com o auge do verão no hemisfério norte e até hoje, quando um dia está demasiadamente quente, é usada a expressão "Está um calor de cão". Na antiga Roma, cachorros eram sacrificados em nome dela. O nome "canicula" para indicar um período de grande calor também tem esta derivação.

Sírius faz parte da Constelação de Canis Major (O Grande Cão) e faz par com a Constelação de Canis Minor (O Pequeno Cão). Os dois cães pertencem e servem o caçador celeste Órion. Os astrônomos nos tempo antigos (1.500 A.C.) descreviam Sírius como sendo de luz avermelhada, uma luz mais vermelha do que aquela do planeta Marte. Atualmente a sua luz é absolutamente branca, como pode ser observado a olho nu no hemisfério Norte ao se olhar o céu num determinado período do ano. Como pode uma estrela mudar a sua cor num período de somente 1,500 anos? Esta questão não encontrou uma resposta convincente até agora. O estudo das estrelas fixas é ainda uma grande charada para os astrônomos. Pois, apesar das estrelas passarem indubitavelmente através de diferente estágios, as mudanças de cor claramente visíveis de vermelho para branco, segundo as teorias recentes, precisam de centenas de milhares de anos para serem efetuadas, e não somente 1 milênio e meio.

Talvez a mudança misteriosa da cor de Sírius tenha algo a ver com a estrela companheira de Sírius. No início de 1844 o astrônomo alemão Friederich Bessel notou que Sírius não se movia no céu de uma forma reta, como as outras estrelas fixas, mas sim seguia um caminho serpenteado. Bessel concluiu que Sírius teria uma companheira invisível cujos efeitos gravitacionais provocavam este comportamento. Foi somente em 1862 que esta companheira, chamada de Sírius B, foi realmente descoberta através de um telescópio e apareceu como um pequeno ponto de luz perto da luminosa Sírius A.

Na realidade, a descoberta desta segunda estrela, chamada também de Pup Star, apresenta um quebra cabeça para os astrônomos. Com base nos movimentos destas estrelas binárias, eles calcularam que Sirius A deveria ser 2,36 vezes e Sírius B 0,98 mais pesadas do que o Sol. No entanto, como a luz de Sírius B aparecia muito mais fraca que sua irmã maior (apesar de sua superfície ser extremamente quente), ela deveria ser muito menor, isto é, ela teria somente aproximadamente 18.000 milhas (30.000 km) ou aproximadamente duas vezes o diâmetro da Terra. Esta grande quantidade de matéria concentrada num espaço tão pequeno significa que a sua densidade seria muito maior do que se pudesse imaginar. Um centímetro cúbico de matéria feita com Sirius B pesaria mais de 150 Kg! Por isto Sirius B se tornou o primeiro exemplo de um novo tipo de estrela que seria mais tarde descoberta: as estrelas anãs brancas. As características das anãs brancas são: tamanho extremamente pequeno (a menor conhecida até agora tem somente a metade do tamanho de nossa Lua), a temperatura de superfície extremamente alta, e a incrível concentração da matéria do que são compostas.

Sirius é a primeira estrela conhecida com absoluta certeza pelos hieróglifos egípcios, (e as vezes representada por um cão), e aparece nos monumentos e templos ao longo do Rio Nilo. Entre estes existem os Templos da Deusa Hathor, ou Isis Hator, que eram erguidos com orientação para a estrela Sírius. Os Egípcios acreditavam que Sírius detinha o destino de nosso planeta. É para lá que iam as almas dos Faraós e sacerdotes após a morte para "receberem instruções" e ganhar conhecimento. Alguns historiadores pensam que à partir desta estrela chegaram ao Egito os Deuses que ensinaram toda a sua sabedoria a este povo da antiguidade.

Uma antiga representação egípcia mostra a deusa Isis com a estrela Sirius, sobre sua cabeça e segurando o cetro wadj e o ankh (da dilatação e da espiritualidade da vida), precedida por Órion, que segura o cetro uas (do fluxo da seiva) , enquanto olha para trás, para Isis, e apresenta a vida com a sua mão esquerda. Atrás de Isis estão representados Júpiter, Saturno e Marte. Todos estão numa barca que desce o rio Nilo, na direção do Oriente para o Ocidente.
O que aparece na figura, é que Isis retira o seu poder de Sirius (que está representada ao lado de outra pequena estrela, indicando que os Egípcios sabiam que esta estrela tinha uma companheira menor!) e que ela a transmite a Órion que por sua vez o transmite aos "filhos do Sol". Sírius era também atribuída ao Deus Thoth, ou Hermes dos Gregos ou Mercúrio dos Romanos. Mas eu acredito que Mercúrio ou Hermes, eram simplesmente a “oitava inferior" do Deus Thoth, o “Três Vezes Grande” Hermes Trismegisto de Alexandria, que seria representado pelo planeta Urano, que rege, entre outras coisas, a Astrologia.

Segundo os teólogos de Hermopolis, Thoth, ou Tehuti como o chamavam os antigos Egípcios, era o verdadeiro Demiurgo universal, o Íbis divino que chocou o ovo da humanidade na Hermopolis Magna. Este trabalho de criação foi fruto somente do "som de sua voz" (lembra o versículo da Biblia: “em princípio era o verbo...”). Os livros das piramides referem-se a ele como o filho mais velho de Rá, filho de Geb e Nut, ou irmão de Isis, apesar de que outros textos o descrevem como vizir de Osiris e de sua família, e escriba do Faraó. Tehuti, ou Hermes, curou o filho de Osiris, Horus, somente com o seu sagrado alento, e era detentor de um conhecimento universal. Ele ensinava as ciências, a aritmética, a geometria, a música, a astronomia, as artes mágicas, a medicina, a cirurgia, etc., e nós encontramos tudo isto descrito e documentado nos monumentos e textos que chegaram até nós. Ele efetuou os cálculos concernentes o estabelecimento do céu, das estrelas e da terra e ele era o coração de Rá (o Sol no Zenit) e seu mestre, seja no conceito físico que moral. Ele tinha o dom da "divina palavra". Ele era venerado pelos Egípcios como um Deus auto-gerado e auto-produzido, isto é: ele era UM.

08 maio 2006

Afrodite


Amaldiçoados vós, mortais, que não conheceis a vida dos Deuses...








Deusa do amor e da beleza sensual, mais especificamente do amor carnal. Era capaz de seduzir a todos, deuses ou mortais:

Conta-me, musa, as façanhas da dourada Afrodite,a Cíprica, que inspirou nos deuses o doce desejoe conquistou as raças de homens mortais,as aves do céu, todos os numerosos animaisque a terra nutre, e todos os do mar.

Hino a Afrodite (h.Ven. 5.1-5)


Para os gregos, Afrodite era a própria personificação do desejo, do amor e do prazer sensual. Sua origem é bastante controvertida, e pode remontar à época micênica. Há também nítidas semelhanças entre Afrodite, a Istar-Astarte semita e a grande-mãe neolítica, senhora dos animais e símbolo da fertilidade.
Há duas versões correntes para o nascimento de Afrodite. A versão mais antiga é provavelmente a divulgada por Hesíodo, que a dá como filha de Urano; a mais recente, mencionada por Homero, Eurípides e Apolodoro, relata ser ela filha de Zeus e Dione. O local de seu nascimento pode ter sido a ilha de Citera, ao sul do Peloponeso, ou Chipre; daí ela ser freqüentemente chamada de "Citeréia" ou de "Cípris". Embora casada com Hefesto, o deus do fogo, Afrodite teve pelo menos dois amantes notáveis: Ares, o deus da guerra, e Anquises, um descendente de Trós, o primeiro rei de Tróia. De sua ligação com Ares nasceram Eros, o deus que desperta paixões em homens e deuses com suas flechas; Fobos e Deimos, o medo e o pavor; e a bela Harmonia. De Anquises nasceu o herói troiano Enéias, considerado pelos romanos ancestral de Rômulo e Remo, os míticos fundadores de Roma.
Afrodite é personagem de numerosas lendas, e eram especialmente notórias suas vinganças quando não era reconhecida ou era menosprezada por alguém. Exceção à regra é a sua participação na lenda de Pigmalião. Além dessa lenda, a do Julgamento de Páris, a de Adônis, a de Psiquê e a de Teseu e Hipólito, o episódio mais famoso é o da rede de Hefesto, contado por Homero. Mas a nós, o que nos interessa agora é o mito que nos conta de suas quatro roupagens, o que inevitavelmente nos remete às quatro faces do feminino.
Nos Períodos Arcaico e Clássico Afrodite era representada como uma mulher bela e jovem, sempre vestida, às vezes com um certo ar lânguido que apenas insinuava seu 'status' de deusa do amor. A partir do fim do Período Clássico, após a Afrodite de Cnidos, famosíssima escultura de Praxíteles, passou a ser mostrada com formas voluptuosas, nua ou sumariamente vestida, em poses nitidamente provocantes. Nas pinturas de vasos, no entanto, quase sempre aparecia vestida. Mas o mito nos fala de quatro vestes que foram recebidas por Afrodite das mãos da Horas, as ninfas de Chronos, o Tempo. Isto sugere que conforme as hortas passam, conforme o tempo passa, Afrodite muda suas vestes, suas aparências, sua essência.
Afrodite nasceu das espumas do mar como Anadyomene (“a que se eleva do mar"). Sua roupagem é branca como é a espuma (em Grego: “aphros”, “Aphodites”: “as que veio da espuma”). Ë a mais bela de todas as deusas, capaz de inspirar o amor em qualquer seu vivente, mortal ou imortal. Deusa mãe, é a deusa da vida, é o dom da vida que vem das profundezas do mar. Neste sentido é deidade similar a Yemanjah e a Maria (do Latim “mare”, do Hebraico “Miriam”: “a que veio do mar”), ligada à noite, à lua e às estrelas.
Por sobre suas vestes alvas, Afrodite usa um manto azul. Nesta roupagem se eleva aos céus e se torna Urânia (“celeste”), a Virgem dos Céus. Recepcionada nas alturas por seu pai Urano, o Céu, Afrodite dele recebe uma coroa de estrelas e um cinturão de constelações chamado Zodíaco (do Grego “Zoon Kiklon”, “o Círculo dos Animais”). Urânia, ou Afrodite Urânica, é a conhecida Sofia (do Grego “sophia”, “sabedoria”) que traz das alturas eternas as verdades imutáveis do mundo, a sabedoria. Tais verdades ela sussurra e revela aos ouvidos de seus amigos e “manter amizade com Sofia” se diz em Grego “philosophia”. Esta Urânia sábia, pura, bela e casta, vestida de azul e branco e coroada de estrelas pode ser imadiatamente associada à Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida.
Mas conforme o tempo passa Afrodite mais uma vez muda suas vestes e transforma sua essência. Desta vez se apresenta vestida de vermelho e é chamada de “Pandemia”, “aquela que a todos os povos atinge” e insufla ao seu redor o “pandemônio”, criando a paixão e insuflando a sexualidade. Afrodite Pandemia é o amor carnal, o instinto sexual e a volúpia desenfreada. Neste sentido tem muito em comum com Lilith, “feita de sangue e saliva”, e resgata a sexualidade feminina livre e nascente, recordando os rituais de fertilidade do verão e da lua cheia.
Por sobre as vestes vermelhas Afrodite usa um manto negro e cobre seu rosto com um capuz. Nesta apresentação, empunhando uma foice (ou para ser exato um alfange) Afrodite que já se apresentou como a vida, agora se apresenta como a morte. A deusa ceifa as vidas dos mortais, tal qual o agricultor ceifa o trigo dourado nos campos. Mas a morte não é fim: como a semente que desce às trevas das profundezas da terra, o morto há de renascer na primavera, na Páscoa. Afrodite oculta seu rosto para que ninguém se apaixone pela morte e venha a descobrir seu segredo: a morte é tão bela quanto a vida e é a mesma e única deusa mãe que nos dá a vida e a morte, o nascimento e a ressurreição, em seu ciclo eterno, perfeito e harmônico.